Donos de cinema dizem que serviço do criador do Napster vai fortalecer pirataria

Por Redação | 16 de Março de 2016 às 13h13
photo_camera Divulgação

Quem costuma ir ao cinema sabe que a experiência nem sempre é agradável. Projeções ruins, espectadores mal-educados e preços altos nos ingressos são apenas alguns dos problemas que os cinéfilos precisam enfrentar durante a experiência. Mas se a ideia de Sean Parker, o criador do Napster, der certo, a ideia de um “cinema em casa” pode, em breve, se tornar realidade na forma do Screening Room, seu novo projeto.

A ideia é um tanto quanto simples. O sistema trabalharia ao lado dos estúdios para disponibilizar os mesmos filmes das telonas na casa dos usuários, por meio de um set-top box de US$ 150. Depois, as produções estariam disponíveis para streaming por valores equivalentes, ou um pouco mais altos, que o ingresso comum das salas, permitindo que os longas sejam assistidos no conforto do sofá. Para diretores e produtores que estão do lado de Parker na iniciativa, trata-se de uma bela maneira de recuperar parte do público e aumentar o faturamento. Para outros, entretanto, é uma bela ideia para abastecer a pirataria.

A Art House Convergence, um grupo que representa os direitos de 600 salas e redes de cinema dos Estados Unidos e Europa, publicaram nesta semana uma carta de repúdio ao Screening Room, afirmando que ele pode ter um impacto negativo sobre a indústria. Para a associação, o serviço desvaloriza ainda mais a experiência de se frequentar as salas e, por mais que possa parecer uma proposta interessante para os estúdios, deve reduzir drasticamente os lucros dos exibidores.

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Mais do que isso, a existência da plataforma também vai facilitar a disponibilização de conteúdo pirata e de alta qualidade na internet. Hoje, os bucaneiros utilizam câmeras para, efetivamente, filmar as telas de cinema, o que acaba resultando também no vazamento dos longas, mas em baixa qualidade, o que acaba afastando muitos downloads. Com o Screening Room, entretanto, essa lógica muda e longas de sucesso podem estar disponíveis na internet poucas horas após a estreia, como acontece com seriados, por exemplo.

Por fim, a AHC aponta ainda que o sistema, se acabar se tornando realidade, mina também os investimentos atuais e futuros que estão sendo feitos pelos cinemas em tecnologias de projeção de alta definição, um reflexo, apontam, da expansão da pirataria. De acordo com o grupo, cada sala dos Estados Unidos custou cerca de US$ 100 mil para chegarem onde estão hoje, e projetos como o Screening Room reduzem ainda mais o mercado e a viabilidade desse tipo de negócio. O futuro, para a associação, seria de menos salas e filmes em exibição.

A pirataria é um assunto que Parker evita comentar na hora de divulgar seu projeto, e muita gente já discute que impedir a pirataria do conteúdo seria impossível, com os responsáveis pelo Screening Room podendo apenas rastrear de qual set-top box saiu a cópia disponibilizada online. Nesse caso, entretanto, o “mal” já está feito e, uma vez publicado, o longa não deixará mais a rede, causando impacto não apenas nas salas de cinema mas também na própria plataforma.

Fonte: Torrent Freak

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