Até onde os pais devem se preocupar com a relação entre crianças e videogames?

Por Redação | 14.01.2013 às 06:05

Todos os dias os pais são bombardeados com diversas notícias de que videogames podem tornar as crianças mais agressivas, antissociais, ou até mesmo chegar ao cúmulo de fazê-las entrar em uma escola primária e atirar para todos os lados, como fez Adam Lanza.

Mas até onde tudo isso é verdade? Muitos profissionais também afirmam categoricamente que não existe ligação comprovada entre atitudes violentas e o hábito de jogar. Winda Benedetti, repórter - e mãe preocupada - da NBC News, entrevistou dois psiquiatras para entender melhor a respeito da saúde mental dos jovens e a relação com os videogames.

O Dr. Matthew Chow é diretor clínico de telepsiquiatria de um hospital infantil, e o Dr. Tyler Black é diretor clínico da unidade de emergência psiquiátrica do mesmo hospital, que fica em Vancouver, no Canadá. Os dois têm trabalhado com crianças e adolescentes que lidam com uma série de questões, incluindo distúrbios psiquiátricos, de violência e vício. Além disso, os dois psiquiatras também jogam videogames nas horas vagas.

Durante a conversa, eles foram questionados a respeito da associação que tem sido feita entre os jogos e tiroteios em massa que aconteceram recentemente, principalmente nos Estados Unidos. Dr. Black disse que "é muito mais fácil apontar um videogame e dizer: 'Esse é o problema', do que olhar para nossa própria sociedade, nossas leis, nossos próprios pontos de vista sobre a saúde mental, e os nossos próprios sistemas na promoção de uma sociedade saudável".

Criança jogando video game

Dr. Chow ressaltou que já viu comportamento violento em pessoas que jogam videogames, da mesma maneira que também já viu o mesmo tipo de atitude partindo de pessoas que não o fazem. Ele ainda faz questão de dizer que "dito isso, é cada vez mais difícil encontrar pessoas que nunca jogaram pelo menos um videogame".

Eles ainda alegam que as pesquisas que apontam uma forte ligação entre comportamentos violentos e games podem ser bem tendenciosas. "Muitos artigos são publicados com a intenção de tornar seus 'resultados' em manchete, como evidência de uma ligação entre as crianças, violência e videogames", explica Dr. Black.

Para finalizar, Dr. Chow explica que não existe uma regra para o assunto, que os pais devem sempre ponderar e manter uma conversa aberta com seus filhos, principalmente para saber se eles ainda estão se divertindo enquanto jogam determinado game. Afinal, esse é o propósito. Uma outra boa opção seria que os pais jogassem junto com seus filhos. Além de entender melhor como eles se comportam perante o jogo, isso pode ser bom para o relacionamento entre eles.

"As pessoas gostam de rotular as coisas como boas ou más com a intenção de tornar o mundo mais simples. Infelizmente, a maioria das coisas não são tão preto e branco. Por exemplo, temos ouvido muitas notícias sobre tempestades e inundações nas últimas semanas. Você pode se sentir tentado a concluir que "água" é uma coisa muito ruim. Ela destruiu as casas e os comércios das pessoas. Ela ainda matou algumas pessoas. Felizmente, nós não estamos ouvindo comerciais para proibir água, porque as pessoas sabem que seria ridículo. Com os videogames é igual. Eles não são nem bons nem maus. Eles podem ser ambos", diz o Dr. Chow.