O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (04/02/2020)

Por Patrícia Gnipper | 04 de Fevereiro de 2020 às 18h00
NSO/NSF/AURA

Olha quem chegou: aquele resumo semanal com as principais notícias científicas dos últimos dias! Toda terça-feira, o Canaltech dedica um tempinho para fazer esse "apanhadão" para você, entusiasta da ciência e da astronomia, que vive um dia a dia corrido e não consegue ficar por dentro de tudo o que importa como gostaria. Assim, você fica bem informado com poucos minutos de leitura. Vamos lá?

Produzindo oxigênio a partir do regolito lunar

Além de oxigênio, o processo também produz metais a partir do regolito lunar (Foto: ESA)

Pesquisadores da agência espacial europeia (ESA) encontraram uma maneira de produzir oxigênio a partir da poeira lunar, conhecida como regolito. Eles usaram amostras trazidas da Lua em missões passadas e viram que elas possuem entre 40% e 45% de oxigênio preso ali, ligado quimicamente com óxido na forma de minerais ou vidro. A solução, então, foi separar os componentes para liberar o oxigênio.

E por que fazer isso? É que, com a proximidade das novas missões tripuladas em nosso satélite natural, conseguir produzir oxigênio por lá "vale ouro"; assim, reduz-se a necessidade de transportar oxigênio para lá no lançamento aqui na Terra. Outra vantagem do processo dos europeus é que, após a extração do oxigênio, o regolito é convertido em ligas metálicas utilizáveis, que podem render diversas aplicações práticas. A ideia da agência espacial é construir uma "planta piloto" de uma fábrica de oxigênio em meados da década de 2020.

Rússia e China construindo telescópio espacial

Os dois países decidiram se unir para criar um possível concorrente ao telescópio espacial James Webb, sucessor do Hubble que a NASA já deveria ter lançado, mas segue atrasando o cronograma. A ideia é que o telescópio espacial OAST seja independente dos Estados Unidos e atenda às necessidades russas e chinesas na exploração espacial.

O OAST deve ser o primeiro grande telescópio montado no espaço com a ajuda de robôs. Ele terá 10 metros e vem sendo desenvolvido de maneira voluntária, sem estar incluído no programa espacial governamental de nenhum dos dois países envolvidos. A ideia é que ele esteja finalizado nos anos 2030.

Susto com o rover Curiosity

Ufa, agora está tudo bem com o Curiosity! (Foto: NASA)

O rover Curiosity ficou temporariamente imóvel em Marte na semana passada. Uma falha no sistema deixou o veículo robótico sem informações sobre sua localização e, para evitar acidentes, a NASA "congelou" o rover até conseguir recuperar o sistema defeituoso — o que foi feito rapidamente, com o Curiosity voltando a operar normalmente depois do susto.

Outro susto, desta vez com a sonda Voyager 2

Não brinca assim com o nosso coração, Voyager 2! (Imagem: NASA)

A NASA ainda trabalha para retomar as operações dos instrumentos científicos da sonda Voyager 2, que apresentou um problema que a fez gastar mais energia do que deveria. Lançada em 1977, a sonda hoje explora o espaço interestelar, e segue enviando dados preciosos sobre o que há nos limites do Sistema Solar.

A comunicação com a Voyager 2 não chegou a ser interrompida por completo por conta da falha, pois os dados de telemetria continuam chegando. Mas seus instrumentos científicos foram desligados para compensar o déficit de energia, sendo religados alguns dias depois, quando um dos sistemas defeituosos foi recuperado. Contudo, a equipe da missão segue revisando o estado da nave para fazer com que a coleta de dados científicos seja retomada.

James Webb sem previsão de lançamento (de novo)

E a novela do James Webb continua... (Imagem: NASA)

Anos de atraso marcam o cronograma do telescópio espacial James Webb. A NASA prometeu recentemente lançá-lo, enfim, em março de 2021, mas essa data dificilmente será mantida, pois mais um adiamento deve acontecer. De acordo com um novo relatório, as chances de o lançamento acontecer mesmo em março do ano que vem são de apenas 12%.

Concebido nos anos 1990, o James Webb deveria ter sido lançado em 2007. Depois, em 2011. O lançamento então foi adiado para 2018, com uma nova prorrogação para 2020. Então, sem conseguir cumprir o prazo, marcou-se a data de março de 2021 — que agora deve ser adiada mais uma vez, ainda sem previsão.

Módulo comercial habitável na ISS

Conceito do módulo Axiom Segment que será anexado à ISS (Imagem: Axiom Space)

A NASA escolheu a empresa privada Axiom Space para construir um módulo comercial habitável na Estação Espacial Internacional (ISS). Este módulo receberá visitantes que não são astronautas (possivelmente turistas espaciais), além de astronautas de empresas privadas, que poderão usar recursos da ISS em seus trabalhos.

Depois de enviar seu módulo para lá, a Axiom ainda pretende construir e operar sua própria estação espacial comercial, independente das instalações da ISS.

Adeus, Spitzer, e obrigado por tudo!

Depois de mais de 16 anos de funcionamento (e grandes descobertas), o telescópio espacial Spitzer foi oficialmente aposentado pela NASA. O equipamento forneceu informações preciosas sobre o universo graças à sua capacidade de enxergar a região do infravermelho no espectro eletromagnético — ou seja, ele era capaz de ver o que havia por trás de nuvens de gás e poeira em formações como galáxias e nebulosas.

O Spitzer atuou como um parceiro de outros grandes telescópios espaciais, como o Hubble (que vê o universo em sua luz visível) e o Chandra (de raios-x). Juntos, eles forneceram dados e imagens complementares para ampliar ainda mais nosso entendimento do espaço que nos cerca.

Quem ficará responsável por dar continuidade às observações em infravermelho será o James Webb, que segue com seu lançamento atrasado — ainda sem uma nova data marcada para tal.

Superfície do Sol em detalhes sensacionais

(Imagem: NSO/NSF/AURA)

Um novo telescópio, já em suas primeiras imagens, revelou como é a superfície do Sol em detalhes sem precedentes, mostrando pequenas estruturas que medem pelo menos 30 quilômetros, cada. Os detalhes revelam o plasma que cobre nossa estrela, com estruturas semelhantes a células que são do tamanho do estado do Texas. Essas estruturas ajudam a criar a convecção, processo no qual o calor do interior do Sol é atraído para a superfície, enquanto outras células esfriam e afundam.

O telescópio em questão é o DKIST, o maior telescópio solar do mundo, que pode observar o Sol desde comprimento de ondas visíveis até o infravermelho próximo. Ele funcionará, em breve, em conjunto com a Parker Solar Probe, sonda da NASA que estuda o astro do Sistema Solar de pertinho.

Curativo "smart" que muda de cor para matar bactérias resistentes

Agora indo para a área da saúde, pesquisadores ligados à Academia Chinesa de Ciências estão desenvolvendo uma possível solução ao problema das bactérias resistentes a antibióticos. Eles criaram uma espécie de band-aid que muda de cor ao detectar essas bactérias, e oferece uma maneira de enfraquecer a ação desses microorganismos.

A bandagem "smart" funciona assim: ela naturalmente tem a cor verde, mas muda de cor quando colocada sobre uma ferida e, ao detectar a presença de bactérias se reproduzindo ali, ela assume uma coloração amarelada. Ao mudar de cor, o curativo libera automaticamente um antibiótico embutido ali, matando qualquer bactéria "comum" que possa existir na ferida. Se após esta etapa o curativo continuar detectando a presença de bactérias (as resistentes), então ele muda sua cor para o vermelho. A partir daí, o médico pode usar uma luz especial em cima do curativo "smart" para que ele libere moléculas de oxigênio reativo, capazes de matar bactérias resistentes — ou ao menos enfraquecê-las o suficiente a ponto de os antibióticos fazerem efeito.

Novo coronavírus já matou mais que a SARS e pode ser classificado como uma pandemia

(Foto: Agência Brasil)

A epidemia do novo coronavírus na China já é pior do que a SARS, que aconteceu entre 2002 e 2003 — ao menos ao pensarmos na quantidade de mortos. A doença da vez já matou 362 pessoas em cerca de um mês, enquanto a SARS causou a morte de 349 pessoas em um ano. Contudo, em termos percentuais, a SARS é mais perigosa: ela matou 9,6% dos infectados, enquanto o atual coronavírus mata menos de 2%.

Outro perigo é a velocidade de transmissão do coronavírus. Em apenas um mês, ele já infectou mais que o dobro das pessoas que a SARS afetou em um ano, fazendo com que o número de vítimas da outra epidemia fosse ultrapassado em apenas três semanas desde a confirmação da primeira morte. Cientistas, então, considerando a velocidade da transmissão do coronavírus, estão alertando o mundo que, em pouco tempo, a doença pode ser elevada para o status de pandemia.

Mas nem tudo sobre a doença são más notícias: até o momento, 524 infectados conseguiram se recuperar totalmente, segundo dados recentes divulgados pela China. Aqui no Brasil, ainda não há casos confirmados da doença, ainda que alguns suspeitos sigam em avaliação. A Organização Mundial da Saúde, contudo, já declarou que o novo coronavírus é uma emergência global.

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