SpaceX revela provável causa da explosão do foguete Falcon 9 no mês passado

Por Redação | 22 de Julho de 2015 às 15h34

A SpaceX de Elon Musk é uma pioneira no setor de exploração comercial do espaço e sempre está no foco da mídia de tecnologia por conta do envolvimento do seu fundador com a criação do PayPal, da Tesla e outras empreitadas sempre à frente do nosso tempo. No dia 28 de junho, um dos lançamentos da empresa terminou em desastre quando o foguete Falcon 9 explodiu em pleno ar.

Inicialmente não se sabia as causas do acidente e o CEO e fundador da companhia informou, via Twitter, que estas seriam investigadas. Na última segunda (20), Musk levou a público o motivo do fracassado lançamento, segundo uma investigação preliminar: uma escora de aço de 60 cm de comprimento que não suportou a pressão a que foi submetida, vindo a ceder. A escora sustentava um tanque de hélio pressurizado que é injetado no lugar do oxigênio líquido (o combustível do foguete) que é queimado, dando assim estabilidade estrutural e mantendo a pressão necessária para a queima do oxigênio. O colapso da estrutura fez com que o tanque de hélio entrasse como uma bala no de oxigênio, causando a explosão.

Elon Musk

Elon Musk, CEO da SpaceX.

O acidente também destruiu a espaçonave Dragon que a Falcon 9 estava carregando para o espaço. A Dragon, uma espaçonave reutilizável desenvolvida pela SpaceX, deveria reabastecer a Estação Espacial Internacional com comida e equipamentos e carregava, ainda, um mecanismo de docagem para vôos comerciais que seria utilizado nos próximos anos por outras empresas para realizar voos de suprimento à Estação Espacial Internacional.

A peça defeituosa foi produzida por uma empresa terceirizada cujo nome não foi revelado. Musk afirmou que esta deveria suportar até 10.000 libras de pressão, mas entrou em colapso com apenas 2000 lbs, praticamente 5 vezes menos do que o planejado. Segundo o fundador, não era possível verificar a olho nu seu mau funcionamento, ou seja, um problema na fabricação. Por enquanto, essa é a única causa possível para a falha. Posteriormente ao anúncio de Musk, a empresa complementou que já deu início à troca do fornecedor da peça e que também modificará os procedimentos para testar os componentes antes da decolagem.

O acidente

No dia 28 de junho, alguns segundos após a decolagem, o foguete veio a explodir. A nave Dragon ainda voou por algum tempo, descontroladamente, até desaparecer no horizonte, caindo no oceano. No entanto, durante a queda, ela continuou a comunicar-se com a estação de controle, o que facilitou a coleta de dados sobre o acidente por parte da empresa.

A nave possui paraquedas que são utilizados no retorno à Terra. No entanto, o software de bordo não estava preparado para lidar com tal situação e nem sequer foi acionado. Caso contrário, seria possível salvar a nave e os equipamentos a bordo.

Musk acredita que a SpaceX relaxou após vários lançamentos bem sucedidos. “A empresa como um todo, acredito, ficou bastante complacente nos últimos sete anos, após vinte sucessos seguidos. E essa é uma lição importante que devemos levar para o futuro”, disse, revelando que sempre pede a seus funcionários que o alertem sobre qualquer possibilidade de um teste dar errado. “Peço para eles me ligarem no celular se for preciso, mesmo se seus supervisores não concordarem. Mas acho que algumas vezes fica parecendo que é apenas o Elon sendo paranoico de novo”.

Consequências do lançamento

O lançamento foi um desastre para muitas partes. Além das perdas da própria SpaceX, a Microsoft também foi prejudicada, já que a nave carregava óculos de realidade virtual HoloLens para os astronautas. Além disso, esse seria o terceiro teste da SpaceX para tentar reutilizar os foguetes utilizados nos lançamentos, o que reduziria significativamente os custos — os dois primeiros testes falharam e o terceiro era muito aguardado por todos.

Após a falha, temeu-se bastante que o contrato com a NASA pudesse ser afetado, inclusive com várias publicações de tecnologia afirmando que poderia ser até o fim da linha para a SpaceX. No entanto, devemos lembrar que o lançamento de um foguete é uma das atividades mais complexas do mundo e existem milhares de motivos para que tudo dê errado — ou seja, o fato de dar certo já poderia ser considerado "sorte". Além disso, a empresa já conta com um grande número de lançamentos bem sucedidos e com certeza esta foi uma falha pontual que não se repetirá no futuro.

Musk disse que o teste da próxima versão do foguete da SpaceX, o Falcon Heavy, foi adiado para meados de 2016 e o acidente não irá afetar o contrato da empresa com a agência espacial americana.

Via The Verge, Planetary.org e Engadget.

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