Professor prevê que máquinas criarão consciência e lutarão por seus direitos

Por Redação | 30.05.2016 às 08:54

Atualmente, tem sido cada vez mais frequente (e necessária) a luta das minorias sociais por visibilidade, direitos e cidadania, mas, em um futuro não tão distante, pode ser que essa luta também passe a ser protagonizada por máquinas em busca de reconhecimento, mais ou menos como acontece com a androide Ava em Ex Machina, filme de sci-fi que venceu o Oscar 2016 na categoria de Efeitos Especiais. Pelo menos é o que acredita Marcus du Sautoy, professor de ciências da Universidade de Oxford.

De acordo com Sautoy, o avanço das inteligências artificiais fará com que as máquinas desenvolvam algo equivalente à nossa consciência e, consequentemente, elas passarão a exigir “direitos humanos” para que nós paremos de tratá-las com inferioridade. E ele não está sozinho nessa crença: a maioria dos cientistas acredita que os computadores estão próximos de desenvolver consciências por conta própria.

Em seu novo livro chamado What We Cannot Know (“O Que Não Podemos Saber”), Sautoy explora um cenário possivelmente real em que até nossos smartphones criarão algum nível de consciência. “Está chegando um ponto em que nós seremos capazes de dizer que essas coisas têm um senso de si, e que talvez haja um momento de limite em que, de repente, essas consciências surjam”, disse o professor.

Ele também acredita que estejamos vivendo uma época de ouro, tal qual a época em que Galileu Galilei desenvolveu o primeiro telescópio astronômico. “O fascinante é que ninguém chegou próximo de desenvolver uma consciência [em máquinas] porque nós não tínhamos como medi-la, e se entendermos que essas coisas estão desenvolvendo um nível de consciência, nós teremos também que introduzir direitos a elas. É uma época empolgante”, acredita o professor.

Além do Teste de Turing, que mede a habilidade de uma máquina exibir um comportamento inteligente a ponto de não distinguirmos se estamos conversando com um computador ou com uma pessoa, cientistas estão trabalhando no desenvolvimento de testes que possam medir o nível de autoconsciência dessas máquinas. A partir da observação da nossa atividade neural durante o sono (ou seja, um estado inconsciente), esses especialistas estão tentando criar parâmetros para definir a existência da consciência em humanos para depois aplicar os mesmos princípios nas inteligências artificiais.

Fonte: Telegraph