Primeiro transplante de cabeça da história está marcado para 2017

Por Redação | 14.09.2015 às 09:07 - atualizado em 14.09.2015 às 09:55
photo_camera SPUTNIK/KIRILL KALLINIKOV

Portador da Doença de Werdnig-Hoffman, o russo Valery Spiridonov será a primeira pessoa a receber um transplante de cabeça na história da medicina mundial. A condição do paciente de 30 anos de idade envolve uma atrofia muscular espinhal que resulta em enfraquecimento muscular e a doença não tem cura. Agendado para dezembro de 2017, o procedimento será feito por uma equipe de mais de 150 profissionais liderados pelo cirurgião italiano Sergio Canavero.

A doença permite o desenvolvimento normal do cérebro do indivíduo, ou seja, o paciente tem consciência dos riscos envolvidos numa cirurgia inédita como essa, na qual a cabeça de Spiridonov será implantada no corpo de outro homem. O procedimento deverá levar cerca de 36 horas para ser concluído.

Valery Spiridonov

Valery Spiridonov, portador da Doença de Werdnig-Hoffman que receberá o transplante de cabeça (Reprodução: TASS/CORBIS)

"Se tudo der certo, dois anos será o tempo necessário para verificar os cálculos científicos e planejar os detalhes do procedimento. A cirurgia será feita assim que todos os médicos e especialistas tiverem certeza de sucesso", contou o paciente à agência de notícias russa Sputnik.

Para a realização do transplante, a cabeça de Spiridonov será resfriada para desacelerar a taxa de decomposição de suas células. Depois, as veias e artérias de seu pescoço serão ligadas a máquinas especiais capazes de manter o fluxo de sangue na cabeça durante o procedimento. Em seguida, os médicos romperão a medula espinhal, encaixando-a no novo corpo. Por último, será feita a reconexão dos nervos, artérias, veias e músculos.

Dentre os riscos de uma cirurgia dessa magnitude estão a rejeição do novo corpo, que pode apresentar uma espécie de "tela azul" por ficar sobrecarregado com novos caminhos e química com os quais não está acostumado. A recuperação pós-operatória do paciente deve levar até um ano, segundo os médicos.

Fonte: Sputnik News