Netflix pode lançar filmes no cinema para concorrer em Cannes

Por Redação | 11 de Maio de 2017 às 10h15

Em uma iniciativa inédita, a Netflix conta com nada menos do que dois filmes concorrendo na edição deste ano do Festival de Cannes, uma das mais prestigiosas mostras de cinema do mundo. Mas a presença de The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach (A Lula e a Baleia), e Okja, dirigido por Bong Joon-Ho (Expresso do Amanhã), pode marcar também a última aparição da empresa na premiação, já que uma mudança nas regras pode impedir participações futuras.

Em nota oficial, a produção do festival informou que, a partir da edição de 2018, todos os filmes a serem inscritos na mostra devem ser exibidos nos cinemas da França. Os responsáveis não citam a Netflix diretamente, mas deixam claro que a nova regra surgiu devido à ação de um “novo operador” participante, que levou a uma situação sem precedentes que vai contra os princípios do evento. Cannes afirma ter um compromisso com a indústria tradicional e os métodos clássicos de produção e distribuição, daí a criação da nova norma.

A medida também vem para atender às críticas e pressões de produtoras e cineastas independentes, que desde o anúncio dos competidores, em abril, vêm protestando contra a participação da Netflix no festival. Para eles, a presença de uma empresa que trabalha exclusivamente por streaming, e de filmes lançados desta maneira, não apenas representa concorrência desleal, mas também são contraditórias para um festival que celebra a arte do cinema em sua forma artística.

Em resposta dada antes mesmo da norma publicada nesta semana, a Netflix afirmou que tentaria resolver a disputa por suas próprias mãos, realizando, daqui em diante, o lançamento em cinema de filmes que desejar ver disputando em Cannes e outros festivais internacionais. A disponibilidade aconteceria de forma simultânea à chegada das produções em todo o mundo, por meio de streaming, e seria uma forma, para a companhia, de atender a esse mercado ao mesmo tempo em que contribui para o fomento da indústria tradicional de cinema.

E é justamente aí que está o grande imbróglio para a gigante. Uma lei federal francesa proíbe que filmes de cinema estejam disponíveis em serviços de streaming antes de completarem três anos desde seu lançamento. A regra, afirma a companhia, não se aplicaria a exibições especiais ou comemorativas, como as que seriam realizadas pela Netflix. Tais eventos, entretanto, serviriam como garantidores da participação de suas produções em festivais.

Rapidamente, a Federação Nacional de Cinemas Franceses (FNCF, na sigla em inglês), se posicionou contra a abordagem. Desde 2015, a organização se posiciona contra a Netflix com relação ao lançamento cinematográfico de suas obras, afirmando que, ao realizar supostas exibições eventuais e comemorativas, não contribui com a indústria, evitando pagar taxas e tributos que são obrigatórios para todas as distribuidoras do circuito comercial do país.

Além disso, as empresas questionam o caráter “cinematográfico” de obras criadas pensando no streaming, por mais que elas sejam exibidas nos cinemas. Mais uma vez, as críticas são com relação à forma diferente de produção e também quanto a uma suposta concorrência desleal, com o espectador tendo pouco incentivo para ir ao cinema quando pode assistir às produções em casa.

A Netflix não voltou a falar sobre o caso após a publicação da nova norma do Festival de Cannes. Apesar das alterações para o ano que vem, a mostra disse que vai manter a lista de indicados para 2017 como está, com os filmes da gigante do streaming no circuito de competição e chances de receber a famosa Palma de Ouro. As exibições começam no dia 17 de maio.

Fonte: The Hollywood Reporter

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