Análise: The Ridiculous 6, uma rara decepção da Netflix

Por Gustavo Rodrigues

The Ridiculous 6 é o segundo filme original da Netflix e o estreante em comédia. Contudo, o longa será facilmente lembrado como a primeira produção da empresa com péssima qualidade. Escrito, produzido e estrelado por Adam Sandler, com Frank Coraci na direção, a paródia de faroeste conta uma história sem pé nem cabeça repleta de cenas desnecessárias para o enredo e com piadas dificilmente risíveis.

Na trama, Tommy Stockborn (Adam Sandler) teve sua mãe assassinada quando ele era criança e acabou sendo criado pelos indígenas, assim recebendo o apelido de Faca Branca. Após muitos anos, o pai dele, Frank Stockborn (Nick Holte), o encontra e tenta criar um vínculo com o filho perdido. Mas ele é sequestrado pelo seu ex-bando de criminosos, que só o libertaria se recebesse 50 mil dólares. Para libertar o pai recentemente descoberto, Faca Branca se reúne com os meios-irmãos que vai conhecendo pela jornada.

O roteiro tenta transformar o personagem de Adam Sandler no macho alfa desejado pelas indígenas, excelente no combate contra os inimigos, puro e com senso de justiça. Mas não é só aí que ele falha. Algumas cenas são bastante longas, como a sequência do jogo de beisebol, e não desenvolvem a história. Outro ponto negativo é a apelação para piadas escatológicas ou que simplesmente ridicularizam as indígenas. Duas são repetitivas pelo longa: uma envolve um jumento com problemas intestinais e a outra é sobre a falta de higiene do médico interpretado pelo ótimo Steve Buscemi.

Irmãos Stockborn de The Ridiculous 6

O elenco de The Ridiculous 6 era um dos pontos positivos, mas que falha miseravelmente por não ter um roteiro coerente nem piadas engraçadas. Alguns ainda chamam atenção pelos personagens peculiares, como o selvagem Herm de Jorge Garcia, o caipira inocente e desinteligente de Taylor Lautner, que pela primeira vez na carreira adulta não tem um papel que tenta tirar proveito do seu corpo. Chico (Terry Crews) ainda tem alguns momentos engraçados, mas é muito mais pelo carisma do intérprete do que pela construção do personagem.

Os efeitos visuais também são bastante pobres para os US$ 60 milhões gastos na produção. Em alguns momentos, é fácil de perceber a má junção de animais digitalizados próximos dos rostos de alguns personagens enterrados na areia. Figurino e maquiagem são bastante simplórios que até chegam a incomodar, principalmente no caso do personagem do escritor Mark Twain, interpretado pelo Vanilla Ice.

The Ridiculous 6 é apenas mais um filme de paródia, mas que é mal construído e raramente tem uma piada inteligente, especialmente por não ter uma referência clara ao que está fazendo graça sobre, a não ser preconceito indígena e com as mulheres, algo típico e coerente para o contexto do longa, mesmo que pouco nada divertido no longa. Uma rara decepção da Netflix e apenas o esperado de Adam Sandler.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.