O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (30/07/2020)

Por Patrícia Gnipper | 30 de Julho de 2020 às 18h45
Wellington Penilha

Estranhou a ausência desta coluna na terça-feira? Pois é! Acontece que, nesta semana, um lançamento espacial importantíssimo aconteceu hoje, quinta-feira (30) e, por isso, decidimos excepcionalmente resumir as principais notícias científicas dos últimos dias nesta data especial. Vamos descobrir tudo o que aconteceu de mais importante?

1ª imagem de sistema multiplanetário em estrela como o Sol

Os exoplanetas estão indicados pelas setas (Imagem: ESO/Bohn et al/PA)

Eis a primeira imagem real de um sistema multiplanetário em estrela similar ao nosso Sol! O registro foi feito pelo Very Large Telescope, que faz parte do Observatório Europeu do Sul (ESO), observando dois gigantes gasosos ao redor da estrela TYC 8998-760-1.

Missão chinesa rumo a Marte

A China obteve sucesso ao lançar a missão Tianwen-1 rumo ao Planeta Vermelho, levando para lá um rover, um módulo de pouso e uma sonda orbital. Se tudo continuar dando certo, o pouso acontecerá no terreno marciano em fevereiro de 2021, colocando o país asiático em uma rivalidade ainda maior com os Estados Unidos — líderes quando o assunto é a exploração presencial de Marte.

Os três equipamentos a bordo da espaçonave trabalharão em conjunto para estudar a geologia marciana, além de aprender mais sobre o que possa estar abaixo da superfície do planeta. O orbitador tem como missão principal mapear e fotografar o Planeta Vermelho do alto, enquanto o módulo de pouso contendo o rover em seu interior iniciarão a temida descida à superfície. Passando esses "minutos de terror" e o pouso dando certo, o lander funcionará como uma plataforma de entrega, abrindo uma rampa para que o rover enfim chegue à superfície e inicie sua jornada.

Ah, logo depois do lançamento, um observatório da NASA, especializado em detectar pequenos asteroides ao redor da Terra, acabou registrando imagens da Tianwen-1 durante sua jornada (no tweet acima), sendo que a nave já nos presenteou com sua primeira fotografia da Terra e da Lua vistas de longe.

Lua e Terra fotografadas pela sonda Tianwen-1 (Imagem: China National Space Administration)

Rússia testando "destruidor de satélites"?

Polêmica! Em abril deste ano, os Estados Unidos acusaram a Rússia de testar uma tecnologia capaz de destruir satélites na órbita da Terra e, agora, uma nova acusação do tipo foi feita. O novo teste não teria destruído equipamento algum, mas os militares estadunidenses ficaram preocupados com a possibilidade de os russos usarem essa tecnologia para abater satélites dos EUA no futuro.

O Ministério da Defesa da Rússia admitiu que o satélite Kosmos 2543 chegaria perto de um satélite-alvo para testar "uma inspeção", mas, logo depois do lançamento, rastreadores de satélites perceberam a existência de um novo objeto na mesma região. Para os EUA, a ação do Kosmos 2543 seria uma evidência de um sistema de armas russo. Os EUA não podem afirmar totalmente que a Rússia acabou de testar uma arma antissatélites no espaço, ainda que as evidências apontem para isso, mas, de qualquer forma, o país norte-americano já se mostra na defensiva contra possíveis atos hostis contra seus equipamentos espaciais.

SpaceX e NASA juntas novamente na ISS em setembro

A nave Crew Dragon acoplada à ISS (Foto: NASA)

Depois do sucesso missão de testes Demo-2, que levou dois astronautas da NASA a bordo da nave Crew Dragon à Estação Espacial Internacional, em maio, chega a hora de realizar a primeira missão tripulada operacional do tipo. Estamos falando da Crew-1, a próxima missão tripulada da SpaceX e verdadeiramente operacional para a NASA, que levará três astronautas da agência norte-americana ao lado de um japonês à ISS, também a bordo da nave Crew Dragon, da SpaceX. Tudo isso acontecerá em setembro, após o retorno da dupla de astronautas que participa da Demo-2 — o que deve acontecer no início de agosto.

Cometa no céu brasileiro

Cometa NEOWISE passando acima da igrejinha de Santa Catarina, zona rural de Juramento, em Minas Gerais (Foto: Reprodução/Harlen Veloso)

Os moradores do hemisfério sul acabaram também sendo agraciados com a presença do cometa C/2020 F3 NEOWISE no céu noturno — e os brasileiros não ficaram de fora, registrando fotos sensacionais da rara passagem deste objeto espacial por nossas redondezas. Rara porque sua órbita ao redor do Sol leva 6.765 anos para se completar; ou seja: ele demorará todo esse tempo para dar o ar de sua graça por aqui novamente!

Mas nem todos os astrofotógrafos do mundo que tentaram fotografar o NEOWISE ficaram felizes, como foi o caso da imagem abaixo, completamente arruinada graças à passagem de satélites Starlink exatamente na hora dos cliques:

Asteroide-surpresa!

No destaque, o objeto 2020 OY4 fotografado na segunda-feira, 27 de julho (Imagem: Virtual Telescope Project)

Medindo entre 2,3 e 5,2 metros, o asteroide 2020 YO4 foi descoberto no último domigo e, apenas algumas horas depois, passou extremamente perto de nosso planeta, surpreendendo a todos. Ele chegou a cerca de 42 mil quilômetros de nós, algo equivalente a 11% da distância média entre a Terra e a Lua.

Mars 2020 lança rover e helicóptero ao Planeta Vermelho

Julho foi o mês dos lançamentos rumo a Marte! Primeiro, os Emirados Árabes Unidos lançaram a missão Hope Mars, levando uma sonda orbital para lá. Depois, a China obteve sucesso ao lançar a Tianwen-1, como falamos acima neste texto. Agora, chegou a vez dos EUA de "subir no bonde": a NASA lançou a ambiciosa missão Mars 2020, levando o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity ao nosso planeta vizinho, com previsão de chegarem lá em fevereiro do ano que vem.

Enquanto o rover tem como objetivo principal a coleta de amostras do terreno marciano (que serão trazidas à Terra no futuro, resgatadas em uma missão que acontecerá em parceria com a Agência Espacial Europeia) para procurar por bioassinaturas (ou seja, sinais de que a vida um dia existiu também em Marte), o helicóptero testará sua tecnologia de voo autônomo em outro planeta.

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A partir de agora, você confere o resumo com as principais notícias de saúde que rolaram na última semana, em especial as relacionadas à pandemia de COVID-19.

Seis tipos diferentes de COVID-19

(Imagem: Unsplash)

Pesquisadores britânicos descobriram a existência de seis diferentes tipos da doença, com sintomas que também se diferem no que diz respeito à gravidade das manifestações. Embora tosse contínua, febre e perda de olfato sejam principais sintomas de COVID-19, os dados coletados dos usuários do aplicativo mostram que as pessoas podem experimentar uma ampla gama de sintomas diferentes, incluindo dores de cabeça, dores musculares, fadiga, diarreia, perda de apetite e falta de ar.

Os seis tipos de COVID-19 são:

  • 1. Semelhante à gripe, mas sem febre: pessoas neste grupo sofrem de dores de cabeça, perda de olfato, dores nos músculos, tosse, garganta inflamada, dor no peito, mas não têm febre.
  • 2. Semelhante à gripe e com febre: dores de cabeça, perda de olfato, tosse, garganta inflamada, rouquidão, febre e perda de apetite.
  • 3. Gastrointestinal: o grupo três sente dores de cabeça, perda de olfato, de apetite, garganta inflamada, dor no peito, diarreia, mas sem tosse.
  • 4. Nível 1 severo, fadiga: dores de cabeça, perda de olfato, tosse, febre, rouquidão, dor no peito e fadiga.
  • 5. Nível 2 severo, confusão mental: as pessoas têm dores de cabeça, sofrem de perda de de olfato, perda de apetite, tosse, rouquidão, garganta inflamada, dor no peito, fadiga, confusão mental e dores nos músculos.
  • 6. Nível 3 severo, sintomas abdominais e respiratórios: pacientes nesta categoria apresentam vários sintomas que incluem dores de cabeça, perda de olfato, perda de apetite, tosse, febre, rouquidão, dor no peito, fadiga, confusão mental, dores musculares, falta de ar, diarreia e dores abdominais.

E como anda o desenvolvimento das vacinas?

Boa notícia com balde de água fria na sequência: a Anvisa liberou, no Brasil, os testes com a nova vacina da Pfizer; porém, o governo dos EUA já solicitou 100 milhões de doses desta vacina, que serão destinadas exclusivamente a seu país, num primeiro momento. Somente depois é que a farmacêutica produzirá novos lotes — a Pfizer espera produzir mais de 1,3 bilhão de doses em 2021, que serão distribuídas a todo o mundo depois de fornecer os EUA, primeiro.

Mas agora vem uma boa notícia de verdade para nós, brasileiros: a vacina chinesa da Sinovac, com a qual o Instituto Butantan tem parceria para distribuição em nosso país, deve chegar em janeiro de 201. Ao menos foi o que o governador de São Paulo, João Doria, declarou em entrevista recente, garantindo que a vacina chegará à população gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

Outra luz no fim do túnel pode vir pelas mãos da chinesa Sinopham, cuja vacina acaba de entrar em fase de testes com humanos aqui no Brasil. Esta é a quarta empresa que, por enquanto, está fazendo testes clínicos com vacinas contra a COVID-19 em nosso país. Esta vacina começará a ser testada em agosto no Paraná, fruto de uma parceria do governo do estado com a farmacêutica oriental.

Já na Rússia, a coisa parece estar mais avançada. O país pretende aprovar sua primeira vacina contra a COVID-19 dentro de suas semanas, ou seja, em agosto de 2020. "Parece", pois pesquisadores ainda aguardam a publicação de artigos científicos detalhando as fases de desenvolvimento do imunizante, garantindo que a vacina realmente esteja pronta neste prazo.

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