Rússia diz ser capaz de levar Homem à Marte em apenas 45 dias

Por Redação | 11 de Março de 2016 às 08h00

Já pensou o ser humano ser capaz de chegar à Marte em apenas quarenta e cinco dias, podendo retornar à Terra em seguida? O que parece ter saído de um filme de ficção científica pode se tornar realidade - isso se a Rússia tiver cerca de US$ 700 milhões para investir nesse ambicioso projeto.

Na semana passada, a Rosatom, órgão que regula o mercado energético russo (incluindo a energia nuclear), anunciou que está construindo um motor nuclear capaz de levar uma espaçonave ao Planeta Vermelho em apenas um mês e meio, conseguindo ainda trazer o veículo de volta à Terra - coisa que a agência espacial dos Estados Unidos (NASA) ainda não é capaz de realizar.

Perdido em Marte

Cena de "Perdido em Marte", filme em que Matt Damon vive um astronauta explorando o Planeta Vermelho (Reprodução: Divulgação)

Os cientistas do país pretendem construir o protótipo desse motor até meados de 2025, mas provavelmente a situação financeira do país (que não anda lá essas coisas) será um empecilho para atingir esse objetivo. No entanto, a existência dessa tecnologia no poder da Rússia pode reacender de vez a corrida espacial internacional.

Em 1967, cientistas da então União Soviética trabalharam em satélites movidos a fissão nuclear em contrapartida ao programa SNAP-10A que utilizava a mesma tecnologia, porém, de autoria dos Estados Unidos. Era a época da Guerra Fria e a corrida espacial estava bastante acirrada entre os dois países. Apesar do primeiro homem a viajar ao Espaço ter sido um cosmonauta soviético, os EUA acabaram ganhando o título de vencedores da corrida sendo o primeiro país a levar o Homem à Lua.

Rorsat satélite Russo

Desenho de satélite russo que funcionou com energia nuclear na década de 1960 (Reprodução: SMITHSONIAN/DIA)

No entanto, ambos os países acabaram encerrando seus programas nucleares envolvendo a viagem espacial uma vez que apenas conseguiram colocar em órbita satélites leves, sem a capacidade de usar a tecnologia nuclear para enviar naves interplanetárias ao Espaço, muito menos transportando humanos em seu interior. No entanto, para Nikolai Sokov, membro sênior do James Martin Center em Monterey, no estado norte-americano da Califórnia, utilizar energia nuclear em motores capazes de viajar pelo espaço não seria a parte mais complicada. “O mais caro seria construir uma nave ao redor desse motor”, disse.

Isso porque um motor desses geraria muito calor durante o processo de divisão atômica e usaria esse calor para queimar hidrogênio ou algum outro elemento químico. Ou seja, a espaçonave contaria com uma bela proteção térmica para que sua estrutura não fosse danificada com tanto calor (sem contar a manutenção da temperatura interna no caso de transportar seres humanos).

Construir uma espaçonave com essas características aumentaria ainda mais a quantidade de dinheiro necessária para o projeto, o que cai na não tão favorável situação financeira da Rússia, que talvez nem consiga construir o motor no prazo estipulado. No entanto, um dos objetivos do anúncio da Rosatom é, além de divulgar a notícia, arrecadar fundos. “Tornar [a notícia] pública pode servir a diversos propósitos, incluindo conseguir financiamentos e aumentar a visibilidade [do projeto] com políticos, leitores e outros que gostariam desse negócio visionário”, disse Sokov. E caso a Rússia consiga a verba necessária para viabilizar o projeto, o país não será impedido de usar a energia nuclear em seu novo motor, já que os acordos internacionais impedem apenas que os países desenvolvam armas nucleares.

Fontes: Wired, Rosatom

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