O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (13/08/2019)

Por Patrícia Gnipper | 13 de Agosto de 2019 às 15h37

Chegou mais uma terça-feira e, com ela, mais um resumão com o que rolou de mais impactante no noticiário científico dos últimos dias. Vamos lá?

Manejando drogas no cérebro por meio de smartphones

Cientistas sul-coreanos em parceria com estadunidenses inventaram um dispositivo capaz de controlar o manejo de drogas no cérebro por meio de smartphones. A ideia é acelerar os esforços da comunidade médica para descobrir e tratar doenças como Parkinson, Alzheimer, dependências, depressão e dores agudas.

O aparelho usa cartuchos substituíveis de fármacos, como se fossem peças de Lego, e um Bluetooth de baixa energia faz a comunicação sem fios. Tudo foi devidamente testado em camundongos com uma sonda tão fina quanto um fio de cabelo humano, proporcionando doses ilimitadas de drogas aos cérebros dos animais. Essa distribuição das substâncias então foi administrada pelo smartphone, capaz de ativar qualquer combinação específica ou sequenciamento preciso dos medicamentos, o que pode ser feito a distância, sem a necessidade de se estar fisicamente ao lado do paciente.

Transformando a atmosfera da Terra em um telescópio gigante

Um astrônomo dos EUA está imaginando um jeito de transformar a atmosfera terrestre em uma enorme lente de telescópio, o que ele chamou de "Terrascópio".

Isso seria possível porque a nossa atmosfera refrata a luz das estrelas, e podemos aproveitar essa refração com a ajuda de um telescópio espacial de 1 metro, que ficaria posicionado além da Lua. Assim, conseguiríamos ampliar a luz de objetos distantes em 22.500 vezes. O cientista acredita que o método seria o equivalente a usar um telescópio de 150 metros.

Tardígrados na Lua

Quando a israelense SpaceIL enviou à Lua sua nave Beresheet, ninguém sabia que, entre suas cargas preciosas, estavam milhares de tardígrados, animais milimétricos conhecidos por serem altamente resistentes, capazes de sobreviver no ambiente inóspito do espaço. E como a nave acabou se colidindo contra a superfície enquanto tentava pousar, agora sabemos que os tardígrados estão espalhados pela Lua.

Ainda não se sabe se os bichinhos escaparam de sua proteção, tornando-se agora habitantes oficiais do nosso satélite natural, ou se eles continuam devidamente selados num ambiente controlado. É esperar para ver novos desdobramentos desta história.

Medindo a pressão sanguínea por meio de selfies

Um novo estudo mostra que é possível medir a pressão sanguínea de uma pessoa ao analisar suas selfies. Contando com a ajuda de uma tecnologia chamada Imagem Óptica Transdérmica (TOI), os sensores ópticos dos smartphones conseguem capturar a luz vermelha refletida pela hemoglobina da pele, permitindo a medição das mudanças no fluxo sanguíneo.

Como tornar Marte habitável?

Se um dia for possível terraformar Marte, o planeta pode ficar assim, bem parecido com a Terra

Pesquisadores descobriram que é possível usar um material chamado aerogel para permitir a sobrevivência humana em Marte. O material pode reter calor da luz solar em quantidade suficiente para proporcionar um ambiente favorável no Planeta Vermelho, e o estudo mostra que uma camada fina de aerogel translúcido, com apenas alguns centímetros de espessura, poderia aquecer o solo marciano em até 50º Celsius ou mais — temperatura muito adequada para descongelar a água de lá e criar um ambiente similar ao da Terra.

Tal camada de aerogel permite que a luz visível atravesse sua estrutura translúcida, mas dificulta a vida da luz infravermelha — que não podemos ver mas podemos sentir na forma de calor. Assim, o material produz um efeito estufa bastante eficiente. Na verdade, o aerogel é considerado um dos melhores isolantes térmicos que temos, por isso foi o grande escolhido.

Jovens brasileiros desconhecem a nossa ciência

De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), 93% dos jovens em nosso país não conhecem quem são os cientistas nacionais, e nem os nossos institutos de pesquisa. Foram entrevistados 2.206 jovens de todo o país, entre 15 e 24 anos.

O problema é que a nossa produção científica não é pequena e nem irrelevante em meio ao cenário mundial, e praticamente dobrou entre a virada do século e o final de 2010. O Brasil já publicou mais de 250 mil artigos científicos na base Web of Science, em todas as áreas do conhecimento, e isso apenas entre 2011 e 2016, o que coloca o nosso país na 13ª posição na produção científica global entre mais de 190 países.

Missão InVADER para estudar oceanos alienígenas

O SETI, com financiamento da NASA, vai lançar a missão InVADER aqui na Terra mesmo, mas para estudar oceanos alienígenas. Explicamos: a ideia é estudar aberturas do fundo do mar aqui em nosso planeta com uma sonda especial, para preparar a ciência para quando enviarmos sondas os oceanos subterrâneos de mundos como Encélado e Europa — luas de Saturno e Júpiter, respectivamente.

É que, no fundo dos nossos oceanos, encontramos uma incrível fonte de pesquisa sobre a vida; afinal, foi lá onde a vida por aqui começou, em primeiro lugar. Isso ocorre principalmente perto de aberturas hidrotermais, que são fissuras no fundo do mar de onde sai água aquecida geotermicamente. Essas rachaduras liberam calor e substâncias químicas, que alimentam áreas de biozonas, bem longe da luz solar. Assim, a InVADER planeja explorar uma abertura hidrotérmica chamada Axial, que é um vulcão submarino ativo a mais ou menos 1,6 km abaixo da superfície, esperando que as descobertas possam ajudar cientistas que realizarem missões semelhantes em oceanos alienígenas.

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