O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (24/07/2018)

Por Patrícia Gnipper | 24 de Julho de 2018 às 17h53

Terça-feira, o dia em que já virou tradição falarmos de ciência aqui no Canaltech! Semanalmente, a gente faz uma síntese com as principais notícias sobre ciência e astronomia, sejam elas do tipo motivadoras, recheadas de novas descobertas e avanços, sejam com informações preocupantes, que servem como um alerta para a humanidade.

Mais luas em Júpiter

O planeta com o maior número de satélites naturais do Sistema Solar acaba de ganhar doze novas luas, recentemente descobertas por nós. Agora, Júpiter tem oficialmente 79 luas.

A equipe responsável pela descoberta estava, na verdade, procurando pelo quase mítico Planeta X, mas acabaram avistando as pequenas luas em 2017 — sendo que o processo de confirmação de que se tratavam, de fato, de satélites naturais jovianos, levou cerca de um ano.

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E uma das novas luas se destaca: a apelidada de "Valetudo" tem uma órbita bizarra, diferente de todas as luas conhecidas em Júpiter. Levando cerca de um ano e meio para ser completada, a órbita desta pequena lua atravessa a órbita das luas retrógradas exteriores, o que causa colisões frontais mais frequentes.

A linha verde corresponde à órbita da estranha Valetudo

Neutrinos do espaço profundo confirmados

Os neutrinos, também conhecidos como "partículas fantasmas", também vêm do espaço profundo. A ciência conseguiu, pela primeira vez na história, captar neutrinos na Terra que vieram do espaço profundo, confirmando que potentes fontes de energia no espaço produzem neutrinos, capazes de viajar a longas distâncias por aí.

Foto histórica de Netuno

Quando a sonda Voyager passou por Netuno, em 1989, ela produziu fotos sem precedentes do gigante gasoso azulado. Desde então, nenhuma outra missão espacial foi dedicada para estudar o planeta em questão e, aqui da Terra, as imagens de Netuno obtidas por telescópios não são exatamente das mais nítidas.

Contudo, uma atualização no Very Large Telescope, que fica no Chile, permitiu o registro de uma foto histórica do planeta, sendo praticamente tão nítida quanto à do Hubble, que fica no espaço. Para isso, foi preciso usar uma tecnologia de adaptação óptica para corrigir a distorção da imagem causada pela nossa atmosfera.

Comparando a foto de Netuno feita pelo VLT, ao lado da foto do Hubble

EUA podem ficar de fora da ISS

Pode ser que, pela primeira vez na história, não vejamos nenhum astronauta norte-americano na Estação Espacial Internacional no próximo ano. Por isso, a NASA vem tentando fazer com que a Boeing e a SpaceX acelerem o desenvolvimento de suas naves de transporte de tripulação, uma vez que a ideia é se independer da Soyuz, administrada pela Rússia — nave que, atualmente, faz o transporte de astronautas para a ISS.

Só que o andamento do trabalho com a SpaceX está lento e, para piorar, a Boeing enfrentou agora um problema de design em sua nave, o que vai atrasar o cronograma do projeto. Um vazamento no mecanismo de propulsão do sistema de abortar a missão aconteceu durante testes recentes e, caso ambas as companhias não consigam mesmo entregar suas naves em tempo, os EUA terão duas opções: aceitar que ficarão de fora da ISS, ou continuar contando com os russos, sendo que um assento norte-americano na Souyz custa pelo menos US$ 70 milhões.

O eclipse lunar mais longo do século vem aí

Na próxima sexta-feira (27), teremos o privilégio de observar este que será o eclipse lunar mais longo do século XXI. O fenômeno será visível daqui do Brasil a partir das 17h30, e terá duração de uma hora e 43 minutos.

Por se tratar de uma "lua de sangue", a coloração do nosso satélite natural estará avermelhada, conferindo um charme ainda maior para o eclipse.

A lua pode ter sido habitável no passado

Ao menos é o que acreditam os autores de um novo estudo, indicando que nosso satélite natural pode ter tido condições de abrigar vida em um passado muito distante.

Segundo seus estudos, a Lua pode ter sido habitável logo após sua formação há 4 bilhões de anos, com as condições da superfície se tornando habitáveis novamente depois de atividades vulcânicas, que aconteceram há 3,5 bilhões de anos.

Os cientistas creem que a Lua expeliu, nesses períodos, grandes quantidades de gases voláteis superaquecidos, incluindo vapor de água, de seu interior. Essa saída de gás pode ter formado poças de água líquida na superfície, além de uma atmosfera densa o suficiente para durar por milhões de anos. E se a água líquida estivesse presente junto a uma atmosfera por um longo período de tempo, a superfície lunar teria sido temporariamente habitável.

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