Crítica: Rua Cloverfield, 10

Por Gustavo Rodrigues | 07 de Abril de 2016 às 21h03

Rua Cloverfield, 10 pode até parecer uma simples continuação direta do antecessor Cloverfield - Monstro, mas não é. Dando um aspecto de antologia situada no mesmo universo do primeiro filme, a nova produção apresenta situações pós-ataque à Nova Iorque em uma região bastante distinta, porém, com uma trama focada no aspecto psicológico, algo que funciona com excelência por causa dos três atores que formam o elenco do longa.

Na trama, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) sofre um acidente de carro e acorda horas depois presa num quartinho de um lugar desconhecido. O local é o bunker construído pelo ex-soldado naval Howard (John Goodman), que salvou a moça e a levou para lá, onde o velho conhecido dele, Emmett (John Gallagher Jr.), também se encontra. Entretanto, os convidados começam a perceber que o dono do recinto tem surtos mentais e que talvez esteja contando uma história irreal sobre sua vida e os ataques na superfície.

Rua Cloverfield, 10

O clima de suspense que Rua Cloverfield, 10 quer trazer à telona surpreende desde o primeiro susto, quando Michelle sofre o acidente. A câmera aproveita os rodopios do carro e pontos sombrios para criar uma situação de agonia à protagonista. Isso ganha um realce ainda maior aos bons efeitos sonoros do automóvel se chocando várias vezes e das aparições abruptas dos logos da Paramount e da Bad Robot. Cada barulho que se ouve no filme parece mais intenso, principalmente quando já há um tom aterrorizante, como a porta do quarto da moça no bunker.

A tensão que a narrativa traz só funciona pela excelente entrega do trio de atores do elenco. John Gallagher Jr. é o menos popular dos três, mas dá a Emmett o humor negro e a inocência que o personagem precisa. Mary Elizabeth Winstead encaixa-se muito bem no papel de protagonista por conseguir mesclar expressões de medo, coragem e esperteza tão importantes na construção de Michelle na história. Entretanto, todos os holofotes estão apontados para John Goodman. O veterano faz com que o fazendeiro Howard seja oito ou oitenta em suas atitudes, mostrando um descontrole emocional incrível, assim resultando nas melhores cenas do longa. Enquanto o primeiro filme do universo de Cloverfield não chama atenção pelas atuações, este tem tal aspecto como grande diferencial.

Apesar disso, a produção tem pequenos problemas que poderiam ser contornados, principalmente quando Drew Goddard, Matt Reeves e J.J. Abrams estão de volta ao universo que eles construíram. O roteiro torna-se vítima de coincidências fracas, principalmente quando o meticuloso Howard está envolvido. Nas cenas com as monstruosidades que ocupam a superfície, a escuridão é tão grande que fica complicado explicar o que são aqueles seres. Poucas partes dos corpos deles ficam realmente evidentes e não são tão bem feitas.

Rua Cloverfield, 10 é literalmente uma ótima surpresa, afinal ninguém sabia da existência da produção até o primeiro trailer dele ser lançado no último Super Bowl e a qualidade do filme é evidente. O longa traz elementos inteligentes e eficazes para criar uma história coerente com a antologia que a Bad Robot pode trazer à franquia em produções futuras, além de presentear o público com uma das melhores atuações da carreira de Mary Elizabeth Winstead e até mesmo do veterano John Goodman.

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