Internet x Hollywood: A influência da web no sucesso dos blockbusters

Por Gustavo Rodrigues | 25 de Julho de 2016 às 16h50

Hollywood tem enfrentado um obstáculo muito maior do que o habitual nos últimos anos: a repercussão de seus filmes pela Internet. Reações exageradas dos fãs a novos projetos, vazamento de conteúdo interno dos estúdios, crítica que diminui o sucesso de bilheteria de um longa muito aguardado e a criação de uma ação de marketing eficiente para a web são exemplos claros de questões que têm preocupado ainda mais os estúdios.

Deadpool é uma das poucas produções que utilizou a Internet com maestria. O longa só se tornou um projeto real pela Fox depois que o "vazamento" de um teste de gravação circulou pela web, o que rendeu vários elogios dos fãs do personagem e especialistas de quadrinhos. Ryan Reynolds voltaria ao papel que ele havia participado anteriormente no péssimo X-Men Origens: Wolverine, no qual o agente da Arma X foi totalmente deturpado, o que deu mais motivação ao ator para criar um projeto que desse certo.

Para isso, tanto Ryan Reynolds quanto a equipe de marketing da Fox criaram várias formas de promover o longa utilizando as características do Deadpool, assim agradando os fãs do personagem, criando empatia com quem não o conhece e apresentando um "herói" que não era tão conhecido para quem mais perde tempo na Internet: os jovens. A tática foi tão bem aplicada que o longa tornou-se a maior bilheteria baseada no universo mutante. X-Men: Apocalipse, que também estrou este ano, fez menos de US$ 200 milhões mundialmente que o longa do Mercenário Tagarela.

Ao contrário do que houve com Deadpool, a Warner Bros Pictures teve problemas com a visão que os críticos tiveram de Batman v Superman: A Origem da Justiça. A queda da bilheteria do filme foi gigantesca na primeira semana, algo que foi claramente influenciado pelos diversos reviews negativos que o longa do Zack Snyder recebeu dos especialistas, assim afugentando dos cinemas quem tinha ainda não tinha certeza se queria ver a adaptação com Ben Affleck no papel de Homem-Morcego.

Com menos de US$ 1 bilhão de bilheteria, quantia financeira que o estúdio esperava da produção, e o péssimo número de 27% de aprovação pelos críticos no site Rotten Tomatoes e apenas 65% do público geral, a Warner Bros teve que mudar alguns planos para a produção do longa da Liga da Justiça, que já mostra um tom bastante diferente no trailer divulgado na San Diego Comic Con 2016.

Para tentar criar uma visão mais positiva para os próximos projetos da Warner Bros, o estúdio liberou o embargo para os jornalistas que fizeram o set visit de Liga da Justiça cerca de uma semana depois, algo totalmente atípico, já que o normal são mais de 6 meses sem poder revelar o conteúdo do que foi visto da produção. Esta estratégia fez com que muitos elogios, inexistentes anteriormente, fossem vinculados ao universo expandido da DC.

Vale ressaltar que a Disney aproveitou essa visão negativa que Batman v Superman recebia dos especialistas para adiantar a primeira exibição de Capitão América: Guerra Civil para a imprensa, que foi muito elogiado por críticos e público, e pode ter minado um pouco da produção da DC.

Entretanto, quem realmente sofreu com a repercussão negativa pela Internet foi um reboot dos anos 80, não uma adaptação dos quadrinhos. Dificilmente um longa recebeu tantas críticas negativas do público antes mesmo de chegar aos cinemas quanto a versão protagonizada por mulheres do Caça-Fantasmas.

Quando a produção divulgou que o reboot teria quatro mulheres no lugar do quarteto masculino, a reação exagerada do público foi repleta de ataques, principalmente machistas. Entretanto, a hecatombe aconteceu realmente quando o primeiro trailer foi lançado. Mesmo que o vídeo fosse realmente fraco, ele não merecia a marca de trailer com o maior número de dislikes no YouTube.

Claramente, a Sony ficou preocupada com a visão do público para o filme, o que rendeu comentários ácidos do diretor Paul Feig contra aqueles que atacaram o novo conceito para a franquia. O conflito virou subtexto para o roteiro, já que piadas direcionadas ao ódio que era visto nos comentários do primeiro trailer tornaram-se piadas.

O ódio para a versão feminina de Caça-Fantasmas se manteve quando o longa chegou aos cinemas, mais da parte do público do que da crítica, que chegou ao seu ápice quando xingamentos contra a atriz Leslie Jones a afastaram do Twitter. Enquanto isso, a bilheteria do filme ainda precisa de US$ 22 milhões mundialmente para alcançar o preço de custo, o que não afasta a possibilidade de uma sequência.

Hollywood tem se mostrado inexperiente às grandes repercussões que os blockbusters recebem pela Internet, sendo muito raro os estúdios usarem desse artificio a favor. A indústria cinematográfica se preocupa mais em entender o que é tendência e transformá-la em produto, como o curta Lights Out se tornou filme recentemente ou o acordo entre Legendary e a Pokémon Company para levar o game Great Detective Pikachu às telonas, assim aproveitando a febre que Pokémon GO criou nas últimas semanas. Enquanto isso, as grandes produções se adaptam às perspectivas dos internautas ou lidam com a incerteza do sucesso de bilheteria.

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