Tecnologia de reconhecimento facial identifica 'suspeitos' em lojas inglesas

Por Redação | 22 de Dezembro de 2015 às 13h00

Você se lembra da Divisão de Pré-Crimes, do filme Minority Report – A Nova Lei, dirigido por Steve Spielberg e estrelado por Tom Cruise? Na obra, baseada no conto de mesmo nome de Philip K. Dick, Cruise encarna o detetive John Alderton, que lidera uma seção da polícia capaz de prever um crime antes mesmo de ele acontecer, executando a prisão do pré-criminoso se que ele tenha feito algo errado de fato.

Algo semelhante a isso está em funcionamento na Inglaterra. O sistema Facewatch, criado por Simon Gordon a fim de ser uma plataforma para reunir imagens e informações sobre furtos e roubos a lojas e, então, compartilhar tudo isso entre lojistas e a polícia, ganhou uma função de reconhecimento facial que avisa quando algum “suspeito” adentra o estabelecimento, facilitando assim o seu monitoramento.

Anteriormente, o Facewatch apenas contava com uma base de dados com informações, permitindo que os seus usuários as comparassem manualmente os rostos que viam pelo circuito interno de televisão. Agora, uma atualização adicionou ao serviço uma função de reconhecimento facial em tempo real, que compara o rosto capturado pela câmera e traz ao chefe de segurança ou ao lojista as informações sobre ele presentes no banco de dados.

Minority Report

Na ficção, seção de pré-crimes prende um criminoso antes do crime. (Foto: Divulgação/20th Century Fox)

Sem preocupações éticas

Entretanto, quem abastece o Facewatch são pessoas comuns, como lojistas, que assinam o programa. Assim, qualquer assinante pode marcar qualquer pessoa como “sujeito de interesse”, compartilhando a informação com outros usuários da plataforma e, assim, colocando em xeque a idoneidade de um cidadão. E como a ferramenta não tem qualquer base legal, independem os motivos pelos quais o rosto de qualquer britânico possa ser incluído em uma lista de suspeitos.

Em suma, o novo recurso do Facewatch cria uma possibilidade bizarra de fazer com que pessoas sejam perseguidas ou até mesmo retiradas de dentro de um estabelecimento comercial sem que tenham feito algo errado. Um ex-criminoso ou alguém que apenas pareça suspeito aos olhos do segurança pode ser prejudicado pela combinação de informações construída de maneira pouco ética pela plataforma.

Simon Gordon aposta que sua ferramenta deve se tornar extremamente popular nos próximos meses. “Provavelmente, até o final do próximo ano, vai ser quase como ter um telefone celular”, aposta. Eis o panorama para um futuro sombrio.

Fonte: BBC

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