Garota palestina de 16 anos usa o Twitter para relatar conflito em Gaza

Por Redação | 11 de Agosto de 2014 às 17h45
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Um dos assuntos em maior evidência das últimas décadas é o conflito na Faixa de Gaza, um território que fica entre o Egito e Israel. Desde o começo do século 20, o movimento sionista tem ganhado força, movimento este que busca a criação de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel.

O confronto mais recente - o terceiro conflito do tipo desde a tomada da Faixa de Gaza pelo grupo islâmico Hamas, em 2007 - começou há cerca de um mês, quando Israel acusou o Hamas do desaparecimento de três adolescentes israelenses na Cisjordânia. Desde então, não há perspectivas de um acordo a longo prazo que coloque fim à violência que já matou mais de 1.900 pessoas, a maioria civis.

Em meio a essa guerra que não tem data para terminar, uma adolescente de 16 anos encontra nas redes sociais uma forma de contar ao mundo sua visão dos fatos, trazendo uma cobertura mais apurada de quem vive em Gaza. De acordo com a Reuters, a jovem Farah Baker tem conquistado milhares de seguidores no Twitter com suas publicações que retratam em tempo real o barulho das explosões dos bombardeios de Israel. A garota, que antes tinha 800 fãs no microblog, agora conta com mais de 170 mil.

Baker, que utiliza o username @Fara_Gazan no Twitter, mora perto do hospital de Shifa, na Cidade de Gaza, onde seu pai é cirurgião. Da própria casa, a adolescente consegue escutar explosões a quilômetros de distância, além das sirenes das ambulâncias que chegam ao hospital. Com bastante frequência, Baker registra esses sons e publica vídeos em seu perfil na rede social para fornecer a seus seguidores um relato pessoal da guerra. As postagens variam entre um vídeo de uma rua escurecida tomada pelo barulho das bombas até comentários sobre buscar abrigo da artilharia em um dos quartos de sua residência.

"Estou tentando dizer ao mundo sobre o que eu sinto e o que está acontecendo aqui", disse Farah à Reuters em sua casa em Gaza, acrescentando que ela tem tentado "fazer outras pessoas sentirem como se elas também estivessem passando por isso". "Eu vejo isso como o único jeito que posso ajudar Gaza, mostrando o que está acontecendo aqui. Às vezes, eu mando um tuíte enquanto estou chorando ou com muito medo, mas eu digo a mim mesma que não devo parar", completou.

Embora acredite se sentir na obrigação de informar outros usuários na internet sobre os bombardeios de Israel, Baker disse estar surpresa com sua popularidade no Twitter. "Eu não esperava isso. Eu estava escrevendo para um pequeno círculo de pessoas, e o número (de seguidores) tornou-se muito alto", afirmou. Ela sonha em se tornar uma advogada, profissão na qual espera defender a região pobre de Gaza.

Farah Baker

No cartaz à direita, Baker diz que "desde que nasceu, já sobreviveu a três guerras e que acha que já chega". (Foto: Reprodução/Twitter@Farah_Gazan)

Segundo a BBC, Israel anunciou a retomada dos ataques aéreos a Gaza após militantes palestinos terem disparado foguetes contra o território israelense após o final de um período de 72 horas de cessar-fogo, encerrado na manhã da última sexta-feira (8). A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 373 mil crianças que vivem na região irão necessitar de apoio psicossocial. Além disso, aproximadamente 485 mil pessoas foram deslocadas de suas casas e 1,5 milhão de pessoas que não vivem em abrigos estão sem acesso a água potável.

Veja abaixo alguns dos tuítes publicados pela adolescente Farah Baker:

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