O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (22/09/2020)

Por Patrícia Gnipper | 22 de Setembro de 2020 às 19h00
NASA/ESA/A. Simon/M. H. Wong/OPAL team

Mais uma terça-feira está entre nós e, com ela, você tem mais uma oportunidade de ficar por dentro das notícias mais importantes do "mundão" da ciência, que rolaram na última semana aqui no Canaltech. Toda semana, preparamos um resumo com tudo de mais relevante que tem acontecido em especial nas áreas da astronomia e da saúde, para que você consiga ficar muito bem informado sem levar muito tempo para cumprir essa missão.

Vamos lá?

Ciclo solar atual está estável, mas próximos podem ficar mais fortes

Compreender a dinâmica dos ciclos solares é essencial para que possamos prever quando (e com quanta intensidade) as tempestades magnéticas causadas pelo Sol vão atingir a Terra — o que é fundamental para conseguirmos proteger sistemas de satélites de comunicação, por exemplo. A boa notícia é que estamos entendendo cada vez melhor o funcionamento da nossa estrela-mãe e, agora, sabemos que o atual ciclo solar, que acabou de começar, manterá a intensidade do ciclo anterior.

Por um lado, a notícia é boa: podemos concluir que as próximas tempestades magnéticas não serão intensas o suficiente para ameaçar nossas tecnologias. Por outro, pode ser uma má notícia: se o próximo ciclo não seguir esse padrão de estabilidade, é possível que enfrentemos tempestades solares muito mais intensas dentro de 11 anos — período que dura cada ciclo solar.

Planeta tão grande quanto Júpiter sobreviveu à morte de uma estrela

Foi descoberto um exoplaneta com dimensões similares às de Júpiter na órbita de uma anã branca — ou seja, uma estrela similar ao Sol que já chegou ao fim de seu ciclo de vida. O surpreendente desta notícia é que o processo de "morte" de uma estrela, até que ela se torne uma anã branca, envolve uma expansão de suas camadas externas o suficiente para engolir (e destruir) todos os planetas mais próximos — o que não aconteceu com este, chamado WD 1856b.

Nova foto de Júpiter mostra mudanças em suas faixas coloridas

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/A. Simon/M. H. Wong/OPAL)

Uma nova fotografia do maior planeta do Sistema Solar, tirada pelo telescópio espacial Hubble, revelou mudanças em suas tempestades gigantes, que colorem sua atmosfera. A imagem foi capturada no dia 25 de agosto e um dos destaques, como de costume, é a Grande Mancha Vermelha, que agora mede cerca de 15.772 km de diâmetro. Essa mancha é, na verdade, uma tempestade colossal, mas que está diminuindo pelo menos desde 1930, sem que ninguém saiba explicar o porquê.

Outra mudança sutil aconteceu na mancha que fica logo abaixo da Grande Mancha Vermelha. Conhecida como Mancha Vermelha Jr., ela vinha perdendo a coloração avermelhada nos últimos anos, mas agora o núcleo dessa tempestade parece estar escurecendo um pouco. Será que isso significa um lento processo que levará o vermelho de volta a esta mancha desbotada?

Mudanças climáticas impactam as observações astronômicas

Um novo estudo revelou mais um lado preocupante das mudanças climáticas em nosso planeta: os efeitos do aquecimento global causam impactos também nas observações do céu noturno. A equipe por trás do estudo observou que aumento das temperaturas e turbulências no ar fazem com que imagens astronômicas tenham cada vez menos nitidez.

Eles analisaram dados de temperatura, velocidade do vento, direção do vento e vapor de água na atmosfera em um período de algumas décadas, e verificaram que houve um aumento acima da média mundial das temperaturas, além de desfoque nas imagens causada pela turbulência do ar.

Sonda que vai estudar Mercúrio vai buscar sinais de vida em Vênus

(Imagem: Reprodução/ESA)

Depois da descoberta de fosfina na atmosfera de Vênus, todos os olhares se voltaram ao "planeta infernal" na busca de vida fora da Terra. Justamente para verificar essa questão, a sonda europeia BepiColombo, que estudará Mercúrio de pertinho, aproveitará a passagem pelas redondezas venusianas para fazer algumas análises.

Embora a observação de Vênus já estivesse planejada pela equipe da BepiColombo desde o ano passado, não havia, na época, nenhuma pista real para buscar formas de vida em tal planeta. Mas, claro, os pesquisadores não devem perder essa nova oportunidade. Afinal, se houver alguma chance de olhar mais de perto para a fosfina venusiana e tentar confirmar se há ou não chances de encontrar formas de vida na atmosfera do planeta, por que não aproveitá-la? O primeiro sobrevoo por Vênus acontece em outubro deste ano, com um segundo rolando em agosto de 2021.

Nova missão em Vênus pode estar a caminho

Representação conceitual da missão Calypso (Imagem: Reprodução/Sam Zaref/arXiv)

Uma nova missão presencial para o planeta da vez pode ser aceita pela NASA. O nome dela é Calypso Venus Scout e a ideia seria enviar uma sonda para estudar a atmosfera venusiana, presa por um balão. A missão ainda não foi aceita oficialmente pela agência espacial norte-americana, e os autores da proposta imaginam que ela deve precisar de uma década para concluir seu estágio de desenvolvimento.

Auroras também ocorrem em cometas

Sabemos que as auroras não são exclusividade da Terra, pois já foram avistadas em outros planetas no Sistema Solar. Mas a novidade, agora, é a descoberta de que as auroras também ocorrem em cometas — ou ao menos em um cometa específico. Estamos falando do 67P, estudado pela missão Rosetta há alguns anos.

Auroras acontecem devido à interação de partículas ionizadas com a atmosfera de um mundo, resultando aquele show luminoso no céu. Porém, o cometa não possui campo magnético e, mesmo assim, foi observada, por meio de uma nova análise de dados da missão europeia, uma radiação brilhante equivalente a uma aurora ao redor do objeto espacial.

Leia também:

A partir de agora, você fica por dentro do que está rolando de mais importante em relação à pandemia de COVID-19:

COVID-19 desacelerando no Brasil

(Imagem: Reprodução/outsideclick/pixabay)

Segundo um novo estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas, a disseminação da COVID-19 no Brasil está em queda. A pesquisa mostrou que o número de brasileiros com anticorpos do Sars-Cov-2 diminuiu com relação ao período anterior avaliado. O estudo coletou amostras entre 27 e 30 de agosto, sendo que 1,4% dos entrevistados tiveram contato com o coronavírus. Na fase anterior, realizada em junho, o número havia sido 3,8%.

Na opinião dos especialistas, o declínio dos níveis de anticorpos ao longo do tempo não indica que as pessoas deixaram de estar protegidas, porque o organismo guarda a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção. As pessoas com testes positivos na última fase da pesquisa tiveram infecções relativamente recentes, enquanto as infectadas há mais tempo apresentaram resultado negativo nesta etapa. Para o reitor da instituição,

Vacina da Pfizer provocou efeitos colaterais

(Imagem: Reprodução/Heung Soon/Pixabay)

Resultados preliminares da terceira (e última) fase dos testes clínicos da vacina da Pfizer contra a COVID-19 mostraram efeitos colaterais leves e moderados em alguns voluntários. Entre os efeitos relatados, foram identificados fadiga, dor de cabeça, calafrios e dores musculares. Além disso, alguns participantes do ensaio também apresentaram febre — incluindo quadros com febres altas.

Ainda assim, a Anvisa autorizou a ampliação dos estudos de vacina da Pfizer no Brasil. O número de voluntários dobrará, passando de 1 mil para 2 mil participantes. Os testes estão sendo realizados nos estados da Bahia e São Paulo, em mil voluntários para cada um desses estados. Também foi autorizada a ampliação da faixa etária dos participantes, mudando de 18 para 16 anos de idade.

Leia também:

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.