Estudo: 98% das pessoas fazem múltiplas tarefas por dia no ambiente de trabalho

Por Redação | 20.03.2015 às 08:13
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Você é do tipo de pessoa que acumula muitas funções no trabalho e quase não tem tempo de se dedicar a outras tarefas? Pois saiba que você não está sozinho. Um estudo da companhia Accenture constatou que a maioria (98%) dos funcionários passa parte do seu dia realizando múltiplas atividades no ambiente corporativo e que mais da metade (66%) desses usuários concorda que fazer várias coisas diariamente permita um crescimento maior dentro da empresa.

A pesquisa também revela que 36% dos profissionais reclamam que as distrações os impedem de fazer o seu melhor, resultando em perda de foco, qualidade inferior do trabalho e relações de equipe empobrecidas. Quando perguntados sobre o que mais interrompe seu trabalho, os entrevistados citaram duas vezes mais as chamadas telefônicas, reuniões ou visitantes não agendados do que mensagens de texto e SMS (79% e 72%, respectivamente, contra 30% e 28%).

Oito em cada dez entrevistados realizam múltiplas tarefas durante chamadas de conferência, como a verificação de e-mails de trabalho (66%), troca de mensagens instantâneas (35%), e-mails pessoais (34%), mídias sociais (22%), leitura de notícias e entretenimento (21%). Em geral, participam ativamente das chamadas aqueles que precisam de algo ou são obrigados a liderar ou acompanhar a discussão. Além disso, 64% das pessoas afirmam que "ouvir" os outros ficou mais difícil por conta do modelo adotado por inúmeras companhias, agora mais digital e interativo.

"O digital está mudando tudo e as novas tecnologias continuarão a apresentar desafios e oportunidades", comenta Adrian Lajtha, diretor da Accenture. "Conforme os funcionários se tornam mais conectados, as organizações devem se beneficiar da oportunidade para otimizar o uso de tecnologia no ambiente de trabalho, aproveitando seu potencial para engajamento de funcionários, colaboração e inovação".

Outro ponto destacado no levantamento é que 58% dos profissionais acreditam que a tecnologia permite que líderes se comuniquem com suas equipes de maneira mais fácil e rápida; e quase metade das pessoas cita benefícios adicionais, como a flexibilidade para que equipes trabalhem em qualquer lugar e a qualquer momento (47%) e a acessibilidade melhorada (46%).

Falando nisso, a questão da acessibilidade é vista ao mesmo tempo como auxílio e problema para uma liderança eficiente. Seis em cada 10 mulheres e cinco em cada 10 homens veem a tecnologia como algo que está "extrapolando" os líderes ao torná-los acessíveis demais. Todos os entrevistados concordam que, entre os maiores desafios dos líderes hoje, estão a sobrecarga de informação (55%) e a tecnologia em rápida evolução (52%).

As mulheres também estão conquistando seu espaço no mercado de tecnologia. Sete em cada 10 entrevistados acreditam que o número de diretoras de tecnologia irá crescer até 2030 e mais da metade (52%) diz ainda que suas empresas estão preparando mais mulheres para cargos de gestão sênior este ano do que no ano passado.

"Esteja você no comando de uma reunião, de um grupo de funcionários, de um evento voluntário ou um grande projeto, há sempre uma oportunidade para liderar", diz Nellie Borrero, diretora global de Inclusão e Diversidade da Accenture. "Nossos mais de 200 eventos do Dia Internacional da Mulher ao redor do mundo tiveram foco no reconhecimento, captura e na criação de oportunidades para ouvir, aprender e liderar".

Insights

O estudo também gerou alguns dados interessantes sobre assuntos relativos ao trabalho. São eles:

  • Habilidade de ouvir atenciosamente - Os entrevistados valorizam a capacidade de ouvir. Especificamente, pensar antes de falar (54%), fazer perguntas (49%) e fazer anotações (49%) são habilidades vistas como muito importantes. A pesquisa também comparou respostas de três gerações - baby boomers, geração X e geração Y - e descobriu que 64% dos membros da geração Y passam mais da metade do seu dia executando múltiplas tarefas, comparados com 54% da geração X e 49% dos baby boomers.
  • Aprendizado no ambiente de trabalho - 80% dos entrevistados concordam que o treinamento no trabalho é a forma mais eficiente de aprendizado, sendo mais importante do que o treinamento formal (citado por 66% dos entrevistados). A maioria (85%) valoriza o treinamento oferecido por sua empresa: 42% o veem como uma oportunidade, 23% como exigência e 32% como sendo um pouco de cada. Mais da metade (59%) dos entrevistados entende que o treinamento da empresa os ajudou a serem promovidos ou a expandir suas funções.
  • Liderança - Os profissionais acreditam que, para avançar, a liderança deve aceitar novas responsabilidades (54%), continuar a aprender (48%) e orientar outros funcionários (42%). Ao mesmo tempo, quando questionados sobre as principais dificuldades em liderar uma equipe de sucesso, os entrevistados citaram falta de habilidades interpessoais (50%), falta de habilidades de comunicação (44%) e falta de clareza quanto à função (39%).
  • Soft skills - Apesar da crença de que soft skills - comunicação eficiente, capacidade de gerenciar mudanças e inspirar outros (citadas por 55%, 47% e 45%, respectivamente) - são as habilidades de liderança mais importantes, somente 38% dos entrevistados dizem que suas empresas oferecem esse tipo de treinamento em comparação com 53% que afirmam receber treinamento em habilidades técnicas.
  • Pagamento e promoções - De acordo com a pesquisa deste ano, um número equivalente de mulheres e homens (54%) pediu promoção, um salto significativo se compararmos com 47% dos homens e apenas 40% das mulheres no ano anterior. Além disso, mais membros da geração Y pediram aumento (68%) e promoção (59%) este ano, comparados aos profissionais da geração X (64% e 52%, respectivamente) e baby boomers (59% e 51%, respectivamente).
  • Satisfação com o trabalho - A satisfação com o trabalho caiu para 44% em comparação com 52% em 2013. A sensação de ser mal pago é o principal motivo. Contudo, "longas jornadas e carga de trabalho muito pesada" subiu de 20% no ano passado para 31% este ano. A geração Y é mais propensa a dizer que sua jornada é muito longa (33%), em comparação com baby boomers (28%) e a geração X (30%).
  • Pais que ficam em casa - Metade de todos os entrevistados (51%) disse que abandonaria seu emprego e ficaria em casa cuidando dos filhos se isso fosse financeiramente viável, um aumento significativo em relação ao ano passado (37%).

Batizado de #ListenLearnLead (Ouça, Aprenda, Lidere), o estudo da Accenture consiste em uma pesquisa online feita em novembro de 2014 com 3.600 profissionais - de iniciantes a gerentes - de empresas de médio e grande porte.

Foi realizada em 30 países (incluindo o Brasil), onde cada nação contou com a participação de pelo menos 100 entrevistados. Eles foram divididos igualmente por gênero, idade e nível operacional em suas organizações.