Pouso perfeito dos foguetes da SpaceX pode revolucionar transporte espacial

Por Redação | 15 de Abril de 2015 às 17h55

Na terça-feira (14), a companhia de voos espaciais comerciais SpaceX quase conseguiu o que para muitos seria impossível: aterrissar com sucesso um de seus foguetes Falcon 9 numa plataforma flutuante sobre o mar, a 200 milhas da costa da Flórida. A experiência não deu certo, por pouco, e abriu caminho para mais um grande passo do inventor e bilionário sul-africano Elon Musk, proprietário da empresa, rumo à revolução no transporte interplanetário.

A tentativa de pouso numa superfície tão pequena e instável foi transmitida pelo próprio Musk, via Twitter. O empresário narrou a saída do foguete Falcon 9 da estação espacial Space Station até mal-sucedida aterrissagem. Musk vem tentando realizar o pouso perfeito de seus foguetes já há algum tempo. Da última vez, em janeiro, as aletas da grade crucial para manter o objeto voador na posição vertical ficaram sem fluído hidráulico. Em alta velocidade, ele atingiu a barca num ângulo desfavorável e explodiu.

Desta vez, o foguete conseguiu colocar com sucesso a sonda Dragon em órbita, mas, por pouco, não conseguiu pousar no drone aquático. A nave chegou à posição adequada para o pouso, com os propulsores e controles direcionais funcionando perfeitamente, porém, "um excesso de velocidade lateral o levou a inclinar-se e desaprumar-se após a aterrissagem", segundo o próprio Musk. Confira um vídeo que ilustra o ocorrido, enviado pela própria SpaceX:

Musk sonha em conseguir pousar com sucesso seus foguetes em drones marinhos para poder reutilizá-los. Usar a mesma nave por diversas vezes pode ser uma revolução no transporte interplanetário. A SpaceX já conseguiu reduzir os custos de lançamentos, criando um design mais eficiente em termos de custo. Reaproveitar reduziria significantemente os custos de produção e lançamento de um Falcon9, que consome (aproximadamente) atualmente US$ 61 milhões.

Para conseguir o que almeja, o mais importante no momento é realizar com sucesso o plano de pouso. Isso envolve uma série de manobras complexas. A primeira delas é o foguete se reorientar depois de entregar a carga no espaço, quando ele volta à terra e usa grades de aletas para dissipar o calor, um sofisticado sistema de rastreamento via GPS e queima de motores estrategicamente cronometrados.

O que tem causado surpresa a todos é o fato dos foguetes estarem quase pousando perfeitamente em sua segunda tentativa. O primeiro estágio do Falcon 9 consumiu cerca de 3/4 do custo de US$ 61 milhões e cada lançamento leva cerca de US$ 200 mil, apenas em combustível. Então, se a SpaceX conseguir economizar a primeira fase a cada nova viagem, isso mudará as cifras que envolvem viagens espaciais para sempre.

"Se alguém descobrir como reutilizar efetivamente foguetes assim como os aviões, o custo de acesso ao espaço será reduzido em até cem vezes", projeta Musk, no site da SpaceX. O custo dos lançamentos seria relacionado apenas ao combustível e ao oxigênio, o que gira entre US$ 200 mil e US$ 300 mil. Bem menos do que os US$ 61 milhões atuais para cada viagem.

SPACEX REUSE

Até agora, apenas dois lançamentos acontecem todos os meses. Com foguetes reutilizáveis, vários poderiam ser enviados, até no mesmo dia. E, caso isso aconteça, não será apenas um passo adiante nas viagens espaciais, mas também uma essencial vitória comercial da SpaceX diante de seus concorrentes, como a Orbital Technologies.

Atualmente, a SpaceX tem um contrato de US$ 1,6 bilhão junto à agência espacial norte-americana, a NASA. Esse serviço prevê o transporte de suprimentos para os astronautas que vivem e trabalham a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). A reutilização dos foguetes baixaria ainda mais os valores e a competição com a SpaceX para a realização deste trabalho.

A única empresa de voo espacial que tenta enfrentar à altura a SpaceX é a United Launch Alliance (ULA), que acaba de anunciar planos para seu novo foguete, o Vulcan. A companhia tentará também reutilizar partes de sua nave, contudo, seu design não é tão reaproveitável quanto o da concorrente.

A reutilização dos foguetes pode também tornar muito mais barato para a SpaceX o envio de astronautas até a ISS. A empresa já adiantou que sua próxima cápsula, a Dragon v2, teve seu desenvolvimento financiado pela NASA, para baixar os custos de envio de pessoal. A companhia de Musk já está usando uma versão preliminar desta cápsula. A Boeing também tem um contrato com a NASA e revelou que a cápsula espacial CST-100 está em fase de testes.

Com os resultados da experiência da terça-feira, Musk espera conseguir pousar perfeitamente seus foguetes até o final do ano. O próximo teste acontecerá provavelmente em junho. É aguardar para ver.

Via Wired, Business Insider e SpaceX.

Fonte: http://www.businessinsider.my/spacex-and-elon-musk-have-changed-spaceflight-2015-4/#5H0xbfx0kmsrssRw.97

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