Oculus quer criar personagens com inteligência artificial

Por Redação | 01.08.2015 às 11:30

No início do ano, a Oculus VR, empresa comprada pelo Facebook no ano passado, anunciou que estava desenvolvendo conteúdos originais compatíveis com o seu dispositivo de realidade virtual, o Oculus Rift. A primeira investida do Oculus Story Studio foi o curta-metragem Lost, que não causou muito alarde e permitiu que a companhia aprendesse como lidar com a criação de histórias de realidade virtual.

A equipe do estúdio é composta por um pequeno time de estrelas de cinema, incluindo o ator Elijah Wood (o eterno Frodo de O Senhor dos Anéis), e desenvolvedores de games que querem explorar o "cinema imersivo". Agora, a empresa acaba de lançar Henry, seu segundo curta animado de realidade virtual. O filme foi criado usando a Unreal Engine 4, e como um vídeo de 360 graus, oferece muitas técnicas interessantes que permitem ao espectador seguir a narrativa enquanto pode olhar para qualquer direção do cenário.

Henry conta a história de um porco espinho que é abandonado por seus amigos no dia da sua festa de aniversário. Diferente da maioria dos conteúdos feitos para dispositivos de realidade virtual, o título não aposta em emoções, como medo e suspense, para impactar seus espectadores, mas sim na empatia. Isso pode significar o primeiro passo da Oculus rumo à criação de personagens com inteligência artificial.

O diretor de Henry, Ramiro Lopez, que trabalhou em animações como Universidade Monstro, contou ao Engadget que o modo como as pessoas iriam se conectar emocionalmente ao protagonista sempre foi uma grande questão. "Tínhamos esse personagem com um problema óbvio: ele quer abraçar as pessoas, mas ele possui muitos espinhos. Então essa foi a conexão óbvia, porque todos merecem um amigo", explicou o diretor. Ele disse ainda que a ideia é que Henry faça as pessoas pensarem que sempre irão encontrar alguém que vai aceitá-las como elas são, o que é definitivamente uma linguagem universal.

Henry foi inicialmente concebido como uma comédia, mas no final das contas a equipe optou por algo mais emocional, que muitas vezes chega a ser triste. "Você quer dar um abraço nele", disse o diretor de criação, Max Planck. A lição foi dada pela Pixar, cujas produções ensinaram à equipe do Oculus Story que para fazer as pessoas rirem é preciso fazer com que elas realmente se importem com um personagem.

Para alcançar essa conexão emocional com o espectador, a equipe por trás de Henry se apegou a um aspecto interativo fundamental: Henry olha diretamente para quem está assistindo seu filme durante cenas emotivas, com direito a olhos grandes ao estilo Gato de Botas.

Um passo em direção aos personagens do futuro

O porco espinho interativo de Henry é, na verdade, uma versão em menor escala de um projeto muito mais ambicioso: um personagem com inteligência artificial que reage ao espectador em tempo real. A equipe do Oculus Story Studio explica que, no futuro, personagens poderão compartilhar suas emoções e aventuras conosco de uma forma muito diferente.

Durante o processo criativo de Henry, eles incorporaram um pouco dessa lógica ao fazer com que o porco espinho acompanhasse o movimento dos olhos dos espectadores. No final das contas, eles optaram por deixar esse recurso de fora, pois a equipe sentiu que isso interromperia o fluxo da narrativa, uma vez que o espectador não faz parte da história. A empresa ainda está trabalhando na implantação da inteligência artificial em seus personagens, uma vez que isso poderia influenciar no papel do diretor, que atualmente é o responsável por decidir quando os eventos acontecem e como o personagem deve agir.

O Oculus Rift deve ser comercializado em 2016. Apesar de Henry já estar finalizado, o curta deve ser remasterizado para adicionar novos jogos de câmera, suporte para os novos controles de toque do Oculus e o "teletransporte" dos espectadores para dentro da animação, o que permitirá que o personagem interaja com seus estímulos.

Apesar das criações, o objetivo do Oculus Story Studio não é criar filmes premiados, mas sim um guia educativo para a indústria. "A ideia não é transformar o Story Studio na Warner Bros. Estamos tentando atingir nosso objetivo, que sempre foi o de dar aos desenvolvedores [de conteúdo] as ferramentas necessárias para que eles criem para o Oculus VR, independente de quem eles sejam", explicou o fundador da empresa, Palmer Luckey.

Henry Oculus

Henry (Foto: Divulgação/Oculus Story Studio)

Fonte: Engadget