O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (18/02/2020)

Por Patrícia Gnipper | 18 de Fevereiro de 2020 às 18h20
NASA

Chegou aquele momento especial da semana, o dia em que preparamos um resumo com as principais notícias científicas dos últimos dias! Afinal, nem todo mundo tem o tempo que gostaria para se manter atualizado com os acontecimentos da ciência e da astronomia, então o Canaltech dá aquela ajudinha.

Covid-19 é o nome oficial do novo coronavírus

(Foto: Mark Schiefelbein/ AP Photo)

A Organização Mundial da Saúde apresentou oficialmente o novo nome para o que vínhamos chamando de "novo coronavírus", ou "coronavírus chinês": agora ele se chama Covid-19. A ideia foi criar um nome que não fizesse referência à região onde a epidemia começou, para evitar a estigmatização da doença.

E por falar no coronavírus, digo, no Covid-19, o vírus se mostrou muito mais resiliente do que se imaginava: recentemente descobriu-se que ele é capaz de sobreviver por mais de sete dias fora do organismo.

Dando adeus ao observatório SOFIA

Observarótio SOFIA por fora e sua equipe dentro do Boeing 747 (Fotos: NASA)

O observatório espacial SOFIA deve ser aposentado pela NASA em breve. A bordo de um avião Boeing 747 que voa no alto da atmosfera para observar a galáxia de maneira singular, o observatório ficou de fora do orçamento proposto pela Casa Branca para o próximo ano. O SOFIA está há quase 10 anos observando o espaço no espectro infravermelho, e tem papel importante no estudo da composição de atmosferas e superfícies planetárias, além de investigar coisas como a evolução e composição de cometas, e explorar a formação de estrelas.

Pálido Ponto Azul em versão remasterizada

Terra, o pálido ponto azul que aparece sendo atingido por um raio de luz solar nesta icônica imagem que acaba de ser remasterizada (Foto: NASA)

Celebrando os 30 anos da icônica foto Pálido Ponto Azul, a NASA decidiu relançar a imagem, que foi processada com tecnologias modernas para gerar uma foto ainda mais emocionante de como a Terra é vista a 6 bilhões de quilômetros.

A foto original foi tirada pela sonda Voyager 1 em 1990, 34 minutos antes de desligar suas câmeras para sempre. A ideia foi virar as câmeras para fazer um "retrato de família" do Sistema Solar, e então a Terra apareceu como um minúsculo pontinho azulado em meio à escuridão do espaço.

Mais satélites de internet à vista; IAU se preocupa

Logo depois de a SpaceX lançar mais satélites Starlink em novembro de 2019, astrônomos do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO) registraram como as poucas unidades já prejudicaram seus trabalhos. Cada uma das trilhas na imagem mostra a passagem de um satélite (Foto: NSF’s National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory/CTIO/AURA/DELVE)

Além da SpaceX, que vem fazendo lançamentos frequentes com lotes de 60 satélites Starlink em cada, e da OneWeb, que já lançou algumas dezenas de unidades, quem deve entrar de vez neste novo mercado de constelações de satélites de internet é o Facebook com o projeto Athena. A empresa vem mantendo suas atividades neste braço um tanto quanto às escuras, mas uma nova documentação obtida pela imprensa internacional mostra que os primeiros satélites Athena podem ser lançados já em março deste ano.

E a União Astronômica Internacional (IAU) fez um novo alerta público de que essas constelações de satélites prejudicam as observações astronômicas, representando sérios riscos à ciência. Eles fizeram simulações em computador considerando 25 mil satélites, e os resultados indicam que "a aparência do céu noturno primitivo, principalmente quando observada em locais escuros, será alterada, porque os novos satélites podem ser significativamente mais brilhantes do que os objetos artificiais já existentes em órbita".

Usando como exemplo observações a serem feitas no Observatório Vera Rubin, a estimativa é de que até 30% das imagens registradas 30 segundos durante o crepúsculo serão afetadas, pois a instalação conta com instrumentos com um campo de visão mais amplo. Por outro lado, os observatórios com campos de visão menores serão menos afetados, ainda que sintam algum impacto, também.

Novos candidatos a explorar o Sistema Solar

(Imagem: NASA)

A NASA acaba de eleger quatro missões para que uma delas — a grande vencedora — seja a próxima a enviar uma nave para explorar o Sistema Solar de pertinho. As missões fazem parte do Programa Discovery, que desde 1992 financia projetos de baixo custo com essa finalidade.

As novas propostas receberão um apoio inicial de US$ 3 milhões para desenvolver e amadurecer seus conceitos, com a vencedora sendo anunciada em 2021 — esta, então, se tornará uma missão real a ser planejada para o futuro próximo.

As candidatas da vez são:

  • DAVINCI+, para analisar a atmosfera de Vênus e, então, entender como ela se formou e evoluir, além de determinar de o planeja já teve um oceano, como se imagina;
  • IVO, para explorar Io, a lua vulcânica de Júpiter, entendendo como as forças das marés moldam os corpos interplanetários;
  • TRIDENT, para estudar Tritão, a lua geologicamente ativa de Netuno, entendendo a formação de mundos potencialmente habitáveis a enormes distâncias do Sol;
  • VERITAS, para mapear a superfície de Vênus e determinar a história geológica do planeta, além de mapear a geologia venusiana, que ainda é amplamente desconhecida.

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