Novo medicamento apaga memórias para tratar vício em drogas

Por Redação | 13 de Agosto de 2015 às 11h17
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A recaída é o maior desafio enfrentado por um ex-usuário de drogas depois de um longo período de reabilitação. Muitos acabam não respondendo ao tratamento de forma correta, pois a lembrança do efeito da droga, seja ela qual for, permanece bastante forte no cérebro.

Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, desenvolveram uma solução que promete apagar as lembranças do efeito das drogas no cérebro do paciente, fazendo com que ele não tenha vontade de usar a substância novamente.

Segundo o estudo publicado na edição desta semana na revista Molecular Psychiatry, a exclusão de uma memória pode ser algo perigoso, mas em testes realizados em ratos, o medicamento afeta somente as lembranças que são associadas ao vício. Ainda será preciso fazer os testes em seres humanos e o remédio deve chegar ao mercado em cinco anos, no mínimo.

O medicamento utiliza um processo envolvido na formação das lembranças no cérebro humano. Estes mesmos pesquisadores, em 2013, descobriram que as memórias que surgem no cérebro depois do uso de uma droga psicoestimulante eram diferentes das tradicionais, como coisas simples do dia a dia.

As memórias cotidianas são registradas dentro de uma conexão de neurônios formada pela proteína actina, que estabiliza rapidamente a lembrança, armazenando-a no cérebro. Já nas memórias causadas pelo uso da anfetamina, por exemplo, a actina não consegue estabilizar a memória. Então, essa instabilidade foi essencial para a criação da droga que destrói a actina, ou seja, a lembrança relacionada à droga.

A actina também é usada pelo organismo em outros processos, como o funcionamento dos músculos ou a contração do coração. Então, destruir essa proteína seria bastante perigoso. Na nova pesquisa, os cientistas optaram por usar outra proteína: a miosina não muscular do tipo IIB. Esta molécula ajuda a actina a funcionar, mas em processos que não afetam o funcionamento dos músculos e do coração.

A droga, batizada de Blebbistatina, ou Blebb, é responsável por destruir a miosina não muscular do tipo IIB, que inibe a actina instável e apaga a memória associada à droga. Segundo os pesquisadores, o medicamento age apenas nesta lembrança por 30 dias e basta apenas uma dose do remédio para que o cérebro deixe de lembrar que a pessoa usou a droga.

Fonte: Molecular Psychiatry