Netflix vai produzir filme sobre escândalo do Panama Papers

Por Redação | 01.08.2016 às 18:55
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A história por trás da divulgação dos milhares de documentos investigativos do Panama Papers vai ganhar um filme pelas mãos da Netflix. A companhia anunciou na última semana ter adquirido os direitos para uma adaptação, que será comandada pelo produtor John Wells (The West Wing: Nos Bastidores do Poder).

O projeto será baseado no livro Panama Papers: Breaking The Story Of How The World’s Rich and Powerful Hide Their Money (Panama Papers: Destrinchando a história de como os mais ricos e poderosos do mundo escondem seu dinheiro, na tradução livre), escrito pelos autores Bastian Obermayer e Frederik Obermaier, os primeiros a divulgarem o vazamento e coordenarem o grupo de jornalistas que publicou os arquivos.

Além de Wells, os jornalistas vão colaborar com Claire Rudnick Polstein e o produtor executivo Zach Studin. Também faz parte da produção o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), sediado em Washington e que também esteve envolvido na divulgação do escândalo. Ainda não foi definido o elenco, nem quando começam as gravações, e uma data de lançamento para o filme estrear no serviço de streaming deve ser anunciada nos próximos meses.

Vale lembrar que esta não é a única produção cinematográfica sobre o Panama Papers. No início de julho, o diretor americano Steven Soderbergh (Che, Onze Homens e um Segredo) anunciou que vai produzir uma adaptação do caso. Esta, por sua vez, será baseada no livro ainda não lançado Secrecy World, do jornalista vencedor do Pullitzer, Jake Bernstein. O roteiro é assinado por Scott Z. Burns, que já trabalhou com Soderbergh em Contágio.

Sobre o Panama Papers

O Panama Papers é fruto de uma investigação feita pelo ICIJ sobre a indústria de empresas offshore, aquelas que podem ser usadas para esconder dinheiro e dificultar a origem de seus verdadeiros donos. O ICIJ, com apoio do jornal alemão Süddeutsche Zeitung, teve acesso a 11,5 milhões de documentos ligados ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca – daí o título "Panamá". Os arquivos vazados, que cobrem um período de 40 anos (de 1977 até o final de 2015), foram organizados por mais de 370 jornalistas de 76 países.

O acervo de documentos mostrou que a Mossack Fonseca, que tem escritórios em outros países, é uma das maiores criadoras de empresas de fachada do mundo. A documentação analisada apontou a criação de 214 mil empresas offshore ligadas a pessoas em mais de 200 países e territórios. As descobertas das investigações trazidas a público envolvem 140 políticos de mais de 50 países, ligados a empresas offshore em 21 paraísos fiscais. Nomes de chefes de Estado, ministros e parlamentares de vários países aparecem no Panamá Papers, incluindo o presidente russo Vladimir Putin. Até celebridades são citadas nos arquivos, entre elas Jackie Chan e Emma Watson.

No Brasil, a Mossack atendeu a pelo menos seis grandes empresas citadas na operação Lava Jato e pelo menos 57 pessoas ligadas ao processo. Além disso, o cruzamento de dados incluiu os 513 deputados federais, os 81 senadores e seus suplentes, os 1.061 deputados estaduais eleitos em 2014 e os 424 vereadores das 10 maiores cidades brasileiras. Entre os políticos citados direta ou indiretamente estão o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o usineiro e ex-deputado federal, João Lyra (PTB-AL).

Fonte: Coming Soon, com informações da Agência Brasil