NASA está trabalhando em nave espacial capaz de pegar carona em cometas

Por Redação | 04.09.2015 às 09:35
photo_camera NASA/JPL-Caltech/Cornelius Dammrich

"Pegar carona nessa cauda de um cometa, ver a Via Láctea, estrada tão bonita". Três décadas após o sucesso do hit infantil "Lindo Balão Azul", o que parece apenas ficção pode se tornar realidade. A NASA anunciou o projeto de uma nave-conceito capaz de pegar carona em cometas e asteroides, economizando recursos na viagem pelo espaço.

O "Comet Hitchhiker" (algo como "caroneiro de cometas", em tradução livre) foi desenvolvido no Jet Propulsion Laboratory, da NASA, em Pasadena (Califórnia), e usa a energia cinética desses pequenos corpos celestes para permanecer em suas órbitas, viajando "de carona". "Pegar carona em um corpo celeste não é assim tão simples quanto levantar o dedão por aí, porque o astro está em uma velocidade astronômica e não irá parar para aceitar a carona", explica Masahiro Ono, investigador da NASA. "Em vez do dedão, nossa ideia é usar uma espécie de arpão e uma corrente" para que o caroneiro se fixe ao objeto espacial e realize uma viagem junto a ele.

Comet Hitchhiker

Arte digital que mostra como seria o exterior da nave "pendurada" por uma corrente ligada ao arpão que se afixa ao cometa (Reprodução: NASA/JPL-Caltech/Cornelius Dammrich)

O método seria o equivalente à técnica de pesca, na qual o pescador libera uma extensão maior da linha da vara de pesca assim que o peixe abocanha a isca, sendo levado em seu barco junto ao movimento do peixe, até que ele seja içado. O sistema de arpão e corrente da nave espacial funcionaria mais ou menos dessa forma.

Assim que a nave tem sua velocidade de movimento equiparada à do cometa ou asteroide no qual se agarrou, ela poderá aterrissar em sua superfície, finalmente prosseguindo viagem. Já na hora de acompanhar outro objeto espacial em uma nova jornada, a nave usaria a energia cinética coletada do movimento para ser projetada a outro destino.

"Esse tipo de carona poderia ser usado em múltiplos alvos no Cinturão de Kuiper, em até cinco ou dez objetos em uma única missão", contempla Ono. O cientista e sua equipe ainda estudam a possibilidade de um arpão suportar um impacto dessa magnitude e também estão pesquisando formas de criar uma corrente forte o suficiente para resistir à tensão.

A grande vantagem de um sistema de caronas espaciais como esse seria a economia de recursos. Em missões que usam propulsores convencionais, as naves utilizam uma quantidade grande de combustível para acelerar o suficiente a fim de entrar nas órbitas dos corpos celestes explorados. "Com o Comet Hitchhiker, acelerar e desacelerar não vai requerer a ação de propulsores, porque a nave estaria coletando energia cinética de seu alvo", explica Ono.

Agora, o próximo passo no estudo do conceito da "nave caroneira" será a realização de simulações mais fiéis às condições reais, tentando lançar um arpão preso a uma corrente em um objeto que simule o material de um cometa ou asteroide.

Fonte: NASA