Youtuber ganha aposta de US$ 10 mil ao dirigir carro movido a vento

Youtuber ganha aposta de US$ 10 mil ao dirigir carro movido a vento

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 06 de Julho de 2021 às 10h05
Veritasium/YouTube

Um youtuber apostou U$ 10.000 contra um professor de física tendo a certeza de que um carro movido a vento poderia correr mais rápido do que o próprio vento que o impulsiona. E não só isso — o carro faria isso indo contra o vento. Parece absurdo? O professor Alexander Kusenko, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também achou. E perdeu a aposta.

Derek Muller tem um canal no YouTube onde fala de ciência chamado “Veritasium”. No dia 29 de maio, ele publicou um vídeo mostrando como um carro chamado Blackbird, inventado por Rick Cavallaro, poderia superar a velocidade do vento que move a hélice do veículo. Não há motores, nem mesmo direção, apenas um rotor que gira as rodas através do movimento das hélices.

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Quando Kusenko viu o vídeo, escreveu a Muller dizendo que a afirmação, o cálculo e a forma de comparar as velocidades estavam errados. Para Kusenko, a ideia violaria as leis da física, então Muller o desafiou para uma aposta de U$ 10.000. O professor concordou e, para garantir que tudo seria feito de forma cientificamente correta, as testemunhas da aposta foram o divulgador científico Neil deGrasse Tyson e o cientista Sean Caroll.

Em uma videoconferência com as testemunhas, Kusenko apresentou seus argumentos. Ele não duvidou da honestidade do youtuber, mas, para ele, o veículo ganhava velocidade superior à do vento por causa da oscilação dos ventos. Por exemplo, o vento inicial teria impulsionado o carro, que ganhou uma determinada velocidade e, em seguida, a velocidade do vento diminuíra. O carro levaria um tempo para perder a velocidade adquirida pelo impulso inicial, então, por um momento, ele estaria mais rápido que o vento.

Acontece que o raciocínio de Kusenko não condizia com a realidade. Muller não apenas mostrou que o Blackbird pode ir mais rápido que o vento, como explicou os princípios físicos. Para isso, ele usou dois carrinhos. Um deles, equipado com rotor e hélices, foi colocado sobre uma esteira de academia em uma determinada velocidade. A esteira se move embaixo das rodas, fazendo com que elas girem. As rodas, por sua vez, giram as hélices, que, por fim, dão mais impulso ao carrinho.

Quem construiu o carrinho foi a engenheira Xyla Foxlin, por sinal, em parceria com Muller. Ela fez um registro em seu canal no YouTube e forneceu uma lista completa de materiais, com todas as medidas e especificações para que qualquer pessoa construa sua própria versão. É algo realmente interessante de se fazer, para quem gosta de engenharia.

Voltando à aposta, Muller informou em um vídeo em seu canal que Kusenko cumpriu a palavra e transferiu a quantia de U$ 10.000. Muller também admitiu que as evidências que apresentou no vídeo anterior “não eram definitivas”, porque havia outra explicação conflitante que poderia levantar dúvidas. Muller afirma que não esperava que fosse necessário esclarecer as coisas para o público, porque o Blackbird é, na verdade, um veículo relativamente conhecido, criado em 2010.

Aliás, Cavallaro, o criador do veículo “impossível”, fez um teste supervisionado e reconhecido pela North American Land Sailing Association em julho de 2010. Na ocasião, ele atingiu uma velocidade de 44,6 km/h, correndo diretamente a favor de ventos de 16 km/h. Isso é quase três vezes a velocidade de vento. O Blackbird também conseguiu o dobro da velocidade do vento no sentido oposto, diretamente contra o vento. Foi esse mesmo veículo que Muller pilotou em seu primeiro vídeo.

Quanto ao dinheiro da aposta, Muller disse que não ficará com o valor: ele doará tudo em uma iniciativa de divulgação científica. Nela, será realizada uma competição de vídeos de um minuto, que expliquem um conceito STEM (sigla em inglês para Ciências Naturais, Tecnologia, Engenharia e Matemática), e os três melhores serão premiados.

Por fim, Muller diz que desacordos na ciência não são problemas, mas sim oportunidades de aprender mais — como ele próprio teve que descobrir novos detalhes sobre o Blackbird, com suporte do próprio Cavallaro. Mais do que isso, ele descobriu que precisa se aprofundar mais em seus vídeos, apresentando evidências convincentes, para não gerar dúvidas no público no futuro.

Fonte: The_Byte, Vice, Veritasium

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