Esquadrão Suicida deveria ter sido baseado na animação Assault on Arkham

Por Gustavo Rodrigues | 16 de Agosto de 2016 às 21h54

Esquadrão Suicida tem recebido muitas críticas pelos especialistas em cinema e não tem sido tão defendido pelo grande público, mas ainda assim já somou mais de US$ 400 dólares mundialmente, metade do que o filme precisa arrecadar para não dar prejuízo ao estúdio. Apesar de ter sua dose de entretenimento, o longa de David Ayer não conseguiu contar uma boa história para a equipe de vilões da DC Comics, mesmo que a animação Assault on Arkham já tivesse feito isso em 2014.

Na trama, Amanda Waller faz com que os criminosos Pistoleiro, Capitão Bumerangue, Arlequina, Aranha Negra, Nevasca, Tubarão-Rei e KGBesta formem uma nova Força Tarefa X para resgatar um mecanismo sigiloso que está dentro do Asilo Arkham. Entretanto, problemas dentro do local e as diferenças entre os membros da equipe tornam a missão ainda mais explosiva, além da possível aparição do Homem-Morcego para combatê-los.

Assault on Arkham

Assim como na versão hollywoodiana, os personagens aparecem brevemente quando são introduzidos à equipe por Amanda Waller. Entretanto, é tudo muito mais rápido e menos focado no background de alguns personagens, dando a entender que o telespectador já conheça o time. A versão de David Ayer pode ter bebido dessa fonte, mas tinha preocupações maiores que precisavam fazer parte do primeiro ato do longa, afinal o filme tem pouco mais de 2h, praticamente 45 minutos a mais do que a animação. Por exemplo, o drama do Pistoleiro com sua filha é explicado simplesmente com uma foto dos dois que ele carrega consigo, assim não precisando do uso de flashback.

Um grande diferencial entre as duas versões é como a dinâmica de grupo funciona. O roteiro de Ayer não consegue fazer com que os personagens criem uma relação entre eles que soe natural, fazendo com que a discussão entre Pistoleiro e El Diablo seja o grande ponto alto. Em Assault on Arkham, Capitão Bumerangue e Pistoleiro são rivais, Arlequina tem uma noite de sexo com Floyd, Nevasca e Tubarão-Rei formam uma dupla inesperada, e o Coringa se coloca contra o time de forma peculiar.

Muitas das cenas de ação de Esquadrão Suicida são mal executadas, seja por culpa da edição, pela condução fraca dos posicionamentos dos takes ou pelo excesso de câmera lenta no terceiro ato do longa. Para a animação é muito mais fácil de criar tais momentos, mas ela consegue manter as características essenciais dos personagens em combate. Pistoleiro abusa de armas de longa-distância, Arlequina enfrenta pessoas comuns com seu bastão, Nevasca mostra o potencial de suas habilidades congelantes, Capitão Bumerangue arremessa suas armas várias vezes, algo que quase não acontece no longa de David Ayer, e Tubarão-Rei mostra o potencial de força que poderia ter aplicado ao Crocodilo.

O que ambas as produções têm são dois personagens icônicos, Batman e Coringa, colocados na posição de coadjuvantes. O Homem-Morcego ganha muito mais presença e ação em Assault on Arkham, mas ainda não se torna o protagonista, posto que fica para o Pistoleiro. Enquanto isso o Palhaço do Crime torna-se um vilão de verdade na trama, em vez de servir apenas como um recurso para o passado da Arlequina. Vale ressaltar que na animação o envolvimento entre os dois têm elementos claros de abuso, algo que fundamenta o relacionamento dos casal psicopata.

Mesmo com apenas 1h15, Assault on Arkham consegue ser muito mais fiel ao espírito dos quadrinhos do Esquadrão Suicida do que o filme, principalmente com um roteiro que é muito mais ousado ao abusar das presenças femininas da equipe, apresentar uma dose de violência coerente para uma equipe de criminosos, conseguir surpreender em várias cenas e usar vilões com a mesma escala de poder para não perder o tom. Boa parte disso poderia ter feito parte da produção da Warner Bros., mas não foi o que aconteceu. Que o estúdio acredite no potencial de algo neste estilo, seja para uma possível sequência do time de vilões ou num filme protagonizado pelo Homem-Morcego.