Crítica - Trailers de Esquadrão Suicida são melhores do que o próprio filme

Por Gustavo Rodrigues | 02.08.2016 às 17:46
photo_camera Divulgação

Esquadrão Suicida é o filme mais divertido e colorido que a Warner Bros produziu para o Universo Estendido da DC, mas ele tem problemas narrativos realmente grandes, assim tornando a história escrita e dirigida por David Ayer um caos. Ao contrário do que os trailers mostravam, a fluidez sonora e de edição não funcionam da mesma forma que no produto final, deixando apenas alguns personagens evoluírem o suficiente a ponto de você compreender as motivações deles.

Na trama, Amanda Waller (Viola Davis) é uma agente do governo que cria uma força-tarefa formada por criminosos de uma prisão de segurança máxima para lidar com super-humanos, já que depois da aparição do Superman é preciso pensar em como se defender dessas "divindades". O esquadrão não pode ser conhecido publicamente e se algo der errado, os membros dele são os responsáveis – caso não sejam mortos pelas regras estipuladas pela própria Waller.

A premissa de Esquadrão Suicida é bastante simples: vilões que precisam participar de algo que não desejam a mando de alguém que pode tirar o pouco que eles ainda têm de valioso na vida. Entretanto, o roteiro de David Ayer precisa apresentar muitos rostos novos ao público, o que demanda tempo de tela suficiente para desenvolvê-los. O primeiro ato do longa é uma grande sequência de flashbacks conduzidos pela Amanda Waller para apresentar cada membro da força-tarefa que ela deseja montar. Como nem todos os personagens são relevantes, a produção nem se preocupa em dar o background de um deles, deixando claro que ele não tem muito a acrescentar para a história – algo que já era de se esperar pelo que havia sido mostrado nos trailers.

Por ordem de relevância, o Esquadrão Suicida tem cada personagem apresentado. Pistoleiro (Will Smith) é o verdadeiro protagonista do longa, por isso é o primeiro a ter seu passado contado. Seguido dele, há a relação entre Arlequina (Margot Robbie) e Coringa (Jared Leto), que rende uma cena linda dos dois dançando, algo que vai agradar os fãs mais fervorosos do casal psicótico. Depois dos dois, os outros selecionados por Waller tem muito menos tempo de tela para a introdução do background deles, deixando claro que o foco da trama eram os inimigos com passado direto ao Batman (Ben Affleck).

Amanda Waller

Essa introdução em flashback é um dos problemas de edição. Cada personagem tem suas descrições escritas na tela, mas não há tempo suficiente para lê-las. Os membros possuem músicas próprias para suas introduções, o que não é problema, se bem construído, mas em pouco tempo de filme você sente que houve uma poluição sonora que não criou vínculo com a trama e só gerou desconforto. Enquanto as músicas não funcionam precisamente, a trilha das cenas de ação são muito mais fluidas.

A edição ainda traz uma sensação de desconforto em relação a como as piadas perdem seu timing. Por exemplo, a cena da vitrine envolvendo a Arlequina parece extremamente desconexa com o que acontecia anteriormente, sendo apenas jogada ali porque era o momento mais fácil de encaixá-la. Algo que volta a acontecer no terceiro ato, que destoa de todo o filme por ser mais grandiloquente do que realmente precisava, ao cortar rapidamente as ilusões criadas pela Magia (Cara Delevigne).

Poucas atuações realmente chamam atenção na produção, mas é inegável de que Viola Davis é o grande nome do elenco. Ela consegue entregar a Amanda Waller ardilosa, poderosa e destemida que conhecemos dos quadrinhos e animações. Margot Robbie torna a Arlequina uma personagem divertida e carismática na tela, mas que poderia ter um desenvolvimento mais profundo do seu problemático relacionamento com seu pudinzinho. Contudo, a grande surpresa é El Diablo (Jay Hernandez). O mexicano com poderes flamejantes é o membro do Esquadrão Suicida com a melhor evolução narrativa de toda a história. Ele começa com uma motivação coerente, que ganha mais força conforme mais tempo de tela ele recebe.

El Diablo

Em compensação, o Coringa de Jared Leto é uma das atuações mais exageradas do filme. O Palhaço do Crime precisa ter uma versão muito diferente das anteriores, feitas por Heath Ledger e Jack Nicholson, devido ao universo da produção de David Ayer, mas é um item de luxo para a história. Ele é importante para o passado da Arlequina, mas depois só ganha espaço de tela para cenas irrelevantes na estrutura narrativa ou como preparação para o filme do Homem-Morcego – que participa de três momentos da trama, sendo eles uma perseguição, uma aproximação a um vilão que soa como um absurdo para o cânone do vigilante de Gotham City e uma cena durante os créditos má roteirizada.

Esquadrão Suicida não consegue ser o acerto que a Warner Bros precisa para o Universo Estendido da DC nas telonas por não conseguir contar uma história simples de uma forma agradável. O que mais assusta é que os elementos que mais chamam atenção nos trailers de divulgação do filme são os mais falhos do produto final: edição e trilha sonora. Não dá para saber se as regravações que a produção foi obrigada a fazer prejudicaram o corte final de David Ayer, mas é inegável que o longa desperdiçou o potencial que tinha de ser a redenção do estúdio nas adaptações de super-heróis.