Pesquisadores criam bafômetro capaz de detectar maconha

Por Nathan Vieira | 27 de Agosto de 2019 às 17h25

O bafômetro já está em vigor há muito tempo, e representa o verdadeiro pesadelo do motorista imprudente que tomou umas e outras antes de encarar a estrada. No entanto, nesta terça-feira (27), uma equipe interdisciplinar do Departamento de Química e da Escola de Engenharia Swanson (nos Estados Unidos) levou isso a outro nível, e lançou um bafômetro cuja função é, basicamente, detectar maconha.

O funcionamento é o seguinte: o bafômetro mede a quantidade de tetrahidrocanabinol (THC), o composto psicoativo da maconha, na respiração do usuário. Ele foi desenvolvido utilizando minúsculos tubos de carbono 100.000 vezes menores, em diâmetro, que um fio de cabelo humano. A molécula de THC, assim como outras moléculas presentes no ar que circula nos pulmões e resulta na expiração, fica ligada à superfície dos nanotubos e altera suas propriedades elétricas. O pulo do gato está na velocidade na qual as correntes elétricas se recuperam, o que indica se o THC está presente.

"Os semicondutores de nanotubos de carbono que estamos usando não estavam disponíveis até alguns anos atrás", diz Sean Hwang, principal autor do estudo. "Ensinamos o bafômetro a reconhecer a presença do THC com base no tempo de recuperação das correntes elétricas, mesmo quando há outras substâncias, como o álcool, presentes na respiração", ele ainda revela.

Já o professor de engenharia elétrica e de engenharia da computação na Escola de Engenharia Swanson, Ervin Sejdic, que também faz parte do projeto, afirma: "Criar um protótipo que funcionaria na prática foi um passo crucial para tornar essa tecnologia aplicável. Foi preciso uma equipe interdisciplinar para transformar essa ideia em um dispositivo utilizável que é vital para manter as estradas seguras".

Ervin Sejdic, PhD (à esquerda) e Alexander Star (à direita) com o protótipo do bafômetro para maconha (Foto: Universidade de Pittsburgh)

O protótipo é bem parecido um bafômetro para álcool. Ao ser testado em laboratório, detectou o THC em uma amostra de respiração que também continha componentes como dióxido de carbono, água, etanol, metanol e acetona. Os pesquisadores continuarão a testar o protótipo. "Criar um dispositivo desse tipo é um primeiro passo importante para garantir que as pessoas não fumem e dirijam", completa Star.

Fonte: Phys Org

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