Amnésia ética: a maioria das pessoas costuma esquecer suas atitudes desonestas

Por Redação | 23.05.2016 às 16:25

Uma pesquisa publicada com estudos da Universidade de Harvard e da Universidade Northwest, ambas estadunidenses, revela que a maioria das pessoas possui uma espécie de "memória ética", onde inconscientemente, tentamos nos lembrar menos de ações que nos deixariam mal vistos socialmente. Segundo os cientistas, a maioria das pessoas gosta de ver a si mesmo como alguém dotado de ética e moral exemplares, os resultados dos testes aplicados nas duas instituições revelaram que para não confrontar esse pensamento, a maioria das pessoas costuma apagar ações não tão louváveis cometidas no cotidiano.

O termo criado para descrever esse fenômeno é chamado "amnésia ética", e os pesquisadores envolvidos no assunto dizem que esse tipo de esquecimento é causada por uma vontade subconsciente de "limpar a sua barra consigo mesmo" e se livrar do sentimento de culpa que uma atitude negativa pode causar. Os autores do artigo em questão ainda dizem que isso é um recurso para que o indivíduo possa acreditar que é alguém muito melhor do que realmente é, ou do que acreditaria ser se não houvesse essa exclusão de memórias negativas. Com um pensamento mais positivo sobre si mesmo, as pessoas conseguiriam ser mais simpáticas e extrovertidas.

Ética e Moral

A 'amnésia ética' poderia então estar ligada ao carisma e sociabilidade de um indivíduo? (Imagem/Reprod.: SBCoaching)

Na pesquisa, Maryam Kouchaki e seus colegas entrevistaram mais de 2.100 estudantes de todo o campus individualmente. Ao analisar mais profundamente as vidas cotidianas de cada um deles, o time de Maryam notou que uma parcela relativamente grande dos estudantes costumou se lembrar mais de momentos em que agiram na forma socialmente correta do que quando cometeram atitudes consideradas erradas — como trapaçar em um jogo ou contar mentiras para conseguir alguma vantagem. Maryam é a principal condutora do experimento e é responsável pela Escola Kellogg de Gestão na Universidade Northwest.

A pesquisadora diz que notou uma certa limitação das pessoas ao falar de momentos que degradam sua autoimagem. Apesar de não ter certeza sobre a aplicabilidade dos testes, afinal os estudantes poderiam estar apenas dando uma "desculpa" para suas atitudes malévolas, Kouchaki acredita que isso é feito de forma despercebida e faz parte do mecanismo que nosso cérebro usa para evitar que experiências ruins nos impeçam de tentar algo mais de uma vez. Atualmente, há um consenso na psicologia de que as pessoas costumam lembrar menos de quando falham (em coisas de pouca importância, é claro) para que quando acumuladas, essas experiências não bem sucedidas não tornem o indivíduo inseguro de si mesmo.

Você se lembra de todas as vezes que caiu de bicicleta antes de aprender a, de fato, andar em uma? Provavelmente não, mas você se lembra da primeira vez que conseguiu realizar este feito? Pois é. No fim de seus textos, a pesquisadora afirma que consequências mais severas de uma ação antiética ou amoral podem reduzir o efeito desse esquecimento involuntário, e que é preciso tomar cuidado para não atingir um de ambos os extremos. De nada vale abandonar totalmente esses parâmetros sociais, como também punir-se incessantemente por ações não dignas de orgulho.

E você, acha que esse tipo de efeito é realmente inconsciente ou é apenas uma forma de fazer tudo ser mais conveniente a um indivíduo? Diga nos comentários abaixo!

Fonte: Quartz