Os 5 melhores filmes sobre serial killers reais

Por Laísa Trojaike | 30 de Agosto de 2019 às 11h12
Warner Bros.

A segunda temporada de Mindhunter reacendeu a curiosidade de muita gente sobre serial killers. A ficção está repleta deles, que são a base de muitos filmes slashers, como O Maníaco (de William Lustig, 1980) e Pânico (de Wes Craven, 1996), e de clássicos como Psicose (de Alfred Hitchcock, 1960), Seven: Os Sete Crimes Capitais (de David Fincher, 1995) e Silêncio dos Inocentes (de Jonathan Demme, 1991).

Fã de A Tortura do Medo (de Michael Powell, 1960) e questionadora das bizarrices humanas, pergunto-me se não há um certo grau de voyeurismo macabro em quem gosta de ver um cara que faz roupas de pele humana, por exemplo. Ouso dizer, inclusive, que precisamos questionar o sadista que há dentro de nós, seja porque gostamos de filmes sobre assassinos, seja porque assistimos ao sangrento noticiário local – quanto não temos do personagem de O Abutre (de Dan Gilroy, 2014)?

A verdade é que, quando vemos um caso fictício ou real de serial killer, ele geralmente nos fascina como algo exótico: o(a) assassino(a) é um ser humano, porque é da nossa espécie, mas, ao mesmo tempo, demonstra que seu modo de ver o mundo é muito deturpado se comparado ao nosso: matar alguém já não é uma questão de certo e errado, mas de bem e mal, invocando um maniqueísmo que não é muito adequado a outros assuntos.

A ficção nos concede o conforto de se permitir gostar de algo que é definitivamente mal, de apreciar uma morte esteticamente, porque sabemos que ninguém foi de fato ferido, que aquele sangue é cenográfico e que aquele assassino está limitado às possibilidades do filme: é tudo apenas imagem e som. O documentário, por outro lado, nos mostra uma interpretação de fatos, com arquivos que existem, mas não nos mostra os assassinatos em si, restando muitas dúvidas sobres os atos: Como o seria killer agia? Como interceptava suas vítimas? Como matava? E, o mais curioso, como não era rapidamente capturado? A ficção baseada em fatos une o melhor dos dois mundos: a história é assustadora, porque é real, mas também podemos ver a recriação livre e artística, fiel ou não, de um personagem absolutamente macabro.

Henry: A Sombra de Um Assassino (1986)

Imagem: Maljack Productions

Não só de Ed Gein vive o cinema sobre serial killers. O não tão conhecido Henry Lee Lucas rendeu um dos mais elogiados filmes do gênero, com Michael Rooker (The Walking Dead, Guardiões da Galáxia) no papel principal. O filme é tão visceral que é um dos poucos que atinge o gênero terror, ao invés de ser classificado como drama, suspense, crime ou policial. Aqui não tem muito espaço para a brincadeira de gato e rato entre polícia e assassino: o ponto central é a mente do serial killer.

Michael Rooker, em parceria com o diretor John McNaughton, cria um personagem que vai muito além do mero assassino a serviço de um espectador ávido por sangue. A ideia de que pessoas como Henry possam existir transborda do filme e atinge o que nos é mais caro: nossa vulnerabilidade.

O Despertar de Um Assassino (2017)

Imagem: Ibid Filmworks

Baseado no quadrinho homônimo de John Backderf, O Despertar de um Assassino é uma perspectiva nova e cativante de um dos serial killers mais explorados pela TV e pelo cinema.

Focado em um Jeffrey Dahmer adolescente, o filme tem a liberdade de explorar o meio termo entre as causas da sua condição mental e o assassino completamente maduro. Rapidamente o roteiro passa de uma trama cômica adolescente para algo completamente bizarro e sério, uma abordagem revigorante e nova para o tema.

Muitos filmes costumam mostrar logo de início que os assassinos são maus, terríveis e fazem isso através da caracterização do personagem e das atuações, que geralmente tem um olhar enlouquecido ou incrivelmente frio. O Despertar de um Assassino nos lembra que muitos serial killers eram pessoas aparentemente incríveis: gentis, inteligentes, educados, simpáticos e até muito bonitos.

O Despertar de um Assassino pode ser assistido pelos assinantes do Telecine Play.

Helter Skelter (1976)

Imagem: Helter Skelter

Não tão grotesco quanto muitos outros, Charles Manson é notório sobretudo pelo assassinato de Sharon Tate, que, além de atriz, modelo e companheira do cineasta Roman Polanski, também estava grávida de nove meses quando foi atacada pelos membros da Família Manson.

Helter Skelter tem como base direta do roteiro as informações cedidas por Vincent Bugliosi, promotor do caso contra Charles Manson, o que traz para o filme uma sensação de menos ficção. Steve Railsback está completamente insano como Manson e é realmente assustador como ele demonstra que, não importa o que aconteça, saiu ganhando. Muitos anos após o filme, que exagera na dramaticidade da justiça e acentua o fanatismo dos réus, sabemos que Manson continuou muito bem na prisão, namorando, recebendo cartas de fãs e vendendo objetos autografados.

Ainda que com um grande foco no julgamento de Charles e da Família Manson, o filme não deixa de ser gráfico: os assassinatos são explícitos e o sangue é vermelho como somente o ainda recente cinema em cores era capaz de mostrar – em 1971, The Other Side of Madness, de Frank Howard, havia trazido os assassinatos para o cinema, mas ainda era em preto e branco.

Monster: Desejo Assassino (2003)

Imagem: California Filmes

Alguns serial killers têm prazer no que fazem, outros matam por algum tipo de vingança pessoal, alguns são pessoas doentes apenas. Apesar de poderem ser rotulados, eles não são todos iguais e alguns podem não ser o puro mal. Charlize Theron não apenas deu profundas e múltiplas dimensões para Aileen Wuornos: ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz.

Escrito e dirigido por Patty Jenkins, o filme tem uma abordagem muito mais questionadora que muitos filmes do gênero: há uma sensibilização sobre as condições de vida e a situação psicológica da assassina, não apenas um julgamento estereotipado e sensacionalista sobre seus crimes.

Anos depois escolhida para ser a diretora de Mulher-Maravilha (2017), Patty Jenkins demonstra um olhar sobre formas de feminino que é indispensável para uma adaptação da vida de Aileen Wuornos, que declarou seu ódio sobre os homens e sobre a vida como um todo.

Zodíaco (2007)

Imagem: Warner Bros.

David Fincher, que, além de ter Seven: Os Sete Crimes Capitais na sua filmografia, também dirige e produz Mindhunter, criou uma verdadeira obra-prima policial com Zodíaco.

Nunca encontrado, o Assassino do Zodíaco é apenas um grande amontoado e quebra-cabeças e mortes que enlouqueceram o norte da Califórnia. Mesmo as mortes não são todas confirmadas.

Esse é, portanto, um filme de serial killer que tem quase nada sobre o assassino, mas mostra uma das características que mais nos atraem: sua inteligência e capacidade de brincar com a publicidade e com a polícia sem ser pego.

Além disso, o filme ainda conta com a presença de Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr., todos com atuações de tirar o fôlego durante as incríveis 2 horas e 37 minutos de filme. Para quem tiver interesse, o filme está disponível no catálogo da Netflix e disponível para compra e/ou locação na PlayStation Store, Play Store, iTunes e Looke.

Menções Honrosas

Do Inferno (de Albert e Allen Hughes, 2001): Johnny Depp encarna o inspetor que investiga os assassinatos do lendário Jack, O Estripador em uma adaptação da graphic novel de Alan Moore e Eddie Campbell.

M - O vampiro de Düsseldorf (de Fritz Lang, 1931): Clássico do expressionismo alemão, o filme é inspirado em Peter Kürten, que cometia crimes diversos, incluindo abuso sexual e assassinato de crianças.

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