O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (12/06/2018)

Por Patrícia Gnipper | 12 de Junho de 2018 às 13h54
photo_camera NASA

É doido por ciência? A gente também! Por isso, as terças são dias de ciência e astronomia aqui no Canaltech, com a gente fazendo uma síntese das notícias mais importantes que rolaram nessas áreas ao longo da última semana. Vamos lá:

Nanorobôs ultrassônicos na corrente sanguínea

Cientistas norte-americanos desenvolveram nanorobôs capazes de destruir bactérias e limpar o sangue quando inseridos em nossa corrente sanguínea. Confeccionados em ouro, os nanorobôs são 25 vezes mais finos do que um fio de cabelo humano, e se movem em resposta à estimulação por ultrassom — ou seja, não precisam de combustível.

Os pequeninos foram revestidos com uma "pele" híbrida construída a partir de membranas de plaquetas e células sanguíneas, impedindo que as proteínas se prendam aos nanorobôs, tornando-os inativos por conta disso. À medida em que eles navegam pela corrente sanguínea, suas membranas capturam bactérias e toxinas.

ISS a caminho da privatização

Como já sabíamos, a Estação Espacial Internacional deverá ser privatizada depois de 2025. E, agora, o novo chefe da NASA, Jim Bridenstine, já começou a conversar com empresas privadas do setor espacial para fazer esse plano acontecer.

A ISS continuará operacional até o ano de 2028, com o orçamento da NASA não acomodando futuras manutenções. Ou seja: sem a privatização, a estação espacial será abandonada. A ideia é que empresas privadas assumam a manutenção e controle da ISS e, em colaboração com a NASA, continuem proporcionando os estudos científicos que ali são conduzidos.

A Lua está deixando os dias mais longos

O dia tem 24 horas, certo? Só que, há 1,4 bilhões de anos, os dias na Terra tinham duração de somente 18 horas — e a culpa de tornar nossos dias mais longos é da Lua. Um novo estudo descreve como pesquisadores criaram um método para rebobinar o relógio da Terra em centenas de milhões de anos, explicando, ainda, as evidências de mudanças climáticas observadas em rochas antigas.

Sabemos que a Lua está, lentamente, se afastando da Terra, a uma velocidade de pouco mais de 4 centímetros por ano. Esse afastamento diminui a rotação do nosso planeta e, ao medir tudo isso, os pesquisadores conseguiram determinar como eram mais curtos os dias na Terra há tanto tempo.

(Foto: ESA/NASA/Alexander Gerst)

O disco da Via Láctea é maior do que imaginávamos

Galáxias espirais, como a nossa, costumam ter discos muito finos, abrigando a maior parte de suas estrelas nessa região. Mas um novo estudo sugere que o disco da Via Láctea é maior do que imaginávamos, com cerca de 200 mil anos-luz de diâmetro.

Esse disco rotativo inclui braços em espiral e um halo esférico, que o circunda. A pesquisa, então, comparou a abundância de metais nas estrelas do plano com as do halo, descobrindo que há uma mistura de estrelas de disco e halo nas grandes distâncias observadas.

A área colorida é a região que conhecíamos do disco galáctico. As outras linhas mostram a probabilidade de 99,7% e 95,4% de haver estrelas fora da área conhecida. Ah, o ponto amarelo é onde fica o nosso Sol (Imagem: R. Hurt, SSC-Caltech, NASA / JPL-Caltech)

Abelhas entendem o conceito de "zero"

Cientistas australianos conseguiram fazer com que abelhas compreendeseem o conceito de "zero", algo que, para nós, humanos, não é tão simples assim. A ideia de "nada" é algo naturalmente inconcebível para nós, que aprendemos o conceito de maneira cultural e educacional, sendo que os antigos romanos sequer tinham um numeral para representar o zero, por exemplo.

Mas os pesquisadores conseguiram fazer com que abelhas entendessem que "zero" é menos do que "um", o que é muito interessante, considerando o minúsculo cérebro que elas têm, com menos de 1 milhão de neurônios (enquanto nós temos cerca de 100 bilhões).

Moléculas orgânicas abundantes em Marte

A NASA prometeu um anúncio histórico na semana passada, que se tratava da confirmação de que Marte é um planeta abundante em matéria orgânica. O rover Curiosity fez a descoberta na cratera Gale, e também revelou o metano sazonal que aparece na fina atmosfera marciana.

Compostos orgânicos são fundamentais para a existência da vida e, agora, os cientistas seguirão estudando o Planeta Vermelho com o objetivo de descobrir se Marte, em algum dia muito longínquo, realmente abrigou algum tipo de vida como nosso imaginário popular acredita.

Japoneses prestes a "caçar" asteroide

O robô Hayabusa2, do Japão, já conseguiu colocar em sua mira o asteroide Ryugu. O "caçador" da JAXA, agência espacial japonesa, pretende coletar uma amostra do asteroide em questão, sendo que ele deve chegar ao destino no dia 27 de junho.

Ao chegar por lá, o Hayabusa2 completará sua missão, com alguns meses de duração. Entre setembro e outubro, o robô pousará em Ryugu e posicionará seus equipamentos para a coleta. Então, em 2019, a nave voltará à Terra com as amostras coletadas para estudos.

O robô "caçador de asteroides" da JAXA (Imagem: JAXA/Akihiro Ikeshita)

Mamífero mais antigo do Brasil

O Brasilestes stardust é o mamífero mais antigo já descoberto no Brasil. Ele viveu por aqui na região onde hoje fica o estado de São Paulo, entre 87 e 70 milhões de anos atrás. Ainda, ele é o único mamífero brasileiro que se tem conhecimento de ter coexistido com dinossauros.

Com o fóssil de um dente, os cientistas conseguiram determinar que o Brasilestes deve ter sido um animal maior do que a maioria dos mamíferos de sua época, que tinham o tamanho de um rato. Eles imaginam que este devia ter o tamanho de um gambá.

Deixando tudo ainda mais intrigante, o dente fossilizado do mamífero é similar a um descoberto na Índia, proveniente de um animal que deve ter vivido de 70 a 66 milhões de anos atrás. Isso indica que, há cerca de 100 milhões de anos, os ancestrais de ambos os animais provaram a região que hoje abriga a Índia, em uma época em que os continentes ainda não estavam tão separados como hoje em dia.

Opportunity em perigo

Vasculhando o terreno de Marte desde 2004, o robô Opportunity pode estar com os dias contados. É que o rover está, no momento, envolto por uma intensa tempestade de poeira, com opacidade extrema que impede que seus painéis solares capturem a energia do Sol.

Sendo assim, as baterias do Opportunity estão sendo preservadas para que ele consuma o mínimo de energia possível durante a tempestade, que é a pior já enfrentada pelo rover. E, sim, existe um sério risco de a tempestade se dissipar tarde demais, com as baterias do Opportunity se esgotando antes que ele tenha a chance de se recuperar de mais este baque.

O pontinho azul é onde o Opportunity está em meio à tempestade marciana (Foto: NASA)

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