Crítica | X-Men: Fênix Negra fecha franquia com classe e desconstrução

Por Felipe Demartini | 05 de Junho de 2019 às 08h23

Assistir a X-Men: Fênix Negra logo depois do rolo compressor de Vingadores: Ultimato é, no mínimo, curioso. Não que a comparação entre os dois seja o caminho a seguir aqui, muito pelo contrário, mas é importante notar como os dois filmes são exemplos de abordagens bastante distintas quanto à adaptação de super-heróis para o cinema. Ao mesmo tempo, ambos também possuem temas bastante semelhantes no que toca a responsabilidade e a ação de seus heóis, além de também servirem para fechar um ciclo.

Primeira Classe nasceu, em 2011, para reviver a franquia dos mutantes após uma sequência desastrada em 2006, com O Confronto Final tirando a saga completamente dos trilhos. Chega a ser irônico, então, que a história iniciada lá atrás seja finalizada agora justamente com a saga da Fênix Negra. Entretanto, a visão da vez passa longe do desastre dirigido por Brett Ratner, mas, mais do que isso, conta com um olhar diferente para o grupo de heróis que, agora, deve seguir novos rumos dento do Universo Cinematográfico da Marvel.

Não existe intenção de encaixar esta história com a saga dos Vingadores e, da mesma forma, o longa também abre mão de amarras antigas para se voltar a si mesmo e contar a própria história. Seja por conta do acordo entre Fox e Marvel ou não, a verdade é que, ao olhar mais para dentro e menos para o todo, X-Men: Fênix Negra acaba se tornando um dos melhores longas dos personagens no cinema, contrariando praticamente todas as expectativas.

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As sinopses, os trailers e até mesmo as histórias em quadrinhos raspam apenas a superfície do que é levantado na tela do cinema. Mais do que um ser de pura força que corrompe Jean Grey e coloca os X-Men em uma batalha contra o maior inimigo que já enfrentaram, a Fênix Negra é, na verdade, um agente de mudanças, que faz com que os mutantes questionem os próprios padrões morais e atitudes diante do inesperado.

A estrela do filme, logicamente, é Jean Grey (Sophie Turner), e ela entrega uma grande atuação, principalmente nas cenas em que a personagem têm um contato dolorido com um passado não apenas relacionado à família natural, mas também aos mutantes. Sozinha, ela brilha, mostrando a luta interna de alguém ligado às raízes, mas que, ao mesmo tempo, sempre soube existir algo errado, que acaba sendo exacerbado no momento presente.

Jean Grey (Sophie Turner) é a peça central e mais brilhante de X-Men: Fênix Negra, mesmo com antagonista insossa (Imagem: Divulgação/20th Century Fox)

E, claro, nada disso é amarrado em filmes anteriores e a expectativa do roteiro é que o espectador apenas aceite as ações de Xavier, Grey e dos outros. O mais impressionante de tudo isso é que tudo cola, apesar de algumas situações, como o amor da opinião pública pelos mutantes, estarem ali apenas para justificarem uma inversão nesse sentido em um determinado ponto do roteiro, de forma a colocar os personagens em situações “massa véio” que estão presentes ao longo de todo o filme.

Entretanto, não dá para reclamar das cenas de ação, muitas delas bastante impressionantes, e dos bons efeitos especiais, principalmente na forma física da Fênix Negra. Por mais que os oponentes principais tenham pouco a apresentar e sirvam como aquela ameaça vazia que deseja dominar tudo, não dá para negar que os X-Men aparecem em sua melhor foma nesses momentos, usando os poderes de forma marcante.

O final dado à vilã principal, Vuk (Jessica Chastain) é anticlimático, mas, na verdade, em X-Men: Fênix Negra, o inimigo de verdade é outro. O longa coloca os erros, dramas e questionamentos dos personagens centrais em primeiro plano, com até mesmo atuações pouco inspiradas de Mística (Jennifer Lawrence) e Magneto (Michael Fassbender), que claramente prefeririam estar em qualquer outro lugar, sendo usadas como elementos que levam o roteiro adiante e servem como agentes de mudança.

X-Men: Fênix Negra questiona figurões e coloca personagens respeitados para lidar com os próprios dramas e erros (Imagem: Divulgação/20th Century Fox)

A sensação é que nenhum dos personagens centrais começou e terminou o filme da mesma maneira. Até mesmo mutantes menores como o Noturno (Kodi Smit-McPhee) têm seus miniarcos ou transformações de caráter que chamam a atenção do espectador. Enquanto isso, é Charles Xavier (James McAvoy) quem aparece diretamente na berlinda, com erros cometidos no passado retornando com foça para o atingi-lo em cheio.

Mesmo tendo a tradicional luta contra vilões e uma grande ameaça na forma do próprio poder da Fênix Negra, é nas relações que está a grande força do enredo deste novo filme. Seu grande trunfo é questionar os figurões que sempre serviam como detentores de todo o conhecimento, até mesmo para os aficionados pelos quadrinhos, e demonstrar que o inferno está lotado de gente com boas intenções.

Mais do que fechar um ciclo, X-Men: Fênix Negra também dá personalidade mais forte aos protagonistas e os torna marcantes (Imagem: Divulgação/20th Century Fox)

Os personagens centrais de toda a franquia X-Men são mutantes, mas Fênix Negra faz questão de mostrar que eles, também, são humanos. E mesmo em um local de destaque, estudando na melhor escola possível e diante da aclamação pública, eles também são capazes de cometer erros e agir com soberba, sucumbindo sob o peso de seus atos.

Entre a devastação, os mortos e os destroços do descontrole de Grey, o que realmente importa aqui são as atitudes. E X-Men: Fênix Negra, de um filme que todos acreditavam vir apenas “para constar” dentro de um universo que já está de partida, acaba se provando como um dos melhores de toda a franquia. Um adeus nada amargo para uma série que dividiu opiniões e cometeu diversos erros, mas também acabou sabendo aproveitar seu potencial.

X-Men: Fênix Negra estreia nesta quinta-feira, 6 de junho, nos cinemas do Brasil. No elenco, também estão Nicholas Hoult, Tye Sheridan, Alexandra Shipp e Evan Peters.

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