O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (04/12/2018)

Por Patrícia Gnipper | 04 de Dezembro de 2018 às 15h00

Quem não gosta de ciência, bom sujeito não é. Brincadeira, pessoal, mas que a ciência maravilha muita gente, isso é verdade! E, por isso, às terças nós do Canaltech selecionamos as principais notícias científicas que rolaram nos últimos dias para que você, que ama a ciência e a astronomia assim como nós, fique por dentro do que está rolando de mais interessante.

Humanos ancestrais acasalavam (e muito!) com neandertais

Descendentes de ancestrais que migraram para fora da África possuem fragmentos de DNA neandertal, e agora uma nova análise de dados de ancestralidade genética humana mostra que os humanos ancestrais se acasalavam frequentemente com neandertais.

O estudo indica que o acasalamento interespécies acontecia bastante durante os 30 mil anos em que as duas espécies se sobrepuseram na história do planeta Terra, e esses trechos de DNA neandertal que são encontrados ainda hoje em nossa genética são resultado disso. "Não foi uma só vez que humanos e neandertais se cruzaram; eles se sobrepuseram por dezenas de milhares de anos e ocorreram interações múltiplas", explicou Joshua Schraiber, pesquisador e co-autor do estudo.

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Já era sabido que humanos e neandertais procriaram uns com os outros, mas o novo estudo mostra que isso aconteceu em uma escala muito mais ampla do que o imaginado.

"Homem de Neandertal já fui e acho isso muito natural", como já disse a banda Ira! (Imagem: Reuters)

Empresas privadas em novo programa lunar

Nove empresas foram reveladas pela NASA como as competidoras para fazer parte do novo programa lunar da agência espacial, que será uma iniciativa público-privada para desenvolver tecnologias de exploração na superfície da Lua.

A empresa escolhida construirá veículos de lançamento e robôs exploratórios nos próximos 10 anos, arcando com parte do investimento de US$ 2,6 bilhões. A partir de 2022, a NASA quer construir um laboratório espacial na órbita lunar, que será uma espécie de "pit stop" para futuras missões.

Sucesso com lançamento de astronautas à ISS com o foguete Soyuz

Depois de um acidente ocorrido em outubro, que exigiu o retorno emergencial da equipe de astronautas que estava indo à Estação Espacial Internacional, agora a Rússia conseguiu fazer um novo lançamento de sucesso. Três astronautas chegaram em segurança à ISS, onde viverão por seis meses e meio e, temporariamente, trabalharão com os astronautas que hoje ainda estão por lá.

Telescópios combinados detectam mais de 100 exoplanetas

Uma equipe internacional de astrônomos combinou telescópios terrestres e espaciais para detectar mais de 100 exoplanetas em apenas três meses de pesquisa. A equipe investigou 227 candidatos a exoplanetas usando a combinação de telescópios, confirmando que 104 deles eram mesmo planetas orbitando outras estrelas além do Sol.

Entre as descobertas, estão sete cujos períodos orbitais são menores de 24 horas, e muitos planetas rochosos de baixa massa, além de sistemas planetários com múltiplos exoplanetas.

Estudando o asteroide Bennu

Enfim, depois de dois anos de jornada, a sonda OSIRIS-REx da NASA chegou a seu destino: o asteroide Bennu. A 20 km acima da superfície, a sonda vai começar a mapear a superfície do objeto para encontrar o melhor local onde coletará amostras de solo e rocha, trazendo-as para a Terra posteriormente.

A ideia é estudar o asteroide a fim de entender um pouco mais sobre a formação do Sistema Solar. Além disso, Bennu está na lista de candidatos potencialmente perigosos, pois há o risco de ele entrar em contato com a Terra nos anos 2100. Por isso, a sonda foi enviada para lá, especificamente, e não para qualquer outro asteroide. A missão durará 7 anos no total, com previsão de retorno à Terra para setembro de 2023.

Arte mostra a sonda OSIRIS-REx coletando amostras do asteroide Bennu (Imagem: NASA)

Curiosity avista misterioso objeto brilhante em Marte

Explorando o Planeta Vermelho desde 2012, o rover Curiosity segue caminhando por lá em busca de novas descobertas. Agora, o rover avistou um objeto brilhante que ainda é misterioso para a NASA, podendo ser, na verdade, um meteorito.

Contudo, será necessário fazer uma análise química para bater o martelo de que o objeto brilhante é mesmo um meteorito. Para isso, a agência usará o instrumento ChemCam do rover. Além deste, outros dois objetos encontrados pelo Curiosity também serão analisados para que saibamos do que se tratam.

Este é o objeto brilhante avistado pelo Curiosity (Foto: NASA)

NASA vai mapear as florestas da Terra

Por meio de um instrumento de reconhecimento de imagem de alta tecnologia enviado à Estação Espacial Internacional, a NASA vai criar um mapa 3D sem precedentes das florestas da Terra. O objetivo é criar projetos para estabilizar o clima do planeta.

O GEDI (Global Ecosystem Dynamics Investigation) conta com um altímetro a laser e nos dará as melhores estimativas da biomassa das florestas, bem como quanto carbono elas armazenam. Com desmatamentos e outros distúrbios, certas florestas acabam perdendo seu poder de absorver carbono da atmosfera, liberando o elemento, que fica concentrado na atmosfera e, consequentemente, há o efeito estufa. Então, precisamos entender melhor esse balanço global de carbono, entendendo como ele está distribuído espacialmente nas florestas.

Identificadas quatro colisões de buracos negros

Quatro novos casos de colisões de buracos negros foram identificados por físicos, com essas colisões enviando ondas gravitacionais em direção à Terra. Entre elas, está a maior colisão já registrada.

Quando dois buracos negros colidem, eles se combinam e criam um buraco negro ainda maior, liberando o excesso de massa como energia — energia esta que viaja pelo espaço no formato de ondas gravitacionais. Usando dados do LIGO e do Virgo, os pesquisadores identificaram esses quatro eventos que aconteceram em 2017 a uma distância entre 1,044 bilhão e 8,97 bilhões de anos-luz.

Uma dessas quatro colisões, inclusive, resultou em um buraco negro com 80 vezes a massa do Sol — quase duas vezes a média de massa observada em buracos negros resultantes de estrelas colapsadas. Uma explicação para um buraco negro tão massivo pode ser a seguinte: dois buracos negros se fundiram e, então, houve a colisão com um terceiro.

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