Para Stephen Hawking, buracos negros podem ser passagem para outro universo

Por Redação | 27 de Agosto de 2015 às 08h17
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Em uma apresentação no Instituto Real de Tecnologia KTH em Estocolmo, Suécia, o renomado físico britânico Stephen Hawking pode ter apresentado a solução para um dos problemas de maior debate na comunidade científica nos últimos 40 anos: o paradoxo da perda das informações, que discute, entre outras teorias, se um objeto atraído para dentro de um buraco negro pode ou não escapar para outro lugar.

Basicamente, os buracos negros são resultado do colapso de estrelas gigantes sob a própria gravidade, que por sua vez cria um campo gravitacional tão poderoso que nem mesmo a luz consegue escapar deles. Em tese, tudo o que é puxado por sua intensa atração gravitacional nunca mais poderia ser visto ou ouvido novamente. Tal efeito é explicado pela relatividade geral de Albert Einstein, que diz que a informação, ao passar por um buraco negro, precisa ser destruída. No entanto, a teoria é contrária a uma das leis mais básicas da mecânica quântica, que diz que nenhuma informação pode ser destruída.

Esse contraponto entre duas das principais teorias usadas para explicar nosso universo gerou o chamado paradoxo da perda das informações. Tomando as teorias como base, Hawking elaborou, na década de 1970, o conceito de radiação Hawking, em que os buracos negros seriam capazes de emitir "fótons sem informação" através de flutuações quânticas - pequenas anomalias de energia no espaço-tempo. Na época, o físico disse que essa radiação não deixa informações dentro do buraco negro, mas em 2004 propôs uma nova teoria dizendo que as informações realmente poderiam escapar deles.

Até então, não estava claro como esse processo acontecia, mas agora Hawking elaborou duas hipóteses para explicar o problema: ou a informação fica armazenada na fronteira do buraco negro, ou os buracos negros são uma passagem para outro universo.

Na primeira hipótese, Hawking descreve que a informação fica retida não no interior do buraco negro, como se pensava antes, mas sim em sua fronteira, chamada "horizonte de eventos", que nada mais é do que o limite do buraco negro. O que o astrofísico sugere é que as informações sobre o estado quântico nas partículas que formam ou caem no buraco negro podem não entrar neles de fato, permanecendo como um holograma em duas dimensões nesse horizonte de eventos. A esse processo, Hawking deu o nome de "supertraduções".

Apesar de complicado, na prática isso significaria que os objetos que passam por um buraco negro poderiam ser traduzidos para uma espécie de holograma: uma descrição 2D de um objeto 3D. "A ideia é que essas supertraduções são como hologramas das partículas que atravessaram [o buraco negro]. Dessa forma, elas contêm todas informações que de outra forma seriam perdidas", disse o britânico.

Hawking ainda afirmou que não sabe exatamente como isso tudo funciona, mas acredita estar no caminho certo. Para o físico, a radiação Hawking pode coletar algumas informações armazenadas no horizonte de eventos e que são emitidas pelas flutuações quânticas, embora nada consiga ser literalmente "traduzido". "As informações sobre a entrada de partículas são devolvidas, mas de uma forma caótica e inútil. Isto resolve o paradoxo de informação. Para todos os efeitos práticos, a informação é perdida", declarou.

E aonde entra essa história de que atravessar o buraco negro dá em outro universo? De acordo com o cientista, ainda com base na radiação Hawking, qualquer coisa que cair em um buraco negro poderia reemergir do nosso lado ou do outro (se existir mesmo um outro lado). Neste caso, "o buraco teria que ser grande e se ele estiver girando talvez tenha uma passagem para outro universo".

"A mensagem desta palestra é que os buracos negros não são tão negros assim. Eles não são as prisões eternas na qual se pensava que fossem. As coisas tanto podem chegar do outro lado como, possivelmente, sair em outro universo. Então, se você cair num buraco negro, não desista. Há uma saída", brincou. Mesmo assim, Hawking destaca que, uma vez do outro lado, não seria possível voltar para o nosso universo e que, apesar de gostar de viagens espaciais, "não tentaria uma coisa dessas".

Fontes: CNET, YouTube

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