O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (08/05/2018)

Por Patrícia Gnipper | 08 de Maio de 2018 às 12h23

Vocês se lembram que agora terça é o dia da ciência e da astronomia aqui no Canaltech? Pois é, não publicamos os principais acontecimentos científicos do momento na terça-feira passada por conta do feriado, mas, nesta semana, para compensar, vamos fazer um apanhado bacana com as notícias mais importantes do segmento que surgiram nessas duas últimas semanas.

Tecnologia espacial também é boa para a saúde humana

Muitas tecnologias que são criadas para o uso no espaço acabam sendo úteis também em outras aplicações. É o caso de um sistema de aprendizado de máquina criado para mapear crateras e dunas em Marte, que foi adaptado para ajudar a comunidade médica a medir os efeitos de tratamentos em tumores.

Isso porque, assim como as crateras marcianas, os tumores não têm aparência uniforme, e, além disso, partes diferentes de um tumor mudam de maneiras e em velocidades diferentes.

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Sagittarius A pode ter muitos irmãos menores

O buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea pode não ser o único por ali. Pesquisadores usaram a simulação cosmológica Romulus para prever a dinâmica desses objetos em suas galáxias e concluíram que o Sagittarius A deve estar acompanhado por centenas, ou até mesmo milhares de buracos negros menores.

Já outra equipe, analisando sistemas estelares binários, em que uma estrela faz par com um buraco negro, detectou 12 buracos negros em um raio de somente 3 anos-luz do Sagittarius A. Analisando a distribuição espacial desses buracos, eles também entenderam que há, naquela região, ao menos 300, ou até 500 sistemas binários do tipo, com mais de 10 mil buracos negros orbitando o supermassivo no centro de nossa galáxia.

A velocidade da luz pode não ser constante

Uma das grandes maravilhas da ciência é o questionamento, colocando em xeque muito do que temos como verdade absoluta. E talvez esse seja o caso da velocidade da luz, que, segundo alguns físicos, pode não ser uma constante.

Tem-se que a velocidade da luz é de quase 300 milhões de metros por segundo, mas, segundo esses cientistas, pode ser que a velocidade cósmica da luz seja variável como uma consequência do vácuo espacial, que só parece vazio, mas é repleto de partículas que interagem com a radiação. Até então, já existem dois estudos documentados no European Physics Journal sugerindo essa ideia.

Descobriram 14 galáxias antigas em colisão

Situadas quase que nos limites do universo observável, estas 14 galáxias foram observadas em rota de colisão, e o resultado seria a formação de uma gigantesca e extremamente massiva galáxia final.

Isso deve ter acontecido há mais de 12 bilhões de anos, mas somente agora o grupo foi avistado aqui da Terra. Estima-se que a união do grupo aconteceu quando o universo tinha apenas 1,4 bilhão anos de idade.

Concepção artística mostra as 14 galáxias em colisão (Imagem: NRAO/AUI/NSF/S. DAGNELLO)

Primeira observação real do Paradoxo de Einstein-Podolsky-Rosen (EPR)

Na mecânica quântica, o Paradoxo EPR foi elaborado em 1935 para questionar a natureza da previsão oriunda da teoria quântica, que diz que o resultado de uma medição feita em uma parte do sistema quântico pode ter um efeito instantâneo no resultado de uma medição feita em outra parte. Isso vai contra os princípios da relatividade espacial e, por isso, o paradoxo.

Mas agora, pela primeira vez, o paradoxo foi observado em um sistema de centenas de partículas. O experimento usou lasers para esfriar átomos até que sua temperatura estivesse quase no zero absoluto, já que, a essa temperatura extrema, os átomos se comportam de acordo com as leis da mecânica quântica. Então, a equipe, usando captura de imagens em altíssima resolução, conseguiu medir as correlações entre os átomos, prevendo os resultados em outras regiões.

28 anos de Hubble

Lançado em 1990, o telescópio espacial Hubble somente começou a transmitir imagens em alta definição para a Terra em 1994, depois de um reparo necessário em seu espelho principal. E, agora, celebramos os 28 anos do Hubble, que revolucionou a astronomia de maneira sem precedentes.

O telescópio completa uma volta ao redor da Terra a cada 97 minutos, enviando as imagens do espaço para um satélite, que, por sua vez, transfere tudo para dois computadores no planeta. Disputado, o Hubble precisa de um comitê para revisar os pedidos de seu uso, sendo que, de mil propostas, apenas cerca de 200 são selecionadas. Com isso, mais de 10 mil artigos já foram publicados com base em dados coletados pelo Hubble.

Foi com ele que determinamos que o universo tem de 13 a 14 bilhões de anos de idade, por exemplo, e graças ao Hubble nós pudemos, pela primeira vez, ver detalhes incríveis de galáxias e nebulosas, anteriormente só vistas como borrões. Para comemorar, a NASA divulgou uma imagem belíssima da Nebulosa da Lagoa, a 4 mil anos-luz daqui:

Outra Terra

Ok, já descobrimos uma série de "Super-Terras" por aí, mas o Kepler-186f é o primeiro exoplaneta similar à Terra detectado na zona habitável de sua estrela, sendo um ótimo candidato para abrigar a vida como a conhecemos. Seu sistema, que também conta com outros planetas rochosos em órbita, assim como o Sistema Solar, está situado a 500 anos-luz a partir da Terra.

A estrela do Kepler-186f tem mais ou menos metade do tamanho e massa do Sol, e o planeta completa uma órbita a seu redor a cada 130 dias.

Comparação da zona habitável (em verde) do Sistema Solar com o sistema do Kepler-186f (Imagem: NASA)

Implante cerebral fez com que macacos voltassem a andar

Neurologistas implantaram eletrodos no cérebro e na coluna de macacos paralisados, permitindo que eles voltassem a andar. Tais implantes conseguiram restaurar a função das pernas dos primatas quase que instantaneamente, e essa é a primeira vez que a ciência consegue um feito do tipo em um animal tão parecido com o humano.

Sim, os humanos são os próximos da lista! Contudo, os pesquisadores acreditam que levará pelo menos 10 anos para ajustar a tecnologia para o uso em pacientes humanos de verdade.

Primeiro exoplaneta com hélio em sua atmosfera

O WASP-107b, localizado a 200 anos-luz da Terra, na Constelação de Virgem, é o primeiro exoplaneta descoberto com hélio na composição de sua atmosfera. A presença do elemento é tão grande que os cientistas acreditam que a atmosfera do planeta se estenda a dezenas de milhares de quilômetros em direção ao espaço.

Cientistas descobrem ativadores de medo e coragem no cérebro

Células nervosas no cérebro de ratos foram detectadas como responsáveis por ativar sentimentos como o medo e a coragem, e uma equipe de cientistas também conseguiu determinar níveis de ativação que indicam a intensidade dessas emoções.

Ao manipular essas áreas cerebrais, os pesquisadores conseguiram causar as reações desejadas nos animais, que se esconderam paralisados de medo, ou atacaram agressivamente um predador simulado. Acredita-se que o cérebro humano funcione de maneira similar e, portanto, tal estudo pode abrir o caminho para entendermos os gatilhos de nossas próprias emoções e, quem sabe, futuros tratamentos para fobias e estresses pós-traumáticos não estejam a caminho.

NASA envia nova sonda para estudar o terreno marciano

Enquanto os rovers Opportunity e Curiosity seguem percorrendo o solo de Marte, a NASA decidiu enviar uma nova sonda para o Planeta Vermelho. A missão InSight alçou voo no último sábado (5) e, acompanhada de dois pequenos satélites CubeSeats, levará 206 dias para completar a viagem.

A partir do dia 26 de novembro deveremos ouvir sobre a InSight novamente, cuja missão principal é estudar os "Marsquakes", algo como "Martemotos", em uma tradução livre. É que, em Marte, acontecem abalos similares aos terremotos terrestres, e a agência espacial pretende descobrir a origem desses "chacoalhões" marcianos. Pode ser que tudo seja consequência da colisão de meteoritos, mas também há a possibilidade de se tratarem de movimentos tectônicos parecidos com os que acontecem em nosso planeta.

Serão analisados de 12 a 200 "Martemotos" em um período de dois anos, e a missão pretende, com isso, descobrir como Marte se formou, o que deve ter acontecido há 4,5 bilhões de anos.

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