Adultos jovens mostram mais crueldade no Facebook que no dia a dia

Por Redação | 19 de Fevereiro de 2014 às 08h40

Adultos jovens, entre 18 e 20 anos de idade, possuem uma forte tendência a fazer comentários cruéis, negativos ou desagradáveis com outras pessoas por meio das redes sociais, em especial no Facebook. A proteção que a tela do computador oferece e a capacidade de falar com alguém sem ver suas expressões faciais deixa as pessoas mais livres para dizer o que querem sem se preocupar com as consequências imediatas. A constatação é de uma pesquisa feita na Escola de Gestão da Informação, da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia.

A pesquisa foi chefiada pelo cientista Val Hooper, professor associado e coordenador da instituição. Ele realizou entrevistas com jovens entre 18 e 20 anos, considerados “adultos jovens”, para determinar o que eles consideravam como comportamento aceitável ou inaceitável nas redes sociais. Um grande número dos entrevistados admitiu, segundo reportagem do Phys.org, que a avaliação do que seria um comportamento aceitável acontece, basicamente, observando e copiando o comportamento dos outros.

“Eles vão tentar alguma coisa [um comentário mais agressivo, por exemplo] e, em seguida, observam para ver até que ponto os seus amigos do Facebook sancionam o comportamento. A reação que recebem determina como eles desenvolvem suas normas de interação” diz Hooper. A maioria dos entrevistados também disse acreditar que havia diferenças no modo em como as pessoas se comportavam no Facebook e no mundo off-line.

Assim, a pesquisa constatou que a interação física reduzida aliada à proteção oferecida pela tela do computador e a capacidade de falar o que quer que seja a outras pessoas sem que seja possível observar suas expressões faciais (como o choque ou reação emotiva a uma agressão por escrito) acaba criando a sensação de liberdade para comentários mais agressivos, desagradáveis ou até mesmo cruéis sem que haja a mínima preocupação com o sentimento alheio.

“Se você publicar algo doloroso, você não vai ver a dor nos olhos do destinatário”, explica Hooper. “Você também tem tempo para pensar sobre como suas palavras podem ter um impacto mais poderoso numa publicação”. A pesquisa ainda demonstra preocupação com as implicações de um mundo on-line que não tem fortes diretrizes em termos de normas de comportamento.

“Há potencial para o que acontece on-line tenha um derivador para o ambiente real. Na verdade, temos visto evidências de que isso está acontecendo. Se os jovens se acostumam com o bullying digital, o que poderia impedi-los de levar essa prática mais violenta para o mundo off-line?”, questiona o relatório.

Apesar disso, a pesquisa também mostra o lado positivo das interações no Facebook. Segundo o estudo, a rede pode oferecer muitos benefícios, especialmente para os jovens que estão se esforçando para estabelecer sua identidade como jovens adultos. Alguns entrevistados relataram experiências positivas e mencionaram a possibilidade de conversar com velhos amigos, conhecer melhor as pessoas que já são do círculo social real e conhecer novas pessoas como coisas boas.

Por outro lado, a maioria das experiências negativas estava associada à segurança, privacidade e publicações indesejadas. Por exemplo, a maioria deles indicou que não queria ver na rede uma informação muito pessoal, particularmente os problemas e informações privadas, a exemplo de detalhes românticos e sexuais. As pessoas também sentiram a obrigação de fazer amizade com pessoas que normalmente evitam no mundo off-line. Muitos admitiram que tinham amigos no Facebook que realmente não gostavam.

“Isso tem levantado algumas questões interessantes que valeria a pena explorar mais. Por exemplo, se somos supostamente mais livres on-line, por que existe a obrigação de aceitar convites de amizade desagradáveis?”, questionou o pesquisador ao fim do estudo.

Canaltech no Facebook

Mais de 370K likes. Curta nossa página você!