Telescópio da NASA registra buraco negro "cuspindo" gás de hidrogênio

Por Redação | 08.01.2016 às 07:40
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Há cerca de 16 anos operando no espaço, o telescópio espacial de raios X Chandra, da NASA, detectou um fenômeno inédito no coração de uma galáxia próxima. Tratam-se de duas ondas enormes de gás de hidrogênio sendo jogadas para fora de um buraco negro.

De acordo com os cientistas da agência espacial americana, isto está acontecendo na NGC 5195, uma irmã menor e menos conhecida na galáxia de Whirlpool (redemoinho, em inglês), ou NGC 5194, a 26 milhões de anos-luz de distância da Terra. O evento é descrito pelos pesquisadores como um "exemplo dramático de interação" entre um super buraco negro e sua galáxia de origem.

Buracos negros são conhecidos por consumir gás e estrelas. Contudo, o fenômeno descoberto recentemente indica que essa absorção de elementos pode fazer com que o buraco negro se "estufe" e acabe arrotando aquilo que engoliu. É uma analogia curiosa — e até engraçada, vamos admitir —, mas não deixa de ser interessante. Ainda mais pelo fato de que, teoricamente, um buraco negro também seria capaz de criar elementos espaciais.

"Acreditamos que esse feedback impeça as galáxias de se tornarem muito grandes", disse Marie Machacek, coautora do estudo e pesquisadora do centro de astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA. "Mas, ao mesmo tempo, ele pode ser responsável pela formação de algumas estrelas. Isso mostra que buracos negros podem criar, e não apenas destruir", complementa.

Segundo a equipe responsável pelo estudo, o buraco negro no centro da NGC 5195 provavelmente se "empanturrou" de gás emitido pela interação dessa pequena galáxia com sua irmã maior, a galáxia espiral NGC 5194. À medida que essa matéria foi caindo no buraco negro, enormes porções de energia teriam sido lançadas, causando as explosões.

NGC 5194

Fenômeno na galáxia NGC 5195 mostra buraco negro "cuspindo" gás de hidrogênio. Arcos seriam resultados de duas explosões causadas logo que o material foi expelido para a galáxia. (Foto: NASA/Divulgação)

Eric Schlegel, da Universidade do Texas em San Antonio (EUA), liderou o estudo e explicou que a observação crucial para identificação do fenômeno foi o gás mais frio de hidrogênio sendo empurrado pelas ondas quentes de raios-X. Um brilho vermelho, que indica a presença de hidrogênio, foi visto em uma faixa estreita bem à frente da onda mais periférica, em imagens de um telescópio do observatório de Kitt Peak, no Arizona (EUA).

A equipe calcula que a onda mais interna de gás quente provavelmente levou 3 milhões de anos para atingir sua posição atual - a onda mais externa teria demorado o dobro de tempo. Segundo Schlegel, se super buracos negros centralizados como esse normalmente expelem gás dessa maneira, isso pode explicar a razão pela qual galáxias elípticas como a NGC 5195 tendem a não ter muita atividade de formação de estrelas.

"Acreditamos que esses arcos representam fósseis de duas enormes explosões registradas quando o buraco negro expeliu material para a galáxia. Essa atividade provavelmente teve um grande efeito na paisagem galáctica", disse Christine Jones, coautora da pesquisa e pesquisadora do centro Harvard-Smithsonian.

O telescópio Chandra foi lançado ao espaço em agosto de 1999. O equipamento capta imagens em raios X de ambientes que ajudam os cientistas a entender melhor a evolução dos Cosmos. Uma das contribuições mais significativas do Chandra foi com relação às pesquisas envolvendo altas energias, confirmando de forma independente a existência da energia escura. O telescópio é a terceira missão da NASA pertencente aos Grandes Observatórios Espaciais, composta ainda pelo telescópio espacial Hubble, o Observatório de raios Gama Compton e o telescópio Spitzer.

Fonte: BBC Brasil