Sony deve perder US$ 30 milhões por causa de “A Entrevista”

Por Redação | 19.01.2015 às 12:19

As polêmicas relacionadas ao filme “A Entrevista” pareciam encerradas quando a Sony Pictures finalmente decidiu lançá-lo, realizando uma estreia segmentada em algumas salas americanas e, ao mesmo tempo, também em serviços de streaming como o YouTube e a PlayStation Network. A decisão, porém, pode gerar perdas de US$ 30 milhões para a produtora.

A previsão é da National Association of Theater Owners (NATO), organização que representa os donos de cinemas nos Estados Unidos. A instituição criticou a decisão da produtora, afirmando que ela, de forma alguma, representou um “game changer”, como a própria tentou afirmar. Pelo contrário, “a única mudança no jogo foi a quantidade de dinheiro que [a empresa] deixou de ganhar”. As declarações foram feitas na revista Box Office Magazine, publicada pela própria associação.

De acordo com os dados oficiais da empresa, “A Entrevista” acumulou US$ 31 milhões em vendas digitais até o fim de janeiro, enquanto a bilheteria foi de US$ 5 milhões. A discrepância tem a ver com o medo da população em ir às salas de projeção para assistir ao filme após diversas ameaças terroristas feitas pelos hackers responsáveis pelos ataques à Sony.

O diretor da NATO, Patrick Corcoran, porém, afirma que, desde então, a Sony tem se mantido calada em relação aos números, o que pode significar que a renda teria baixado significativamente passada a polêmica relacionada à Coreia do Norte e aos ataques hackers sofridos pela produtora.

Além disso, o executivo taxou como “desespero” o movimento da Sony de liberar o filme “em qualquer serviço de streaming que o aceitasse”. Para garantir isso, ele especula que a empresa tenha aceitado receber menos por exibição do que nos acordos tradicionais do tipo, ganhando 60% do total em vez dos tradicionais 70% ou 75%.

É uma soma de fatores que, no final das contas, deve resultar em prejuízo. As estimativas indicam que “A Entrevista” custou US$ 74 milhões para ser lançado, sendo US$ 44 milhões em produção e mais US$ 30 milhões em custos de marketing para promover um lançamento que acabou frustrado pelas ameaças terroristas e levou até mesmo a um cancelamento momentâneo das exibições.

Agora, afirma Corcoran, a última esperança da Sony para recuperar o dinheiro investido é o lançamento em DVD e Blu-ray, que acontece em 17 de fevereiro. Mesmo assim, ainda há custos envolvidos na fabricação e distribuição dos discos, além de mais marketing para promover os lançamentos. Dessa forma, a NATO coloca mais dúvidas sobre o sucesso de “A Entrevista” no mercado caseiro.

Velha inimiga

As afirmações da NATO até fazem sentido, mas vale lembrar que a associação de cinemas dos EUA vem trabalhando em uma guerra contínua contra os serviços de streaming. A comodidade de assistir a filmes em casa, em alta definição e com todo o conforto do lar vem movimentando o mercado cinematográfico principalmente nos EUA, na mesma medida em que os números de bilheteria vêm caindo.

A chegada de produções exclusivas de empresas como Netflix e Amazon, que já era um fator de preocupação, só piorou quando a primeira anunciou que produziria a sequência de “O Tigre e o Dragão”. Devido ao lançamento simultâneo na internet e nos cinemas, muitas salas se recusaram a exibir o longa, uma decisão que não incomodou o serviço de streaming.