O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (19/05/2020)

Por Patrícia Gnipper | 19 de Maio de 2020 às 11h00
NASA

Se alguém perguntar a você um "e aí, o que tem rolado de legal no mundo da ciência?", você saberia responder? Se a resposta for "não", e o motivo dessa negativa for uma pura e simples falta de tempo para acompanhar o noticiário como você gostaria, o Canaltech te ajuda! Toda terça-feira, a gente publica um resumão das principais notícias científicas da última semana — em especial nas áreas da astronomia e da saúde. Bora lá!

Suposto OVNI em Pau Grande — e a piada pronta nas redes sociais

Na mesma semana em que satélites Starlink ficaram visíveis no céu noturno brasileiro, com muita gente especulando que se tratariam, na verdade, de OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados), luzes e barulhos no céu de Magé, no Rio de Janeiro, foram relatados nas redes sociais — e houve um bafafá enorme porque o suposto objeto teria caído no distrito de Pau Grande.

Os memes não demoraram a chegar, e a hashtag #paugrande foi parar nos Trending Topics do Twitter. Contudo, apesar de não ter surgido uma explicação definitiva para as luzes supostamente estranhas e seguidas de barulhos no céu, as autoridades locais negaram a ocorrência de qualquer fenômeno incomum na região, negando também que algum objeto tivesse caído do céu por lá.

Vale lembrar que, alguns dias antes, um foguete chinês caiu no Oceano Atlântico de forma descontrolada. Além disso, também alguns dias antes do "OVNI de Pau Grande", o estágio superior de um foguete russo explodiu no espaço, com destroços caindo no Oceano Índico. Então, se alguma coisa de fato caiu em Magé, é mais provável que tenha sido um detrito de algum desses eventos, já que a SpaceX não relatou a perda de nenhum de seus satélites enquanto passavam pelo nosso país.

Chuva artificial de meteoros causada pela NASA?

No ano que vem, a NASA vai lançar a missão DART rumo ao asteroide Didymos e sua lua Didymoon, com o objetivo de chocar a nave com um dos pequenos objetos para descobrir se é possível desviar a órbita de um asteroide — caso o teste seja bem sucedido, saberemos ao menos uma maneira de tentar mandar para longe algum asteroide destruidor que porventura venha em nossa direção no futuro. Só que, ao fazer isso (o que deve acontecer em 2022), será causada uma explosão com energia equivalente a três toneladas de TNT — o que gerará muitos detritos sendo lançados ao espaço em alta velocidade.

A maioria deles acabará seguindo a órbita do asteroide, mas não é impossível que alguns desses pedaços atinjam velocidades maiores, fazendo com que eles se libertem da atração gravitacional do objeto maior e cheguem à Terra dentro de 15 a 30 dias após o impacto. Se isso acontecer, a NASA acabará causando uma chuva artificial de meteoros — que seria a primeira produzida por atividades humanas no espaço, em toda a história.

E por falar em chuva de meteoros… no ano passado, uma empresa japonesa lançou um satélite à órbita da Terra, carregando esferas para então jogá-las contra a atmosfera terrestre, com o objetivo de criar uma chuva de meteoros artificiais. Isso deveria acontecer pela primeira vez neste ano de 2020, mas a empresa adiou os planos, pois o satélite está passando por "problemas técnicos" e será necessário lançar um novo. Pode ser que isso aconteça apenas em 2023. Agora, por que a empresa está fazendo isso? A ideia é oferecer chuvas de meteoros artificiais para grandes eventos, algo como uma evolução dos espetáculos com fogos de artifício para o século XXI.

NASA quer que outros países participem do retorno à Lua

(Imagem: NASA)

A agência espacial dos EUA está abrindo seu Programa Artemis para que outras nações se envolvam no retorno triunfal da humanidade à superfície lunar. Um acordo foi proposto a países que desejam cooperar com a missão de exploração sustentável da Lua, desde que sigam uma série de princípios para garantir um futuro "seguro, próspero e pacífico" no espaço.

Entre esses princípios, está o uso de recursos espaciais com finalidade exclusiva para a exploração de outros mundos. Isso significa que a NASA não quer que parceiros que cheguem à Lua por meio de seu programa Artemis extraiam recursos naturais do nosso satélite natural para trazê-los à Terra. Pode ser que isso seja autorizado apenas para quem desejar usar tais recursos por lá mesmo, como, por exemplo, na produção de materiais de construção a partir do regolito lunar, ou na produção de combustível ao se extrair hidrogênio da água congelada que existe em crateras escuras nos polos lunares.

Ainda, a NASA exige que qualquer país parceiro nessa empreitada histórica descreva publicamente suas políticas e planos espaciais. Outra exigência é que os parceiros se comprometam em divulgar publicamente os dados científicos obtidos, "garantindo que o mundo todo possa se beneficiar" disso.

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A partir de agora, você confere as notícias mais quentes da última semana na área da saúde, especificamente envolvendo a pandemia de COVID-19.

Lockdown pode ser necessário em São Paulo

(Foto: Pilar Olivares/Reuters)

O aumento de casos de COVID-19 em São Paulo pode fazer com que o estado decrete lockdown (ou seja, bloqueio total) para reduzir ainda mais a quantidade de pessoas nas ruas, já que as taxas de isolamento não estão dentro do ideal para conter a disseminação da doença. Projeções feitas com um modelo matemático da Unicamp indicam que o lockdown será inevitável caso o nível de isolamento não suba significativamente e "pra ontem".

Coso a atual taxa de contágio seja mantida, no final de junho o estado de São Paulo contabilizará 53,5 mil novas infecções por dia, sendo 20,8 mil casos diários somente na capital. Além disso, os números de mortes por dia atingirão 2,5 mil no estado, sendo 1,1 mil na cidade de São Paulo. Para piorar, um professor da universidade disse ainda que essas projeções podem estar subestimadas, já que o nível do isolamento social vem caindo no estado desde o início de abril, o que provoca o aumento da taxa de contágio.

E, para tentar frear a pandemia, deixando o lockdown como último recurso, feriados serão antecipados para esta semana. O de Corpus Christi (que acontece em 11 de junho) foi transferido para esta quarta (20), enquanto o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) pulou para a quinta-feira (21). A sexta-feira (22) será ponto facultativo para as empresas. Além disso, o Governo do estado quer antecipar o feriado local da Revolução Constitucionalista (9 de julho) para a próxima segunda-feira (25) — o que acabará criando um megaferiado paulista que pode durar até 6 dias seguidos, se contar com uma emenda da sexta-feira no fim de semana. O motivo é o seguinte: é justamente em feriados e em fins de semana que São Paulo vem apresentando as melhores taxas de isolamento, já que muita gente ainda precisa sair de casa para trabalhar nos dias úteis. Então, decretando esse "feriadão", talvez a taxa de contágio acabe diminuindo temporariamente, evitando a superlotação do sistema de saúde com "todo mundo" doente ao mesmo tempo.

Vale lembrar que, de acordo com o último boletim oficial do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou 254.220 casos de COVID-19, subindo para o terceiro lugar no ranking mundial de contaminados. A taxa de letalidade do novo coronavírus por aqui é de 6,6% em todo o território nacional, que já registrou 16.792 mortes, com mais 2.277 em investigação. O estado de São Paulo concentra mais de 63 mil dos casos confirmados, além de mais de 4.820 mortes. Em apenas um mês, o número de óbitos neste estado cresceu 4,9 vezes.

Sem isolamento, coronavírus pode nunca ir embora

Um especialista da OMS emitiu um alerta de que o SARS-CoV-2 pode se tornar endêmico — ou seja, continuar por aqui, mesmo que uma vacina eficaz seja desenvolvida. O conceito de endemia tem como base a recorrência de uma determinada doença em uma ou mais regiões do globo, e um dos fatores que contribuem para a dificuldade do controle do coronavírus é justamente a taxa insuficiente de isolamento das cidades.

E como anda o avanço das vacinas?

(Foto: Xinhua)

Uma vacina desenvolvida no Reino Unido se mostrou eficaz em testes com macacos, enquanto testes em humanos já estão sendo feitos. Alguns dos macacos desenvolveram anticorpos para o vírus em 14 dias com uma única dose da vacina, sendo que todos eles acabaram desenvolvendo esses anticorpos dentro de 28 dias.

Na China, pelo menos cinco potenciais vacinas vêm sendo testadas em humanos — e há outras que podem ser aprovadas para esses testes já no mês que vem. A fase de pesquisa para essas cinco vacinas deve acabar em julho e, se alguma delas for aprovada, pode ser que uma comercialização esteja à vista. Dentre 100 vacinas em desenvolvimento no mundo todo, apenas 10 conseguiram chegar à fase crucial de testes em humanos, por enquanto.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a farmacêutica Moderna obteve sucesso na primeira das três fases essenciais nos testes em humanos com uma nova vacina. O FDA já liberou a empresa para a segunda fase, e a empresa vem fazendo testes em camundongos, também, descobrindo que sua vacina é capaz de impedir a replicação do vírus nos pulmões desses animais. A terceira fase começará em julho e, caso essa vacina se prove realmente eficiente, ela pode ficar pronta para aplicação em massa até o final deste ano,

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