Unicamp faz 1ª cirurgia de reconstrução de crânio impresso em 3D do Brasil

Por Redação | 03 de Junho de 2015 às 10h24

Cirurgiões do Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas-SP, realizaram a primeira cirurgia com placa de titânio impressa em 3D do Brasil. A versão em pó do componente é importada e nunca havia sido usada antes no País para um procedimento de reconstrução de crânio.

A placa foi criada para ser incorporada em uma paciente que teve o rosto danificado depois de sofrer um grave acidente de moto. A cirurgia realizada em Jéssica Cussioli, de 23 anos, foi concluída com sucesso.

O acidente deixou um buraco de 12 cm de comprimento no crânio da estudante, que bateu a cabeça em uma caçamba de lixo há aproximadamente oito meses. A jovem também sofreu fraturas em alguns ossos na região do olho esquerdo.

A cirurgia foi feita no Sistema Único de Saúde, o SUS, e, por ainda se tratar de uma pesquisa médica, ainda não há previsão de quando a técnica será disponibilizada para a rede pública. Cerca de uma semana depois do procedimento de reconstituição, Jéssica já estava praticamente recuperada e fazendo planos para o futuro.

Uma prótese comum de crânio custaria à família de Jéssica o valor de R$ 130 mil, mas, depois de muitas pesquisas, a mãe da estudante entrou em contato com o Instituto Biofabris, que é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que desenvolveu o modelo em 3D feito com placas de titânio. O modelo virtual do crânio fraturado foi criado com a ajuda de um exame de tomografia. Então, a impressora 3D produziu o modelo igual em resina e placas de titânio para cobrir os buracos nos ossos.

O professor do departamento de cirurgia plástica da Unicamp, Paulo Kharmandayan, diz que este procedimento já existe em outros países. "O ineditismo é que esse procedimento é feito com conhecimento nacional. Para nós é um grande avanço, porque facilita a reconstrução, permite um resultado estético extremamente próximo do que era antes e agrega valor de competências científica e de manufatura ao Brasil", comenta.

Como o material ainda não tem a aprovação da Anvisa, os médicos e estudantes responsáveis pela pesquisa precisaram passar pela aprovação do Conselho de Ética da Unicamp.

As técnicas de reconstrução já conhecidas usam enxerto ósseo ou resina acrílica, também chamada de polimetilmetacrilato. Porém, este material costuma causar rejeição, que pode causar feridas no couro cabeludo ou na face do paciente, segundo o professor. Já o titânio é um material biocompatível em uma escala muito maior.

André Luís Munhoz, pesquisador da Biofabris, diz que a resistência do titânio ultrapassa a de outros materiais. "Resistência mecânica, resistência à corrosão, quando dentro do corpo humano, e a densidade, é um material leve. A recuperação do paciente é como se fosse uma parte do próprio osso", comenta.

Via: G1

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