Primeiro exoplaneta foi descoberto sem ninguém ter percebido em 1917

Por Redação | 16.04.2016 às 19:00

Uma pesquisa sobre sistemas planetários ao redor de anãs-brancas realizada recentemente no Observatório de Carnegie, nos Estados Unidos, revelou que, surpreendentemente, a primeira descoberta de um exoplaneta aconteceu em 1917 – e não na década de 1990, como pensávamos até hoje.

O observatório possui um arquivo com centenas de milhares de placas fotográficas de observações astronômicas feitas por mais de um século, e uma dessas placas foi registrada pelo astrônomo holandês Adriaan van Maanen no início do século passado. Então Jay Farihi, da Universidade College de Londres, analisou as observações centenárias do holandês contendo o espectro eletromagnético da estrela em questão.

Durante essa análise, Farihi acabou descobrindo que os dados registravam a presença de elementos pesados como cálcio, magnésio e ferro, que já teriam desaparecido há muito tempo do interior da estrela, decido ao seu peso. Então a única explicação cabível seria a de que o espectro teria revelado indícios de que aquele corpo celeste se tratava de um planeta – o primeiro exoplaneta já descoberto pelo homem.

Segundo John Mulchaey, diretor do observatório que armazena esses registros, “o mecanismo que cria os anéis de detritos planetários e a deposição sobre a atmosfera estelar requer a influência gravitacional de planetas completamente desenvolvidos. O processo não pode ocorrer a menos que houvesse planetas lá”.

Até então, era tido como correto que somente em 1992 foram descobertos os primeiros planetas orbitando estrelas que não fossem o nosso Sol – observados por Aleksander Wolszczan. A partir de agora, a revelação abrirá caminho para que outros cientistas e observadores possam analisar mais detalhadamente a existência desse exoplaneta, que ainda não tem nome.

Mulchaey acredita que essa descoberta fantástica possa inspirar também outros especialistas a adentrarem no porão do Observatório de Carnegie a fim de reavaliar descobertas do passado, já que o local possui uma das maiores coleções de placas astronômicas do mundo, com um arquivo de cerca de 250 mil itens.

Fonte: Carnegie Institution for Science