Aposentada é internada em São Paulo para tratar vício em internet e jogos online

Por Redação | 26 de Março de 2015 às 15h55
photo_camera Foto: Reprodução

O vício em internet não é um mal que atinge somente os jovens. Depois de passar quatro anos praticamente vivendo em frente a um computador, uma aposentada de São Paulo perdeu o controle de sua vida real e percebeu que precisava de ajuda.

Isabel Ferreira, de 54 anos, já está há quatro meses lutando contra o vício e redescobrindo os prazeres de atos simples, como uma breve caminhada ao ar livre. Ela precisa ficar em tratamento, pelo menos, por mais três meses. Por enquanto, ela ainda não está acessando computadores, mas depois o consumo será permitido, porém limitado.

A aposentada foi internada a pedido de seus familiares, como suas duas filhas, que contam que Isabel ficava conectada 24 horas por dia. Nos últimos dois anos, ela mal saía de casa e comia em horários aleatórios e sempre na frente do computador. Ela chegou a engordar quase 40 kg.

Ela conta que perdeu o controle do tempo que passava na internet quando começou a aceitar convites de amigos para um jogo de RPG, que era disputado online e em tempo real. Ela diz que o que ela mais queria era vencer os desafios e evoluir o personagem. "Comecei a ter contato com pessoas que jogavam e, quando não estava jogando, estava falando sobre o jogo com elas, também pela internet", desabafa.

O problema ficou ainda mais grave há dois anos, quando Isabel chegou a ficar mais de dois dias conectada e sem dormir. Para ela, parecia que estava jogando há apenas uma hora. A família também foi deixada de lado. "Eles me chamavam para sair e eu não ia. Eu comia, bebia, fazia tudo em frente ao PC. Passei a não fazer o meu serviço de casa e a nem interagir com minha filha, só o mínimo. Meu mundo era o computador", conta a aposentada.

A solução precisou ser drástica, pois Isabel não entendia que estava precisando de ajuda. A decisão foi afastá-la completamente da internet, além de passar por tratamento em uma clínica dedicada principalmente a dependentes químicos.

Isabel diz que só reconheceu o nível do vício quando leu a carta de um irmão, que a fez perceber que o problema era grave e estava magoando a sua família. Então, ela foi levada para o Centro Terapêutico Araçoiaba da Serra, na região metropolitana de Sorocaba, onde está sendo acompanhada pela psicóloga Ana Leda Bella.

"Estamos primeiro fazendo um trabalho de reprogramação do cérebro, de condicionamento, para livrá-la do problema. Depois, iremos trabalhar a necessidade de limites e, ao sair daqui, ela certamente poderá utilizar o computador e a internet, mas de uma forma mais equilibrada", afirma a psicóloga.

A dependência de internet, jogos e computadores é mais comum do que se imagina. Ana Leda também comenta que o vício já foi classificado pelas autoridades mundiais da área como uma doença mental.

Via Uol

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