Princípio ativo da maconha pode ajudar a prevenir Alzheimer

Por Igor Lopes | 03 de Outubro de 2016 às 21h46

Cientistas têm novas evidências de que o tetraidrocanabinol (THC), um componente ativo da maconha, inibe a formação de placas beta-amiloides por meio do bloqueio da enzima que as produz. O acúmulo de placas da proteína beta-amiloide nos neurônios já foi identificado com uma das possíveis causas para o mal de Alzheimer.

A descoberta reforça os resultados de estudos anteriores que encontraram evidências dos efeitos preventivos dos canabinóides, incluindo o THC, em pacientes com doença neurodegenerativa. O efeito do THC foi testado em neurônios humanos cultivados em laboratório e que simulam o mal de Alzheimer.

"Embora outros estudos tenham oferecido provas de que os canabinóides podem ser um neuroprotetor contra os sintomas da doença de Alzheimer, acreditamos que nosso estudo é o primeiro a demonstrar que os canabinóides afetam tanto a inflamação quando o acúmulo de beta-amiloides em células nervosas", disse David Schubert, um dos membros da equipe do Instituto Salk para pesquisas biológicas, na Califórnia.

Ninguém está inteiramente certo sobre o que causa a doença de Alzheimer, mas acredita-se que é resultado de um acúmulo de dois tipos de lesões: placas amiloides e emaranhados neurofibrilares. O motivo do aparecimento das lesões também é um mistério, mas estudos ligaram a inflamação no tecido cerebral com a proliferação de placas e emaranhados neurofibrilares.

No entanto, em 2006, pesquisadores descobriram que o THC inibe a formação dessas placas amiloides por meio do bloqueio da enzima no cérebro que as produz. Agora, Schubert e sua equipe demonstraram que ele também pode eliminar uma resposta inflamatória perigosa nas células nervosas, garantindo a sua sobrevivência.

Diferente do que muitos pensam, o THC não é apenas o responsável pela maioria dos efeitos psicológicos da maconha, como ficar doidão. Na verdade, pesquisadores têm utilizado suas propriedades naturais para tratar diversos sintomas, como dor crônica e efeitos colaterais dos tratamentos de HIV e quimioterapia, além de estresse pós-traumático e acidente vascular cerebral.

Fonte: Science Daily