Netflix mantém projeto para oferecer estreias sincronizadas com o cinema

Por Redação | 15 de Outubro de 2014 às 09h28

A Netflix quer fazer com que Hollywood repense a maneira de promover os filmes. A empresa quer diminuir o tempo entre a estreia dos longas e sua disponibilidade para assisti-los através do serviço de streaming de vídeos.

Como a Netflix tem um catálogo mais limitado do que aparenta, a grande jogada do serviço agora é procurar por material exclusivo, a exemplo de séries como "House of Cards" e o vindouro "Demolidor", da Marvel Comics, e estreias de grandes filmes.

Com a sequência de "O Tigre e o Dragão" e de quatro filmes estrelados por Adam Sandler, diretamente para seus assinantes, a plataforma altera drasticamente o tempo que os usuários precisam aguardar para ver um título em cartaz no conforto do lar.

O Tigre e o Dragão

Para ter uma ideia, até a metade dos anos 1980, os filmes mais populares demoravam em média dois anos para chegar aos cinemas brasileiros e mais dois para estarem nas prateleiras das locadoras. Agora, a Netflix oferece acesso instantâneo a títulos que normalmente demorariam entre sete a 18 meses para estarem disponíveis no serviço de streaming.

Essa jogada deve se tornar o grande trunfo da empresa para manter seus mais de 50 milhões de clientes ao redor do mundo. Um relatório mais detalhado sobre o número de assinantes deve ser apresentado nesta quarta-feira (15), de acordo com a Reuters.

O negócio vem dividindo opiniões e, particularmente, irritando muitos distribuidores de Hollywood. Do ponto de vista da Netflix, é altamente rentável, principalmente ao levar em consideração o que é gasto hoje para a transmissão legal de um título popular via streaming.

Por exemplo, no caso dos filmes de Adam Sandler, a empresa poderia exibir os títulos sem restrições de direitos internacionais nos 50 países que está presente. De acordo com o analista Tony Wible, da empresa financeira Janney Montgomery Scott, a estimativa é de que a Netflix gaste algo em torno de US$ 40 milhões na produção de cada filme de Sandler.

Esse custo seria similar ao que o serviço de streaming paga atualmente por cada um dos filmes da DreamWorks Animation que exibe meses após seu lançamento. "A vantagem aqui é que você não precisa aguardar nove meses. Você tem algo com acesso exclusivo ao redor do globo", completa Wible.

O apoio de diretores, atores e produtores é essencial para que a Netflix avance com essa investida e isso já parece estar acontecendo aos poucos. Os bons resultados no recente Emmy e a aprovação de séries como "House of Cards" e "Orange is the New Black", de certa forma, já convenceram muita gente no setor televisivo.

Orange is the New Black

Em Hollywood, há certa simpatia pela ideia, porém, com ressalvas.

O diretor David Ayer, do filme Fury, estrelado por Brad Pitt, por exemplo, é favorável. "As telas que assistimos estão se tornando portáteis. É o futuro do negócio", acredita. Contudo, para dar certo, Ayer afirma que é necessário dar aos profissionais a mesma liberdade artística que ele teve com a Sony Pictures, por exemplo. "Isso é o que um estúdio precisa para manter o acesso ao trabalho e a paixão do idealizador do filme."

Já Ned Benson, mesmo com um filme num formato mais favorável a ser exibido via demanda, prefere os cinemas em primeiro lugar. Seu trabalho com "The Disappearance of Eleanor Rigby" foi montado em três partes, "Him", "Her" e "Them".

"Eu ainda acredito no modelo dos cinemas e na experiência de ir até as salas, mesmo vivendo esses dias em que você pode fazer o streaming de coisas online via Netflix ou VOD", comenta Benson. "Sinto que ainda podemos deixar essa opção para depois."

Divergências à parte, os planos da Netflix incluem o lançamento de "O Tigre e o Dragão: A Lenda Verde" diretamente na plataforma de vídeos, em todo o mundo, em agosto do próximo ano, no mesmo dia em que ele estiver disponível nas salas IMAX.

Algumas redes, como a AMC Entertainment, Regal Entertainment Group e Cinemark Holdings Inc., já adiantaram o boicote a essa iniciativa da Netflix e se recusaram a exibir o filme.

Fonte: http://www.reuters.com/article/2014/10/14/us-netflix-results-preview-idUSKCN0I324A20141014?feedType=RSS&feedName=technologyNews

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