Spielberg retorna às boas histórias infantis em O Bom Gigante Amigo

Por Gustavo Rodrigues | 27 de Julho de 2016 às 17h00

O Bom Gigante Amigo marca o retorno de Steven Spielberg à direção de filmes infantis, no qual ele conduziu por último em 1991, com Hook - A Volta do Capitão Gancho, mas que eternizou seu nome neste estilo anteriormente com o clássico E. T. - O Extraterrestre. Na adaptação cinematográfica do livro de Roald Dahl, a amizade entre os personagens de Mark Rylance e Ruby Barnhill é o grande condutor da trama, que também encanta nos aspectos visuais.

Na trama, Sophie (Ruby Barnhill) é uma jovem garota que vive num orfanato até o dia que encontra o Bom Gigante Amigo, um gigante de bom coração que é considerado uma pária para os outros de sua espécie por não se alimentar de crianças, e acaba sendo levada por ele para uma terra misteriosa e longínqua.

Bom Gigante Amigo

Inevitavelmente, um dos aspectos que mais chamam atenção em O Bom Gigante Amigo é o visual. Como o longa precisa criar uma versão crível de vários elementos fantásticos da história, os efeitos especiais são um dos pontos mais relevantes na produção do longa. Os gigantes são todos interpretados por captura de movimento, assim permitindo com que a atuação dos atores dê ainda mais vida aos gigantes. Os ambientes são muito bem produzidos, seja por computação gráfica ou construídos em estúdio, o que torna ainda melhor a fotografia do filme.

Assim como em outros longas que tiveram a participação de Spielberg em direção, produção ou roteiro, O Bom Gigante Amigo tem uma história simples que é conduzida pelo relacionamento dos dois personagens principais - Sophie e BGA, apelido que o gigante recebe. A inocência que envolve a amizade entre os dois é um dos encantos que a adaptação cinematográfica consegue levar para as telonas. Não se vê mais contos desse estilo nas produções atuais, o que gera um ar de estranheza para algo tão simples nos mais velhos e que pode ser tedioso aos mais jovens.

Entretanto, a simples história de amizade entre criança e gigante não daria certo se as atuações de Ruby Barnhill e Mark Rylance não fossem convincentes. Sophie mostra coragem desde seus primeiros minutos de tela, mas encanta na forma que aplica imponência nos seus diálogos, seja com o gigante ou qualquer outro personagem. BGA tem sua forma própria de comunicar-se, já que tem dificuldade de formar frases perfeitamente compreensíveis, mas o que o torna único é seu tamanho diminuto em comparação aos outros gigantes. Enquanto eles são grandes, lentos e burros, o personagem de Rylance é mais ágil e inteligente. A sintonia que ele e Sophie constroem no decorrer da história mostra o talento dos dois atores e uma ótima direção, já que um participa normalmente nas gravações, enquanto o outro é filmado apenas em captura de movimento.

Bom Gigante Amigo

O Bom Gigante Amigo parece uma produção fora do seu tempo, já que sua história pura e inocente é atípica à atualidade, até mesmo ao fazer piadas exageradas com uma bebida borbulhante que causa flatulências, mas não perde a qualidade pela competência da direção de Steven Spielberg, as ótimas atuações dos personagens principais, o visual encantador e a sempre eficiente trilha sonora de John Williams.

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