O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (03/07/2019)

Por Patrícia Gnipper | 03 de Julho de 2019 às 15h06
Rodrigo Garrido/Reuters

Aqui vai mais um resumo com as notícias mais importantes que rolaram no universo da ciência e da astronomia na última semana. A gente sabe que nem sempre se tem o tempo que gostaria para acompanhar o noticiário, então toda semana o Canaltech prepara essa síntese para você ficar bem informado com poucos minutinhos de leitura.

O mistério do metano marciano

O rover Curiosity acaba de fazer a maior detecção de metano em Marte. O gás já havia sido registrado por lá em 2013 e em 2014, mas a detecção de agora encontrou a maior quantidade de metano já medida durante a missão do rover — que está no Planeta Vermelho desde 2012.

A notícia reacende, de novo, a esperança de haver algum tipo de vida microbiana em Marte. É que, aqui na Terra, micróbios são uma importante fonte de metano, só que o gás também pode ser gerado por meio de processos geológicos. Então a NASA ainda precisa de meios para conseguir determinar a origem de tanto metano em nosso vizinho espacial.

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Nova espécie de dinossauro brasileiro

No noroeste do Paraná, foi descoberta uma nova espécie de dinossauro em um sítio paleontológico. Batizado de Verpersaurus paraensis, o bicho tinha aproximadamente um metro e meio de tamanho, era bípede e carnívoro, e se alimentava majoritariamente de animais menores.

A descoberta prova que animais pré-históricos habitaram a região brasileira há cerca de 30 milhões de anos — naquela época, essa região era um deserto árido.

NASA vai enviar sonda para a lua Titã

Arte mostra o drone Dragonfly sobrevoando Titã (Imagem: NASA)

A missão Dragonfly acaba de ser aprovada pela NASA para estudar a lua Titã de pertinho. O satélite natural de Saturno receberá um explorador que é um misto de drone com robô, com lançamento previsto para 2026 e chegada em 2034.

O objetivo maior aqui será buscar processos químicos prebióticos em comum entre Titã e a Terra, já que a lua em questão é um análogo à Terra primitiva e, portanto, estudá-la pode fornecer mais pistas sobre como a vida deve ter surgido em nosso planeta.

Nova propriedade da luz é descoberta

Pesquisadores internacionais descobriram uma nova propriedade da luz: o torque próprio. O time estava trabalhando com feixes de luz com momento angular altamente estruturados (os chamados de momento angular orbital, ou OAM), quando descobriram que a luz se comportava de uma maneira nunca vista antes.

Ao disparar dois lasers em uma nuvem de gás argônio, eles fizeram com os feixes se sobrepusessem, se juntando na sequência e então sendo emitidos como um único feixe do outro lado da nuvem. O resultado foi um tipo de feixe de vórtice — e foi aí que os pesquisadores se perguntaram: o que aconteceria se os lasers tivessem um momento angular orbital diferente e se estivessem ligeiramente fora de sincronia?

Isso acabou gerando um feixe que parecia um saca-rolhas com uma torção que mudava gradualmente. E, quando esse raio atingiu uma superfície plana, parecia uma lua crescente. Então, os pesquisadores acabaram descobrindo que a luz tem essa propriedade até então nunca observada, tampouco prevista — a do torque próprio.

Quase todos os satélites Starlink estão funcionando direitinho

Satélites Starlink fotografados por Marco Langbroek, do site SatTrackCam Leiden Blog

Dos 60 satélites iniciais que começaram a criar a constelação Starlink, que levará internet de alta velocidade a todo o planeta, a SpaceX perdeu o contato com três deles — mas todos os demais seguem em funcionamento conforme o previsto.

O trio defeituoso será queimado na atmosfera, sem nenhum risco ao planeta. Alguns dos demais já foram posicionados à sua órbita final, enquanto outros seguem neste processo. A empresa de Elon Musk prevê um total de 12 mil satélites quando o projeto estiver a pleno vapor, o que ainda levará alguns anos para acontecer.

NASA completa teste de segurança com nave Orion

Nesta semana, a NASA realizou com sucesso o teste de aborto de lançamento com a nave Orion, essencial para o programa Artemis — este que levará astronautas de novo à Lua depois de décadas sem receber nenhum ser humano.

O teste bem-sucedido mostra que a nave está preparada para se destacar do foguete de maneira emergencial caso alguma coisa dê errado durante um lançamento tripulado. A Orion levará sua primeira turma de astronautas à órbita da Lua em 2022, com o pouso na superfície acontecendo em 2024.

Eliminado completamente o vírus HIV em ratos

Pela primeira vez na história da ciência, foi possível eliminar completamente o vírus HVI em um organismo vivo. O experimento usou ratos geneticamente alterados para produzir células humanas que fossem suscetíveis a uma infecção por HIV, e depois de a nova técnica ser aplicada, não houve mais sinal do vírus no organismo dos animais.

A façanha é um marco importante na busca por um tratamento eficaz para pacientes de AIDS, sendo esta a primeira vez em que a ciência encontra um método eficaz de não apenas suprimir a reprodução do vírus, como também eliminá-lo completamente de um organismo.

Único eclipse solar de 2019

Turistas acompanham o eclipse no Chile (Foto: Rodrigo Garrido/Reuters)

Na terça-feira (2), a América do Sul teve o privilégio de assistir ao vivo o único eclipse solar de 2019. O fenômeno foi visível em algumas regiões do Brasil de maneira parcial, sendo total em países como Chile e Argentina — e aqui você confere uma seleção de fotos incríveis tiradas tanto por observadores amadores, quanto por cientistas equipados com telescópios profissionais.

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