Ideias inovadoras que podem tornar o cinema mais agradável e rentável

Por Redação | 20 de Abril de 2015 às 09h24

No ano passado, o mercado cinematográfico nos Estados Unidos sofreu uma queda de 15% em sua receita de bilheteria. Com a correção da inflação, o saldo foi considerado o pior dos últimos 17 anos. Os números continuam em queda e a preocupação com a "morte" do cinema assombra a indústria.

Uma série de fatores influencia essa queda: a facilidade dos serviços de streaming de vídeo, os famosos torrents que possibilitam assistir filmes que ainda estão em cartaz nas telonas e o preço.

Enquanto os usuários têm a opção de pagar R$ 17,90 por mês para ter acesso ilimitado ao acervo de filmes, desenhos, documentários e uma série de outros tipos de conteúdos oferecidos pela Netflix, por exemplo, o preço médio do ingresso de cinemas de São Paulo é mais caro do que o de Nova Iorque – na capital paulista se paga cerca de R$ 20 por um ticket. Isso sem falar nas opções gratuitas, como o Popcorn Time, que são uma saída para aqueles que não se importam em se envolver nas áreas moralmente cinzentas da pirataria.

Para tentar dar a volta por cima, as salas de cinema precisam investir mais em "experiência" ao invés de competir entre si por "conveniências". Elas precisam oferecer mais do que apenas uma maneira de assistir os filmes mais recentes. Veja algumas ideias que podem ajudar a agregar valor a experiência de ir ao cinema:

Muito além do filme

Existe uma série de oportunidades esperando para ser explorada quando o assunto é melhorar a experiência nas salas de cinema. Algumas dessas possibilidades já foram implementadas por estabelecimentos com visão de futuro e vários deles estão prosperando graças a isso.

Um exemplo óbvio é o IMAX. A experiência de assistir um filme naquelas telas enormes não pode ser replicada em casa, pois elas oferecem uma imersão sem igual – principalmente quando associadas à sistemas de som de alto nível.

A tela IMAX tem como padrão 22 metros de largura por 16 metros de altura, mas as dimensões podem ser maiores do que isso. Existe uma grande diferença entre assistir filmes como Avatar ou Interestelar em uma TV de 48 polegadas e em uma tela de cinema, mas a diferença é ainda maior quando falamos do IMAX – e essa diferença é vista também no preço dos ingressos. A marca também é vendida com o slogan "viva a experiência", de tanto que se diferencia de um cinema convencional.

O IMAX foi oficialmente lançado em Toronto, no Canadá, em 1971, e a primeira projeção no Brasil aconteceu em 1997. Hoje, diversas unidades do IMAX estão instaladas em diferentes capitais, como Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza, Recife e Porto Alegre, além de São Paulo.

Mas IMAX é só o começo. Algumas salas que oferecem o chamado "cinema 4D" permitem uma interação ainda maior com os filmes, com direito a cadeiras que se movem – simulando subidas e quedas –, máquinas que soltam fumaça, exalam cheiros, mudam de temperatura e algumas até mesmo reproduzem a chuva.

O Brasil foi o primeiro país da América Latina a receber esse tipo de sala de cinema e hoje conta com salas em São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Curitiba (PR) e Salvador (BA). É claro que o preço de tamanha imersão é bem salgado: em média R$ 70 por ingresso.

Recentemente, a rede AMC e a Dolby anunciaram uma parceria que traz uma nova tecnologia de projeção à laser e tenta levar a "sala de cinema do futuro" para outro nível. O conjunto traz a mais avançada tecnologia de som surround lançada pela Dolby, que exibe conteúdo dinâmico de grande alcance. Serão adicionados a isso novos projetores duplos com resolução 4K, criados ao lado da Christie, empresa especialista em telas de alta perfomance e, claro, cópias digitais masterizadas especialmente em HDR (High Dynamic Range ou "Grande Alcance Dinâmico").

Agora imagine se essas ideias de experiência fossem expandidas de forma mais criativa. Você gostaria de ir, por exemplo, a uma sala de cinema onde não houvesse nenhuma poltrona? Em vez disso fosse possível se acomodar em banheiras de água quente? Sim, isso já existe. O Hot Tub Cinema nasceu em Londres, mas já está atravessando fronteiras.

Os ingressos para cada filme custam 35 libras (cerca de R$ 140) e oferecem uma experiência completa, onde o filme não é a única atração. Após a sessão, um DJ coloca um som para rolar no local e a festa está liberada, com direito a petiscos e drinques.

E essa não é a única "sala" diferenciada que existe. Se dermos uma olhada nas 15 salas de cinema mais bonitas do mundo, iremos nos deparar com camas no lugar de poltronas, simuladores de drive-ins, entre outras ideias extremamente curiosas.

Hot Tub Cinema

Hot Tub Cinema

Partindo para esse conceito, que vai além de "apenas" exibir filmes com alta qualidade, veremos que muitas empresas estão evoluindo a ideia original e transformando a sala de cinema em uma espécie de restaurante, incluindo jantares durante a exibição. Essa ideia mostra que é possível ir além da pipoca, refrigerante e doces nas salas de cinema.

No Brasil, por exemplo, o público da rede Cinépolis VIP pode chamar um garçom dentro da própria sala por meio de um botão instalado na poltrona e pedir comidas e bebidas. O cardápio conta com uma série de opções que incluem vinhos, espumantes, cervejas, mini hamburguer, crepes, entre outros. Um abajur instalado entre cada dupla de sofás ajuda na hora de decidir o que pedir. É claro que tanto requinte tem seu preço: as sessões custam, em média, R$ 50.

CinépolisVIP

Sala do Cinépolis VIP em São Paulo (SP)

Privacidade

Salas privativas são um desdobramento ainda maior das experiências citadas acima. À primeira vista, essa ideia pode parecer um pesadelo logístico para os cinemas contemporâneos, mas isso é porque os atuais modelos de negócios dependem de enormes números de clientes. E se isso estiver errado?

Essa ideia apela para a oferta de experiências individualizadas de exibição de filmes. Em vez de ficar cercado por centenas de pessoas desconhecidas durante uma sessão, que tal alugar uma sala privativa, onde é cobrada uma taxa por pessoa? Atualmente vemos esse tipo de atendimento em locais como karaokês com salas exclusivas, onde grupos de amigos se reúnem para cantar sem precisar se preocupar com os ouvidos de desconhecidos.

A experiência seria parecida com um home theater de alto nível: inferior à qualidade de uma sala de cinema tradicional, mas muito melhor do que a televisão de casa. Mas se a qualidade de imagem é inferior ao cinema convencional, qual seria a vantagem? O valor agregado seria a opção de um espaço privado, a famosa exclusividade pela qual as pessoas adoram pagar.

Além disso, assistir a um filme sem pessoas falando ao seu redor, assentos muito mais confortáveis e espaçosos, comer e beber tranquilamente durante a exibição e a opção de pausar o filme na hora de ir ao banheiro não parecem más ideias.

No Brasil, a rede Cinemark oferece o aluguel de suas salas para eventos corporativos, aniversários, sessões fechadas, palestras, etc. O aluguel de cada sala pode custar entre R$ 2.400 e R$ 10.000, dependendo da opção, data e local escolhido.

Regras mais rigorosas

Se fizéssemos uma enquete perguntando às pessoas por que elas não vão mais ao cinema, a resposta número 1 seria Netflix. E não se trata apenas da questão do preço, citada anteriormente. As interrupções durante a exibição de um filme que você esperou anos para assistir contam; e muito.

A atual situação do mercado cinematográfico está ficando tão difícil, que dificilmente vemos pessoas que não param de falar, não desligam seus smartphones, ou têm qualquer outro tipo de comportamento indelicado, serem expulsas das salas de cinema.

Um exemplo da aplicação de regras mais rígidas é o Alamo Drafthouse Cinema. Fundado em 1997 no Texas (EUA), ele é famoso por sua política rigorosa, onde crianças com menos de 6 anos de idade são proibidas de entrar no local e menores de 18 anos entram apenas acompanhados de um adulto. Além disso, quem fala durante a sessão ou envia mensagens de texto é expulso.

Achou exagerado? Pois saiba que o Alamo Drafthouse está gerando mais receita do que o AMC, Regal Cinemas e Cinemark, que são as maiores cadeias de cinemas dos Estados Unidos. É tudo uma questão de proporcionar a experiência que o espectador deseja e com certeza ele irá voltar.

Alamo Drafthouse

Alamo Drafthouse Cinema

Assista de graça, mas pague pelas regalias

As microtransações são uma das maiores tendências da indústria dos jogos nos últimos cinco anos. Por quê? Porque elas são rentáveis. Os games Free 2 Play (Grátis para Jogar), que permitem que as pessoas joguem gratuitamente, conseguem se popularizar por meio do boca a boca, já as microtransações permitem que as pessoas paguem por aquilo que elas querem.

Para quem não conhece o termo, microtransações se referem a vendas de itens individuais, habilidades, ou outro tipo de conteúdo de um game por um preço geralmente baixo.

Enquanto a maioria dos usuários nunca gasta um centavo, os mais viciados acabam gastando milhares de reais, subsidiando os gamers que nunca pagam por nada. Mas será que esse mesmo formato poderia ser aplicado aos cinemas? Se for bem implementado, é possível que sim. A dificuldade está em determinar qual seria o modelo correto a ser adotado.

O que acontece nesse formato de negócio é que o termo "grátis" atrai multidões. Se quem adota o modelo deseja ser bem sucedido, tem que capitalizar esse fato. Trazer as pessoas para dentro das salas gratuitamente é fácil, levá-las a comprar alguma coisa lá dentro é que o verdadeiro desafio.

Mercadorias são sempre uma grande possibilidade. Por exemplo, se você assistir Interestelar de graça e simplesmente amar a trilha sonora do filme, é bem provável que você queira comprar um CD logo na saída da sala. O mesmo acontece com pôsteres, DVDs, roupas, etc. Outra área que merece destaque é a possibilidade de vender os melhores assentos. Os 50 melhores lugares disponíveis na sala, por exemplo, podem ser reservados para pagantes.

Sistema de assintura

Assinaturas são o oposto de um sistema "Free 2 Watch" (Grátis para Assistir). Com um modelo de assinaturas, as pessoas podem pagar cerca de R$ 40 por mês para assistir quantos filmes quiserem. Simples, mas eficaz, não?

Já existe algo parecido nos Estados Unidos, o chamado MoviePass. Trata-se de um serviço baseado em assinatura que dá aos membros a capacidade de ver até um filme a cada 24 horas mediante o pagamento de uma taxa mensal fixa. Mas também há opções mais vantajosas, como a oferecida pela Cineworld.

A Cineworld é uma rede de cinemas do Reino Unido que oferece um "cartão ilimitado", que dá acesso ilimitado aos cinemas da rede por cerca de R$ 50 por mês. O fato do serviço de assinatura ser restrito à uma única rede de cinemas, não é preciso impor tantas regras, como acontece no MoviePass.

Para as empresas, os benefícios são muitos. Primeira porque os cinemas pagam as mesmas despesas gerais se uma sala estiver cheia ou vazia. Em segundo lugar, os cinemas continuam gerando receitas, mesmo que o mês seja fraco e repleto de filmes ruins que ninguém quer assistir, uma vez que os usuários continuam pagando mesmo sem usar a facilidade. Já para os cinéfilos, a possibilidade de ver o filme que quiser, sempre que quiser, é algo realmente atraente.

Cinewold ilimitado

Existem muitas opções capazes de ajudar a tornar o cinema um local mais agradável, com a possibilidade de oferecer experiências únicas e atrair o público. Qual delas você gostaria de ter perto da sua casa?

Fonte: Make Use Of

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