'Vivemos no melhor momento da história', diz fundador da Singularity University

Por Rafael Romer | 28.08.2013 às 10:30 - atualizado em 08.05.2017 às 10:41

“Eu acredito que tecnologias exponenciais estão mudando o curso das nossas vidas e vão permitir criar um mundo dos sonhos e de abundância”, afirmou o co-fundador e presidente da Singularity University logo ao início de sua apresentação para um andar lotado de entusiastas da tecnologia reunidos no espaço de coworking da FIAP, em Sâo Paulo, nesta terça-feira (27).

Em uma passagem rápida pelo Brasil para divulgar seu livro mais recente “Abundance: The Future Is Better Than You Think” (em português “Abundância: O Futuro é Melhor do Que Você Imagina, lançado pela editora HSM), Peter Diamandis diz acreditar que o mundo caminha para um futuro melhor e que nós vivemos hoje no melhor momento da história da humanidade desde seu surgimento.

Segundo ele, a noção que temos de que tudo que acontece a nossa volta é negativo é resultado do próprio processo de evolução do ser humano, que privilegia e identifica com mais facilidade eventos ruins como forma de manter a integridade própria. "Nós prestamos dez vezes mais atenção às notícias ruins do que boas, por isso as manchetes são sempre sobre tiroteios ou crises financeiras", afirmou Diamandis em uma rápida entrevista à imprensa antes de sua apresentação. "As pessoas não criam manchetes, a menos que sejam notícias extremamente boas, sobre descobertas científicas".

Para Diamandis, formado em engenharia espacial, genética e medicina pelo MIT e Universidade de Harvard, durante sua evolução, além da maior atenção para aspectos negativos, o ser humano desenvolveu um pensamento linear, voltando sempre e apenas para as questões locais e para o ambiente que lhe cerca. “Mas hoje o mundo é tudo, menos linear e local. O mundo é global e exponencial. Se alguma coisa acontece do outro lado do mundo, você fica sabendo em poucos segundos”, afirma.

E da diferença entre o pensamento linear e a evolução exponencial da tecnologia é que surgem os dois drives que agem sobre o ser humano: o stress disruptivo ou a oportunidade disruptiva. E essas oportunidades disruptivas que motivam empresas revolucionárias a criarem novas soluções. “Hoje a competição para uma multinacional de bilhões de dólares não é outra multinacional de bilhões de dólares, a competição é um rapaz ou uma garota em uma startup que criam uma maneira completamente nova de se olhar para algo”, afirma.

Entre as principais tecnologias exponenciais que existem atualmente, Peter aponta nossos computadores domésticos, que tendem a dobrar de capacidade a cada 18 ou 24 meses. Na linha atual de evolução, o engenheiro afirma que em dez anos os processadores deverão atingir a capacidade de processamento de 1016 ciclos por segundo, que é a mesma capacidade do cérebro humano.”Esse é a taxa que seu cérebro reconhece padrões”, explica. “Mas isso não para por aí: 26 anos depois, o computador padrão de mil dólares vai ter a capacidade de processamento de toda a raça humana”.

Para Peter, tais avanços exponenciais permitirão que, em breve, todas as pessoas tenham acesso a tecnologias como o supercomputador Watson, desenvolvido pela IBM em 2011 e com capacidade para processar um milhão de livros por segundo, gratuitamente e via nuvem, carro inteligentes de aluguel e até à biologia sintética.

Parte do processo de inovação do futuro passa por o que Peter classifica como “Crowdsource Genius” (Genialidade Crowdsource), ou seja, a inovação através de união de mentes para o desenvolvimento de soluções para problemas modernos. Peter é o fundador e presidente da X Prize Foundation, responsável por estimular a criação de soluções para problemas específicos através de prêmios financeiros generosos.

Uma das maiores inovações criadas através do programa foi a Spaceship One, uma nave capaz de levar três adultos até o espaço e voltar, que utilizava como combustível uma combinação de gás hilariante (N2O) e borracha de pneu. A tecnologia foi licenciada em seguida pelo milionário inglês Richard Branson pra a criação da Virgin Galactic.

A fundação, que tem pessoas como o CEO do Google Larry Page como parceiros, procura agora por uma solução para o analfabetismo mundial. Segundo estimativas, existem cerca de 880 milhões de analfabetos no mundo hoje – 10% destes crianças. “O que nós estamos fazendo é preparando para lançar em seis meses o Global Literacy X Prize, que será um prêmio para um software que opere em qualquer smartphone ou tablet que consiga ensinar uma criança a ler e programar em qualquer lugar do mundo”, explica Diamantis.