NASA 57 anos: relembre os principais feitos da agência espacial dos EUA

Por Douglas Ciriaco | 29 de Julho de 2015 às 09h48
photo_camera Caroline Hecke

Principal referência do mundo ocidental quando o assunto é exploração espacial, a NASA celebra nesta quarta-feira seu 57º aniversário. Fundada em 29 de julho de 1958, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço foi a aposta dos Estados Unidos para a chamada Corrida Espacial, nome pelo qual ficou conhecida a disputa entre o país norte-americano e a União Soviética pela “conquista” do espaço.

Enquanto os russos levaram o primeiro satélite artificial, o primeiro animal vivo, o primeiro homem e também a primeira mulher ao espaço, os estadunidenses alcançaram um feito até hoje inigualado: pisar na Lua. Apesar de sair perdendo na largada, atualmente a NASA desfruta de um status de maior autoridade do tema espaço no mundo, reunindo em suas fileiras cientistas e pesquisadores de várias nacionalidades que estudam o Universo.

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Hoje, quando a agência espacial comemora seus 57 anos de existência, nós vamos relembrar um pouco de sua história, de seus principais projetos e também dos próximos passos que devem vir adiante.

Naca: o começo de tudo

Antes da NASA, os projetos espaciais dos Estados Unidos aconteciam em torno do Naca, o Comitê Consultivo Nacional para a Aeronáutica. Fundado em 1919, ele atuava de maneira tímida e deu lugar à NASA no final dos anos 1950 logo após as primeiras e bem-sucedidas investidas espaciais da União Soviética.

Nasa 57 anos

Naca: o embrião da NASA. (Foto: Divulgação/Nasa)

O temor de ficar para trás nas disputas tecnológicas com o rival comunista e também o de uma ameaça à sua segurança nacional fez o governo dos Estados Unidos aumentar seus investimentos no desenvolvimento tecnológico, inclusive nas pesquisas espaciais. Assim, no dia 29 de julho de 1958 Dwight Eisenhower, o então presidente do país norte-americano, assinou a Lei Nacional de Aeronáutica e Espaço, dando origem à National Aeronautics and Space Administração — NASA.

Desde então, a agência tem investido seus esforços em um grande número de programas que incluem o envio de espaçonaves tripuladas e não tripuladas ao espaço. Com finalidades distintas, os veículos já levaram satélites artificiais para a órbita terrestre, foram à Lua e a outros planetas do sistema solar, estudaram astros e ajudaram construir a Estação Espacial Internacional ao lado de europeus e asiáticos.

Programa X-Plane

Iniciado ainda nos anos 40 sob os auspícios do Naca, o programa X-Plane visa criar aviões experimentais que jamais deixam de ser protótipos. Como a ideia nunca é chegar a um modelo final, os veículos desenvolvidos dentro deste projeto têm uma margem maior para invencionices, servindo de base para o surgimento de tecnologias aplicadas posteriormente na aviação civil e militar.

Desde 1946, ano do surgimento do programa, já foram criadas 56 aeronaves experimentais tripuladas e não tripuladas. A primeira delas, o Bell X-1, marcou época ao se tornar o primeiro avião movido a turbina de foguete a ultrapassar a barreira do som, em 14 de outubro de 1947.

North American X-15

A aeronave North American X-15 fez parte deste projeto e foi uma das mais importantes em toda a história. Desenvolvido a partir de 1954 em cooperação entre a North American (atual Rockwell International), a NASA, a Força Aérea e a Marinha dos Estados Unidos, o veículo era equipado com um motor-foguete e foi criado a fim de explorar o comportamento de um avião em situação de voo a velocidades hipersônicas.

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North American X-15: o grande nome do programa X-Plane. (Foto: Cooper/Wikimedia Commons)

Mas o North American X-15 fez muito mais do que isso: ele auxiliou na obtenção de conhecimentos sobre voos suborbitais, pois foi o primeiro veículo dos EUA a alcançar a Linha de Kármán. Esta linha imaginária fica a 100 km de altitude em relação ao nível do mar e é responsável por dividir a atmosfera terrestre do espaço exterior.

Ao todo, ele realizou três voos — todos tripulados — e fez história, auxiliando de forma bastante efetiva na descoberta e no desenvolvimento de conceitos aplicados na construção de aviões e espaçonaves. O X-15 foi aposentado em dezembro de 1968, nove anos após realizar o seu primeiro voo.

Programa Mercury: o começo de tudo

O primeiro voo tripulado da NASA foi dentro do programa Mercury. Iniciado em 1959, ele durou até 1963 e fez seis lançamentos ao espaço durante o período. Seu objetivo era, acima de tudo, político, afinal a União Soviética já despontava com um certo protagonismo em suas conquistas espaciais.

Assim, a resposta dos Estados Unidos envolveu também enviar uma equipe de sete astronautas ao espaço. A seleção do grupo aconteceu em 1959, ano em que também começaram os primeiros testes envolvendo escudo e aerodinâmica entre outros. Depois de alguns voos não tripulados, a espaçonave iniciou os testes com primatas.

Em um total de quatro lançamentos, a Mercury levou macacos a quatro níveis distintos: primeiro a 85 km de altitude, depois a apenas 14 km acima do solo, depois a um voo suborbital e, por fim, a um voo de duas órbitas, já em novembro de 1961. Tudo isso serviu de preparação para o primeiro voo tripulado por humanos da história da NASA.

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John Glenn: o primeiro norte-americano a ir para o espaço. (Foto: Divulgação/Nasa)

A primeira vez em que a Mercury ganhou o espaço com tripulação humana foi em 20 de fevereiro de 1962. Dentro dela estava John Glenn, que igualava o seu colega de profissão russo Iuri Gagarin ao ser o primeiro estadunidense a entrar em órbita. Depois dele, Scott Carpenter, Walter Schirra e Gorgon Cooper repetiriam o feito entre 1962 e 1963, sempre dentro do projeto Mercury.

Programa Gemini: pré-Lua

Segundo projeto da NASA para voos espaciais tripulados por humanos, o programa Gemini existiu entre 1961 e 1966 e foi composto por 10 equipes diferentes, cada uma com apenas dois pilotos. Ela foi o grande gol a favor dos Estados Unidos, colocando o país na frente da União Soviética durante a disputa espacial.

Desde o surgimento da Mercury, a ideia dos Estados Unidos era tirar o atraso em relação à URSS enviando espaçonaves para orbitar a Lua, sendo que a Gemini foi o grande laboratório para o próximo programa espacial — o Apollo, que, finalmente, levaria a humanidade a pisar em nosso satélite natural pela primeira e única vez na história.

Durante a Gemini, a NASA realizou testes e voos capazes de permitir viagens à Lua. Neste período, a agência espacial estudou, desenvolveu e testou técnicas de atividade extraveicular e de manobras orbitais para pouso e acoplagem da nave. Além disso, criou métodos para o reencontro da tripulação após a exploração fora da espaçonave.

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Astronautas a bordo da nave Gemini. (Foto: Divulgação/Nasa)

Assim, entre 1965 e 1966, a cápsula Gemini levou dez duplas de astronautas para a órbita terrestre baixa — menos de 2 mil quilômetros de altura em relação ao nível do mar — a fim de preparar terreno para o que viria a seguir. Fizeram parte da equipe os chamados Mercury 7 (os sete astronautas do programa Mercury), os Novos Nove e ainda astronautas da turma de 1963 da NASA. Ao todo, o Gemini contou com 12 missões.

Programa Apollo: um salto para a humanidade

O terceiro programa de viagens espaciais tripuladas por humanos da NASA foi nomeado de Apollo e entrou para a história como o mais famoso de todos. Tudo isso deve-se especialmente a uma missão, a Apollo 11, a primeira a levar seres humano à Lua em 20 de julho de 1969.

Dando sequência às iniciativas surgidas ainda durante os anos de 1950, durante o programa Mercury, a NASA iniciou o projeto Apollo em 1961 — e ele durou até o início da década seguinte, quando foi encerrado, em 1972. O então presidente John F. Kennedy havia dito, em 1961, que os EUA planejavam enviar o primeiro homem à Lua já nos anos seguintes.

Apesar da experiência com voos tripulados acumulada ao longo dos dois programas espaciais anteriores, os primeiros passos do Apollo foram igualmente cautelosos. Depois de muitos testes em solo, entre fevereiro de 1966 e abril de 1968 aconteceram seis missões não tripuladas.

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Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin: os primeiros a pisarem na Lua. (Foto: Divulgação/Nasa)

Apenas em 11 de outubro de 1968 é que uma missão do projeto partiu da Terra com humanos a bordo — a Apollo 7, que entrou na órbita terrestre. Depois disso, mais três missões partiram em direção ao espaço, mas sempre com a intenção de obter mais detalhes e informações sobre o entorno da Lua e a possibilidades de pouso.

Próxima parada: a Lua

Até que, finalmente, o dia 16 de julho de 1969 marcou a decolagem da missão Apollo 11. A bordo da nave Saturn V, os astronautas Buzz Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong partiram com o objetivo de aterrissar no único satélite natural do planeta Terra. Quatro dias depois, em 20 de julho daquele ano, o veículo pousava na superfície lunar e Armstrong entrava para a história como o primeiro ser humano a pisar na Lua.

Depois da Apolo 11, mais cinco missões também repetiram o feito e aterrissaram na Lua, sempre em locais diferentes do original. Os últimos humanos a pisarem no solo lunar foram Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt, tripulantes da Apollo 17, missão realizada entre 7 e 19 de dezembro de 1972.

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E o homem pisa na Lua. (Foto: Divulgação/Nasa)

Apesar de planejadas, as três missões seguintes do programa Apollo foram abortadas devido ao encerramento do projeto. Falta de interesse das autoridades e corte de verbas são apontadas como os grandes causadores do fim do mais famoso dos programas espaciais já conduzidos pela agência espacial dos Estados Unidos.

Presença no espaço

Em 1973, entrava em órbita a primeira estação espacial dos Estados Unidos, a Skylab, que durou até 1979, quando retornou sozinha à atmosfera terrestre e foi destruída. Durante este período, equipes de astronautas visitaram a estação em três oportunidades e a ideia era mantê-la em uma posição segura com o uso de um ônibus espacial, o que não chegou a acontecer.

Em 1998, em conjunto com agências espaciais da Rússia, Europa, Canadá e Japão, a NASA colaborou na construção da Estação Espacial Internacional (EEI). Atualmente, a EEI é o maior objeto artificial presente na órbita terrestre e é mantido por meio de acordos intergovernamentais. Nela, são realizadas pesquisas internacionais e serve de base para uma série de missões e observações espaciais.

Presença interplanetária e interestelar

Desde a sua criação, a NASA já manteve inúmeros programas não tripulados que visavam a observação de outros planetas. Um dos destaques neste sentido foi o programa Mariner (1962-1973), pois em uma de suas missões uma sonda espacial sobrevoou outro planeta — Marte.

A missão Mariner 4, de 1964, sobrevoou a cerca de 9 mil quilômetros da superfície do Planeta Vermelho, fazendo registros fotográficos e coletando informações. Outro momento marcante do Mariner foram as missões Mariner 9 e Mariner 10, responsáveis por enviar o primeiro satélite artificial à órbita de Marte (1971) e por ser a primeira nave bem-sucedida enviada a Mercúrio (1973), respectivamente.

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Mariner 2. (Foto: Divulgação/Nasa)

O programa Pioneer (1958-1978) também marcou época. Dentre as suas 20 missões, duas têm destaque especial: a Pioneer 10 (ou Pioneer F), lançada em março de 1972 e que sobrevoou Júpiter; e a Pioneer 11 (ou Pioneer G), que deixou a Terra em abril de 1973 e sobrevoou Júpiter e Saturno.

Voyager: viajando e observando o Sistema Solar

Em 1977, a NASA lançou ao espaço duas sondas do programa Voyager, que romperam a barreira do Sistema Solar e nunca mais voltarão à Terra. Ativa até hoje, a Voyager 1 só deixou o Sistema Solar e ganhou o espaço interestelar em 2013, 36 anos após seu lançamento.

Após cumprir sua longa jornada de 19,3 bilhões de quilômetros, a sonda espacial se tornou o primeiro objeto criado pelo homem a alcançar tal ponto do Universo. Seu objetivo inicial era apenas estudar as órbitas de Júpiter e Saturno, bem como suas respectivas luas, mas foi ampliado e agora elas devem permanecer no espaço, observando o Sistema Solar de fora, até a década de 2020.

De olho no Sistema Solar

A NASA também foi responsável por enviar um par de sondas espaciais ao nosso vizinho mais próximo, o planeta Marte. Parte do projeto Viking, as sondas Viking 1 e Viking 2 eram equipadas com itens capazes não somente de fotografar a superfície marciana antes de aterrissar, mas também de estudar a superfície do Planeta Vermelho após o pouso.

Aniversário da Nasa

Conceito da sonda Viking observando Marte. (Foto: Don Davis/Wikimedia Commons)

Lançadas respectivamente em 20 de agosto e 9 de setembro de 1975, as sondas operaram em órbita antes de chegar ao solo de Marte. A Viking 1 atuou no quarto planeta do Sistema Solar durante quatro anos em órbita (1976 a 1980) e seis anos em solo (1976 a 1982). Já a Viking 2 permaneceu dois anos em órbita (1976 a 1978) e quase quatro anos em solo (1976 a 1980).

Há ainda uma série de outros projetos da NASA com olhos abertos ao Sistema Solar. Sondas enviadas em direção a Vênus, Marte, Júpiter e Plutão, por exemplo, pretendem dar mais informações sobre os nossos vizinhos mais próximos.

Além de olhar para Marte e para fora do Sistema Solar, a NASA também já manteve seus olhos em direção ao sol durante o programa Hélios, que lançou duas sondas espaciais em conjunto com a Alemanha Ocidental. A Hélios-A partiu da Terra em 1975 e durou até 1985, enquanto a Hélios-B deixou nosso planeta em 1976 e funcionou até 1979.

De olho no Universo (e no futuro)

Por meio do programa Discovery, a NASA reúne diversos cientistas de várias nacionalidades que mantêm esforços conjuntos a fim de descobrir mais sobre o Universo. Iniciado oficialmente em 1994, ele contém algumas regras para dar mais agilidade e baratear os custos de uma missão espacial — ela não pode durar mais do que 36 meses, por exemplo, e o gasto não deve ultrapassar a marca de US$ 300 milhões.

Desta maneira, a agência espacial mantém pelo menos 10 missões com finalidades distintas e em diferentes localidades do Universo. Seus objetivos incluem observar asteroides (missão NEAR, de 1996), monitoramento de estrelas semelhantes ao Sol (missão Kepler, de 2009), orbitar corpos celestes (missão Dawn, 2006) e explorar a superfície de Marte (Mars Pathfinder, de 1997).

Além dessas, outras missões visam estudar melhor o planeta Mercúrio (missão Messenger, de 2004), capturar amostras de vento solar (missão Genesis, de 2001) e trazer para a Terra amostras de cometas (missão Stardust, de 1999). Enfim, o programa Discovery é um marco significativo no olhar da NASA sobre o futuro da exploração espacial.

Fontes: Nasa, Smithsonian National Air And Space Museum, Aerospaceweb.org

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