Nave espacial movida a energia solar será testada ainda este mês

Por Redação | 11 de Maio de 2015 às 12h53
photo_camera Reprodução/The Planetary Society

O sonho de Carl Sagan, lendário astrônomo falecido em 1996, pode estar em vias de se tornar realidade: uma nave espacial que não precisasse de qualquer outra fonte de combustível senão a energia do sol para se mover, utilizando somente a radiação solar para mover-se através do espaço da mesma forma que um barco usaria o vento para se movimentar no mar.

Quase duas décadas depois do falecimento do astrônomo, um projeto chamado Flight by Light, criado pela Planetary Society, uma organização não-governamental norte-americana fundada em 1980 e que incluia o próproio Carl Sagan entre seus criadores, promete dar um grande passo na direção do que foi ambicionado por seu cofundador.

Trata-se de uma nave chamada LightSail, muito pequena (do tamanho de uma torradeira, para questões de parâmetro). Funciona da seguinte forma: a sonda é colocada em órbita e, de dentro dela, quatro "velas" de Mylar (nome patenteado de uma fortíssima película de poliéster que tem resistência térmica e propriedades de isolamento) captam a radiação proveniente do sol, convertendo a energia em força motriz para a própria LightSail.

Os primeiros testes estão marcados para o dia 20 de maio, que deverão servir para ver se a nave conseguirá ou não abrir as quatro asas de Mylar com sucesso. Esse primeiro experimento não acontecerá numa órbita próxima o suficiente do sol para captar sua energia, mas se der certo, deverá pavimentar o caminho para novos testes em abril de 2016.

Vale dizer que esta não será a primeira vez que uma sonda movida a energia solar será colocada em órbita. O primeiro vôo de sucesso foi da sonda IKAROS, da Agência de Exploração Espacial do Japão (JAXA), em 2010, e meses depois, no mesmo ano, a NASA também colocou seu próprio modelo em órbita.

A novidade do projeto Flight By Light, por sua vez, é se tratar do resultado do trabalho e investimento de uma ONG. É uma das primeiras vezes em que a iniciativa privada tem a oportunidade de investir por conta própria na exploração de novos recursos para viagens espaciais.

O preço do programa da Planetary Society também é consideravelmente baixo: US$ 4,5 milhões, bem abaixo do normal gasto pelas maiores agências espaciais do mundo. O fato de se tratar de um modelo muito pequeno e, principalmente, ser movido por um combustível ilimitado e gratuito como o sol, ao invés dos caríssimos e pesados fluidos propulsores das sondas tradicionais, com certeza ajudaram a baratear ainda mais a LightSail.

Caso os testes se mostrem efetivos, a novidade poderá representar um passo importante na direção de uma maior "concorrência" no desenvolvimento de projetos espaciais, com a entrada de empresas e órgãos privados, e também um avanço no uso de espaçonaves cada vez menores e mais leves.

Confira abaixo o vídeo institucional da Planetary Society explicando como funciona o projeto Flight by Light.

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